quinta-feira, 18 de dezembro de 2014



Mesmo já tendo listado todos os tipos de Soprano existentes neste conjunto de posts, ainda paira no ar questionamento a respeito do naipe com mais variações dentre o fach, o do Soprano. O esteriótipo de voz delicadíssima, com agudos limpíssimos dignos de um rouxinol, permeia entre os leigos, mas o grandioso poder vocal não é exclusividade do Mezzo-Soprano, existem Soprano pesadíssimos com vozes de enorme dimensão!



Existem mais de 10 tipos de Soprano (Mais do que todos os tipos de Mezzo-Soprano e Contralto juntos), sendo os mais citados tipos: Soubrette, Leggero, Coloratura, Lírico, Spinto, Dramático, Dugazon (Híbrido), Falcon (Híbrido) e o Absoluto. Será que é tão difícil associar que nem todos os tipos devem conservar a leveza dos 3 primeiros citados? Os tipos pesados devem ser todos jogados nos naipes de baixo pela ignorância dos leigos? A resposta, obviamente, é não! Vamos seguir dividindo-os em 3 grupos (Leves, comuns e pesados) na música erudita (Que é, querendo os separatistas de conteúdo pop e clássico ou não o ponto de partida obrigatório)... O tipo leve é relativamente raro em grande parte do mundo, em nossa terra nem tanto, dente eles estão os Soubrettes; os Leggeros e os Líricos Coloratura; como representante erudita escolhi Ingeborg Hallstein, dona dos agudos mais perfeito de todos os tempos, um legítimo Soprano Lírico Coloratura de controle exímio:



Como veremos adiante do tipo mais "leve" ao "médio" já se pode notar uma incrível diferença de peso e coloração. O tipo médio e mais comum é o lírico, que comparado aos leves dispõe de mais estamina, habilidade com leggatos, potência e dramaticidade, dispondo de menos agilidade, naturalidade com o registro agudo e leveza. A representante escolhida para representar o tipo mais comum é a Sul Coreana Sumi Jo; vejam como o peso já é considerável se comparado ao da representante anterior:



Até agora acredito que não existem muitas discrepâncias a respeito das vozes citadas, mas ao adentrar os tipos mais pesados (Spinto, Dramático e Falcon) rapidamente as mesmas dão as caras, mas abram os ouvidos e ouça um pesadíssimo Soprano de Wagner (Dramático alemão)! O som de um Soprano pesado é extremamente distinto do de um Mezzo-Soprano Lírico convencional (Que é muito menos dramático, mais sensual e quente) e é extremamente necessário para aguentar pesadíssimas orquestras, em óperas que duram mais de 3 horas (Por vezes até 6 como fez Wagner), suportando se manter estável tendo de executar inúmeros molto fortíssimos no topo da quinta oitava (Onde o Mezzo sofreria e poderia facilmente perder a voz). O perfeito exemplo de um Soprano pesadíssimo é a interprete alemã, especializada em Wagner, Kristen Flagstad:



Ok, vocês são o Vocal Pop (Pop = popular = Não erudito), então porque a necessidade de uma explicação usando as classificações eruditas? Simples, não existe um sistema de classificação de vozes que não seja o desenvolvido para vozes clássicas! Cantor popular, formalmente, não tem, nem precisa, de classificação vocal, mas tornou-se comodo os classificar para melhor escolher repertório e separar linhas de coro, então é necessário olhar para as vozes eruditas querendo ou não (Ou melhor nem tentar classificar nada). Agora para extirpar a ideia de que todo Soprano deve ter voz quente, doce e delicadíssima ao extremos vamos ao contraste no ponto X da questão... IIRIS é o perfeito exemplo de Voz feminina extremamente leve e delicada, quase infantil, que se aproxima da classificação do Soprano Soubrette em termos semânticos:



Já a senhora Patti LaBelle é uma interprete de voz agudíssima, cálida, de enorme dimensão e estamina para sustentar notas estapafúrdias em seu registro misto. Patti é o perfeito exemplo de um "Soprano" de voz pesada, compare o contraste com IIRIS e verá que é tão grande quanto o de Ingeborg com Kristen:



Por fim pessoas, o Mezzo-Soprano dispõe de uma voz mais quente, sensual e calma que a de um Soprano pesado, a diferença é notável! Já fizemos os posts com todos os tipos de vozes feminina, basta ler mais um pouco...


14:39 Sávio Alves


Mesmo já tendo listado todos os tipos de Soprano existentes neste conjunto de posts, ainda paira no ar questionamento a respeito do naipe com mais variações dentre o fach, o do Soprano. O esteriótipo de voz delicadíssima, com agudos limpíssimos dignos de um rouxinol, permeia entre os leigos, mas o grandioso poder vocal não é exclusividade do Mezzo-Soprano, existem Soprano pesadíssimos com vozes de enorme dimensão!



Existem mais de 10 tipos de Soprano (Mais do que todos os tipos de Mezzo-Soprano e Contralto juntos), sendo os mais citados tipos: Soubrette, Leggero, Coloratura, Lírico, Spinto, Dramático, Dugazon (Híbrido), Falcon (Híbrido) e o Absoluto. Será que é tão difícil associar que nem todos os tipos devem conservar a leveza dos 3 primeiros citados? Os tipos pesados devem ser todos jogados nos naipes de baixo pela ignorância dos leigos? A resposta, obviamente, é não! Vamos seguir dividindo-os em 3 grupos (Leves, comuns e pesados) na música erudita (Que é, querendo os separatistas de conteúdo pop e clássico ou não o ponto de partida obrigatório)... O tipo leve é relativamente raro em grande parte do mundo, em nossa terra nem tanto, dente eles estão os Soubrettes; os Leggeros e os Líricos Coloratura; como representante erudita escolhi Ingeborg Hallstein, dona dos agudos mais perfeito de todos os tempos, um legítimo Soprano Lírico Coloratura de controle exímio:



Como veremos adiante do tipo mais "leve" ao "médio" já se pode notar uma incrível diferença de peso e coloração. O tipo médio e mais comum é o lírico, que comparado aos leves dispõe de mais estamina, habilidade com leggatos, potência e dramaticidade, dispondo de menos agilidade, naturalidade com o registro agudo e leveza. A representante escolhida para representar o tipo mais comum é a Sul Coreana Sumi Jo; vejam como o peso já é considerável se comparado ao da representante anterior:



Até agora acredito que não existem muitas discrepâncias a respeito das vozes citadas, mas ao adentrar os tipos mais pesados (Spinto, Dramático e Falcon) rapidamente as mesmas dão as caras, mas abram os ouvidos e ouça um pesadíssimo Soprano de Wagner (Dramático alemão)! O som de um Soprano pesado é extremamente distinto do de um Mezzo-Soprano Lírico convencional (Que é muito menos dramático, mais sensual e quente) e é extremamente necessário para aguentar pesadíssimas orquestras, em óperas que duram mais de 3 horas (Por vezes até 6 como fez Wagner), suportando se manter estável tendo de executar inúmeros molto fortíssimos no topo da quinta oitava (Onde o Mezzo sofreria e poderia facilmente perder a voz). O perfeito exemplo de um Soprano pesadíssimo é a interprete alemã, especializada em Wagner, Kristen Flagstad:



Ok, vocês são o Vocal Pop (Pop = popular = Não erudito), então porque a necessidade de uma explicação usando as classificações eruditas? Simples, não existe um sistema de classificação de vozes que não seja o desenvolvido para vozes clássicas! Cantor popular, formalmente, não tem, nem precisa, de classificação vocal, mas tornou-se comodo os classificar para melhor escolher repertório e separar linhas de coro, então é necessário olhar para as vozes eruditas querendo ou não (Ou melhor nem tentar classificar nada). Agora para extirpar a ideia de que todo Soprano deve ter voz quente, doce e delicadíssima ao extremos vamos ao contraste no ponto X da questão... IIRIS é o perfeito exemplo de Voz feminina extremamente leve e delicada, quase infantil, que se aproxima da classificação do Soprano Soubrette em termos semânticos:



Já a senhora Patti LaBelle é uma interprete de voz agudíssima, cálida, de enorme dimensão e estamina para sustentar notas estapafúrdias em seu registro misto. Patti é o perfeito exemplo de um "Soprano" de voz pesada, compare o contraste com IIRIS e verá que é tão grande quanto o de Ingeborg com Kristen:



Por fim pessoas, o Mezzo-Soprano dispõe de uma voz mais quente, sensual e calma que a de um Soprano pesado, a diferença é notável! Já fizemos os posts com todos os tipos de vozes feminina, basta ler mais um pouco...


terça-feira, 16 de dezembro de 2014


Artista / Banda: Joss Stone.
Classificação Vocal: Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Soprano Spinto.
Alcance Vocal: Eb3 - A5 (Mí Bemol Três – Lá Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Alcance Pleno: Eb3 - A5 (Mí Bemol Três – Lá Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: Eb3 - A5 (Mí Bemol Três – Lá Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Tessitura Vocal (Especulada): A3 – A5 (Lá Três – Lá Cinco).
Oitavas:  2 Oitavas.
Gêneros Musicais: Soul, R&B.

Se esta for sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.


Hoje venho falar de uma interprete de white soul com uma voz rara, Joss Stone. O timbre de Joss pode ser descrito como escuro, rico, metálico e de grande magnitude, tendo como fach mais "próximo" o do Soprano Lírico Spinto. Claramente Joss não canta seguindo as diretrizes do bel canto, mas sua voz dispõe de qualidades inegáveis que se aproximam de um Lírico Spinto, tais como: Enorme poder no registro agudo, 
tom extremamente metálico (Distintivo na região média) e escuro timbre de Soprano.



Seu registro agudo é demonstrado constantemente e, naturalmente dispõe de grande poder e volume, principalmente na região do mix. Sua voz de cabeça dispõe de agilidade e beleza, mas pouco é demonstrada por Joss, o que é algo extremamente comum em meio a interpretes que utilizando o registro misto como marca registrada por grande período de tempo. Ressonância não é um grande problema para este pesado Soprano, mas uma das questões que poderia ser desenvolvidas no tópico em destaque é o aprimoramento do posicionamento de sua voz em regiões mais adequadas, já que Joss, em algumas performances, fica perdida entre o Mix Head Voice e o Mix Cheast voice e deixa de sustentar notas da quinta oitava por insegurança... Insegurança esta que evidentemente é ligada a falta de treino com respeito de sua linha de canto e preparamento prévio de trechos com agilidade; canto em grupo torna-se algo longe do aceitável para uma interprete deste gabarito, já que as melismas, principalmente quando executadas simultaneamente a um parceiro de canto, na região aguda de sua voz,  tornam-se corridas, desconectadas e sem definição perfeita. Seu desempenho ao vivo, ao lado de Robbie Williams é um bom exemplo disso.


Seu registro grave, como se espera de um Soprano convencional, não é naturalmente robusto, ganhando força do A3 (Lá três) em diante. Suas canções exploram a região média aguda e aguda de sua voz, o registro grave é decente, mas não faz parte dos primores de sua voz e técnica. Esta performance ao pedestal, com pouca movimentação, de "The High Road" é um bom exemplo de Joss utilizando seu registro inferior.



Agilidade na região média de sua voz, desde que esteja cantando sozinha e segura da linha a ser executada, não é um problema aparente para Joss. Se mantendo do Dó central (D4) ao D5 (Ré 5) a agilidade flui com mais facilidade, mas como todo bom Soprano os agudos são seu mitiê e a melhor demonstração de agilidade de Joss em estúdio foi belíssimo A5 (Lá 5).


Sua extensão vocal é demonstrada de forma controlada e até hoje encontraram quase duas oitavas e meia, partindo do Eb grave feminino (Eb3) até o A agudo de Mezzo-Soprano (A5). No registro misto Joss consegue ir até o G5, em voz de cabeça até o A5 e, em voz de peito (O mais grave) um Eb3.


Pontos Negativos

Falta de ressonância nos extremos de seu alcance misto. O mix head voice pode ser utilizado com mais enfoque no registro superior por Joss, já que notas estratosfericamente agudas não pedem tanto peso como as executadas na voz de peito.

Registro grave com pouco moldável e brilhante. Para uma grande interprete de música popular, principalmente no estilo que Joss escolheu seguir, ter, pelo menos, algumas notas da terceira oitava utilizáveis ao vivo é uma habilidade que não se pode jogar fora.

Vocal Ranges



15:00 Sávio Alves

Artista / Banda: Joss Stone.
Classificação Vocal: Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Soprano Spinto.
Alcance Vocal: Eb3 - A5 (Mí Bemol Três – Lá Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Alcance Pleno: Eb3 - A5 (Mí Bemol Três – Lá Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: Eb3 - A5 (Mí Bemol Três – Lá Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Tessitura Vocal (Especulada): A3 – A5 (Lá Três – Lá Cinco).
Oitavas:  2 Oitavas.
Gêneros Musicais: Soul, R&B.

Se esta for sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.


Hoje venho falar de uma interprete de white soul com uma voz rara, Joss Stone. O timbre de Joss pode ser descrito como escuro, rico, metálico e de grande magnitude, tendo como fach mais "próximo" o do Soprano Lírico Spinto. Claramente Joss não canta seguindo as diretrizes do bel canto, mas sua voz dispõe de qualidades inegáveis que se aproximam de um Lírico Spinto, tais como: Enorme poder no registro agudo, 
tom extremamente metálico (Distintivo na região média) e escuro timbre de Soprano.



Seu registro agudo é demonstrado constantemente e, naturalmente dispõe de grande poder e volume, principalmente na região do mix. Sua voz de cabeça dispõe de agilidade e beleza, mas pouco é demonstrada por Joss, o que é algo extremamente comum em meio a interpretes que utilizando o registro misto como marca registrada por grande período de tempo. Ressonância não é um grande problema para este pesado Soprano, mas uma das questões que poderia ser desenvolvidas no tópico em destaque é o aprimoramento do posicionamento de sua voz em regiões mais adequadas, já que Joss, em algumas performances, fica perdida entre o Mix Head Voice e o Mix Cheast voice e deixa de sustentar notas da quinta oitava por insegurança... Insegurança esta que evidentemente é ligada a falta de treino com respeito de sua linha de canto e preparamento prévio de trechos com agilidade; canto em grupo torna-se algo longe do aceitável para uma interprete deste gabarito, já que as melismas, principalmente quando executadas simultaneamente a um parceiro de canto, na região aguda de sua voz,  tornam-se corridas, desconectadas e sem definição perfeita. Seu desempenho ao vivo, ao lado de Robbie Williams é um bom exemplo disso.


Seu registro grave, como se espera de um Soprano convencional, não é naturalmente robusto, ganhando força do A3 (Lá três) em diante. Suas canções exploram a região média aguda e aguda de sua voz, o registro grave é decente, mas não faz parte dos primores de sua voz e técnica. Esta performance ao pedestal, com pouca movimentação, de "The High Road" é um bom exemplo de Joss utilizando seu registro inferior.



Agilidade na região média de sua voz, desde que esteja cantando sozinha e segura da linha a ser executada, não é um problema aparente para Joss. Se mantendo do Dó central (D4) ao D5 (Ré 5) a agilidade flui com mais facilidade, mas como todo bom Soprano os agudos são seu mitiê e a melhor demonstração de agilidade de Joss em estúdio foi belíssimo A5 (Lá 5).


Sua extensão vocal é demonstrada de forma controlada e até hoje encontraram quase duas oitavas e meia, partindo do Eb grave feminino (Eb3) até o A agudo de Mezzo-Soprano (A5). No registro misto Joss consegue ir até o G5, em voz de cabeça até o A5 e, em voz de peito (O mais grave) um Eb3.


Pontos Negativos

Falta de ressonância nos extremos de seu alcance misto. O mix head voice pode ser utilizado com mais enfoque no registro superior por Joss, já que notas estratosfericamente agudas não pedem tanto peso como as executadas na voz de peito.

Registro grave com pouco moldável e brilhante. Para uma grande interprete de música popular, principalmente no estilo que Joss escolheu seguir, ter, pelo menos, algumas notas da terceira oitava utilizáveis ao vivo é uma habilidade que não se pode jogar fora.

Vocal Ranges



quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


Após um curto hiato nos artigos a respeito das classificações vocais, traga-lhes, na integra, uma matéria sobre o tipo vocal masculino mais raro existente em nosso tempo, o Contratenor. Como não se subdivide, formalmente, este fach, não existe motivo para outro post de linkagem de subclassificações, por isso o texto inevitavelmente ficará um pouco extenso, mas com a vantagem de ser bem mais rico, por isso confiram todos os exemplos e leia com atenção.

Apesar de serem chamados apenas Contratenores e raramente (Em casos particulares) de Sopranistas, existem particularidades significativas neste tipo vocal ao qual o fach não faz questão de enquadrar em suas regras. Alguns homens, por problemas hormonais, na maioria dos casos, não fazem uso do falsete para cantar em tons tão agudos com conforto e mesmo assim são enquadrados com homens que naturalmente são Tenores, Barítonos ou Baixos que usam falsete. Importante frisar que mesmo sendo algo extremamente incomum, existem homens cis gêneros e adultos que cantam na região femininas, o que chamamos de Contratenores naturais, e os que, por alguma razão, cantam usando o falsete. Já mulheres transexuais que já dispõe de voz equiparável com a do Contralto, Mezzo-Soprano e Soprano, devem ser classificadas como tal (informações sobre este caso específico nesta matéria).




Os Contratenores, até mesmo nos dias atuais, tem seu repertório fortemente ligado ao período Barroco, pré Barroco e renascentista; fora deste contexto não encontram nada escrito formalmente para suas vozes entre famosas árias.  Com o refinamento das composições do período Barroco, as proibições da igreja com respeito a mulheres cantando e ou falando em seus tempos, a voz dos falsetistas (Contratenores não naturais) tornava-se algo defasado e fora do que se almejava na época. A castração, que já era praticada para fins medicinais, passou a ser utilizada para conservar as vozes masculinas agudíssimas como a de crianças e dar origem aos Castrati. Por essa razão os falsetistas deixaram de brilhar por muitos anos na música, deixando a cabo das vozes artificialmente produzidas ganhassem o mundo.

Com o desaparecimento dos Castrati, Mezzo-Sopranos, Contratenores (Falsetistas ou naturais) tomaram os lugares deste e hodiernamente interpretam seus papeis nas casas operísticas mundo a fora. Um excelente exemplo de Contratenor não natural é o saudosíssimo Andreas Scholl, naturalmente Barítono, que com seu falsete aveludado e belíssimo interpreta música barroca com uma competência impar.



Contratenores que não usam do falsete são raríssimos; com certa idade mais ainda, porém estão disponíveis alguns exemplos desta raridade da natureza. Radu Marian, famoso Sopranista (Ou "Contratenor Soprano/Sopranista") é um ótimo exemplo de cantor que facilmente canta na região do Soprano em voz plena.



Já um exemplo de Contratenor que canta com um som escuro próximo do Contralto é David Hansen, que com seu timbre metálico, poderoso e cavernoso, canta, até hoje, desta forma.



Tornar-se um bom Contratenor não é uma tarefa fácil. Além do pesar de ter a voz mais aguda e rara existente dentre os homens, o repertório ao qual se herda dos Castrati é o mais virtuoso e complicado que existe, com leggatos gigantescos e coloraturas e fioraturas monstruosas que desafiam até os mais maravilhosos interpretes. Você pode conferir o nível técnico absurdo que é exigido dos Contratenores na ária "Venti Turbini" no vídeo abaixo (A partir de 0:40).



Apesar de ser levemente próximo da voz femina o timbre de um Contratenor, principalmente o falsetista, é extremamente diferente do de uma mulher em diversos pontos. Muitas mulheres tem mais facilidade com orquestras mais pesadas e com volume na região média, enquanto os Contratenores, em sua maioria, ostentam um registro grave deveras mais desenvolvido e o timbre é totalmente diferente (Um som mais nasal é perceptível na voz do Contratenor). Em dueto entre um Contratenor e um Dugazon fica evidente a diferença de timbragem da voz masculina mais aguda existente e da voz feminina híbrida com maior número de colorações:



Já a extensão de bom proveito de um Contratenor não costuma fugir muito a regra geral das "vozes clássicas", 2 Oitavas e algumas notas, partindo do Mí grave de Contralto (E3) e se estendendo até um Sol agudo de Mezzo-Soprano (G5). Seu registro grave na maioria dos casos é forte e de coloração escura, fazendo a passagem para a voz de peito próximo de um lá grave, enquanto o agudo é metálico (Quase estridente) e delicado (Podendo ganhar maior peso e dramaticidade nas variações mais graves). No geral é uma voz, que como outra qualquer, pode ganhar peso e experiência, mas que enfrenta problemas com potência de emissão na região média.

Trazer traços de uma voz desta magnitude para exemplos populares não é uma tarefa fácil. É raro encontrar um interprete de música Pop que explore de forma tão complexa a própria voz a ponto de demonstrar tanta agilidade e estilo específico de canto, mas fazendo um pouco de esforço podemos encontrar em interpretes como Chris Colfer, que ostenta um timbre emotivo, delicado, leve, metálico de passagens delicadas e ágeis, traços da versão mais leve de um Contratenor.



15:11 Sávio Alves

Após um curto hiato nos artigos a respeito das classificações vocais, traga-lhes, na integra, uma matéria sobre o tipo vocal masculino mais raro existente em nosso tempo, o Contratenor. Como não se subdivide, formalmente, este fach, não existe motivo para outro post de linkagem de subclassificações, por isso o texto inevitavelmente ficará um pouco extenso, mas com a vantagem de ser bem mais rico, por isso confiram todos os exemplos e leia com atenção.

Apesar de serem chamados apenas Contratenores e raramente (Em casos particulares) de Sopranistas, existem particularidades significativas neste tipo vocal ao qual o fach não faz questão de enquadrar em suas regras. Alguns homens, por problemas hormonais, na maioria dos casos, não fazem uso do falsete para cantar em tons tão agudos com conforto e mesmo assim são enquadrados com homens que naturalmente são Tenores, Barítonos ou Baixos que usam falsete. Importante frisar que mesmo sendo algo extremamente incomum, existem homens cis gêneros e adultos que cantam na região femininas, o que chamamos de Contratenores naturais, e os que, por alguma razão, cantam usando o falsete. Já mulheres transexuais que já dispõe de voz equiparável com a do Contralto, Mezzo-Soprano e Soprano, devem ser classificadas como tal (informações sobre este caso específico nesta matéria).




Os Contratenores, até mesmo nos dias atuais, tem seu repertório fortemente ligado ao período Barroco, pré Barroco e renascentista; fora deste contexto não encontram nada escrito formalmente para suas vozes entre famosas árias.  Com o refinamento das composições do período Barroco, as proibições da igreja com respeito a mulheres cantando e ou falando em seus tempos, a voz dos falsetistas (Contratenores não naturais) tornava-se algo defasado e fora do que se almejava na época. A castração, que já era praticada para fins medicinais, passou a ser utilizada para conservar as vozes masculinas agudíssimas como a de crianças e dar origem aos Castrati. Por essa razão os falsetistas deixaram de brilhar por muitos anos na música, deixando a cabo das vozes artificialmente produzidas ganhassem o mundo.

Com o desaparecimento dos Castrati, Mezzo-Sopranos, Contratenores (Falsetistas ou naturais) tomaram os lugares deste e hodiernamente interpretam seus papeis nas casas operísticas mundo a fora. Um excelente exemplo de Contratenor não natural é o saudosíssimo Andreas Scholl, naturalmente Barítono, que com seu falsete aveludado e belíssimo interpreta música barroca com uma competência impar.



Contratenores que não usam do falsete são raríssimos; com certa idade mais ainda, porém estão disponíveis alguns exemplos desta raridade da natureza. Radu Marian, famoso Sopranista (Ou "Contratenor Soprano/Sopranista") é um ótimo exemplo de cantor que facilmente canta na região do Soprano em voz plena.



Já um exemplo de Contratenor que canta com um som escuro próximo do Contralto é David Hansen, que com seu timbre metálico, poderoso e cavernoso, canta, até hoje, desta forma.



Tornar-se um bom Contratenor não é uma tarefa fácil. Além do pesar de ter a voz mais aguda e rara existente dentre os homens, o repertório ao qual se herda dos Castrati é o mais virtuoso e complicado que existe, com leggatos gigantescos e coloraturas e fioraturas monstruosas que desafiam até os mais maravilhosos interpretes. Você pode conferir o nível técnico absurdo que é exigido dos Contratenores na ária "Venti Turbini" no vídeo abaixo (A partir de 0:40).



Apesar de ser levemente próximo da voz femina o timbre de um Contratenor, principalmente o falsetista, é extremamente diferente do de uma mulher em diversos pontos. Muitas mulheres tem mais facilidade com orquestras mais pesadas e com volume na região média, enquanto os Contratenores, em sua maioria, ostentam um registro grave deveras mais desenvolvido e o timbre é totalmente diferente (Um som mais nasal é perceptível na voz do Contratenor). Em dueto entre um Contratenor e um Dugazon fica evidente a diferença de timbragem da voz masculina mais aguda existente e da voz feminina híbrida com maior número de colorações:



Já a extensão de bom proveito de um Contratenor não costuma fugir muito a regra geral das "vozes clássicas", 2 Oitavas e algumas notas, partindo do Mí grave de Contralto (E3) e se estendendo até um Sol agudo de Mezzo-Soprano (G5). Seu registro grave na maioria dos casos é forte e de coloração escura, fazendo a passagem para a voz de peito próximo de um lá grave, enquanto o agudo é metálico (Quase estridente) e delicado (Podendo ganhar maior peso e dramaticidade nas variações mais graves). No geral é uma voz, que como outra qualquer, pode ganhar peso e experiência, mas que enfrenta problemas com potência de emissão na região média.

Trazer traços de uma voz desta magnitude para exemplos populares não é uma tarefa fácil. É raro encontrar um interprete de música Pop que explore de forma tão complexa a própria voz a ponto de demonstrar tanta agilidade e estilo específico de canto, mas fazendo um pouco de esforço podemos encontrar em interpretes como Chris Colfer, que ostenta um timbre emotivo, delicado, leve, metálico de passagens delicadas e ágeis, traços da versão mais leve de um Contratenor.



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Iggy Azealia é uma rapper que normalmente não canta melodicamente. 

Quem nunca ouviu por aí a frase "O cantor de rap fulado..." ou "Ela cantou o rap da música tal..."? Pois então, as duas orações aplicadas de forma descontraída e informal não trazem grandes problemas, mas é imprescindível que pessoas do meio musical saibam que rappers não são cantores e que cantar e fazer rap não é a mesma coisa (Na verdade nem passam perto de ser) e hoje, com argumentos musicais sólidos, mostrarei o porque.



No primeiro tópico é bom demonstrar o que é cantar! Cantar nada mais é do que entoar uma melodia com o auxílio de seu trato vocal... Melodia é uma sucessão de notas em diferentes alturas em andamentos iguais ou diversos variando de acordo com a intenção do compositor, difícil de entender, né? Mas explicarei com exemplos. Uma melodia é um monte de notinhas, mas que não são tocada simultaneamente (Quando são tocadas várias ao mesmo tempo em uma música isso se chama harmonia, e falarei a respeito adiante)... Um bom exemplo de melodia é este áudio de Philippe Jaroussky (O maior e mais famoso Contratenor do século XXI) interpretando acapella a mais famosa ária de Handel, "Lascia Ch'io Pianga", da ópera "Rinaldo" do período Barroco; vejam como ele executa nota após nota em diversas alturas diferentes:



Um melodia por sí só é uma música? Não, música é o conjunto de melodia, harmonia e ritmo e é bom frisar que uma melodia pode ser tocada por um instrumento também, não só pela voz humana (Flauta, píccolo e clarineta são alguns exemplos de instrumentos unicamente melódicos já que só executam uma nota de cada vez, piano já é um instrumento harmônico que pode executar melodias ou acordes complexos, com várias notas ao mesmo tempo). Explicado o que é canto e melodia passaremos agora para o que é um rap! Um rap nada mais é do que um poema rimado (Ou não nas vertentes mais atuais e vanguardistas) com ritmo (Não existe necessidade de melodia para se fazer um rap, o que não significa que um rap não pode ter uma melodia no meio de seus versos como acontece atualmente por diversas vezes, em "Fancy" Iggy Azalea faz o rap e Charli XCX canta a melodia). Nicki Minaj é a mais famosa rapper do momento e o vídeo a seguir é um perfeito exemplo de rap em sua essência (Sem melodia ou harmonia, só o a letra ritmada acapela).



Como podem ver é algo extremamente distinto do exemplo cantado! Rap não é cantar, e sendo executado acapela (Assim como a melodia sendo executada sem uma harmonia "de base") também não é música! Mas calma lá, vamos entrar mais afundo nisso entendendo o que é uma harmonia... A harmonia nada mais é do que um monte de melodias juntinhas resultando na música que você normalmente escuta em casa (Sendo ela erudita ou pop), um exemplo onde fica bem notável várias melodias distintas sendo executadas em uma música (Neste caso uma ária de Delibés chamada "Ou Va La Jeune Hindoue" ou "Bell Song" da ópera "lakmé" do período romântico) com uma orquestra lotada de instrumentos! Vejam como Natalie Dessay (Um dos maiores Sopranos do fim do século passado e início deste) inicia acapella, com uma melodia, e algum tempo depois (A partir de 04:16) vários outros instrumentos (Entre eles violinos, violas, clarinetes, flautas e oboés) tocam ao mesmo tempo produzindo o que chamamos de música!


Isso significa que todos os rapers não são músicos? Não! Como disse anteriormente melodias não são executadas apenas pela voz humana, por mais que tentem, atualmente, nos empurrar só música cantada junto a outros instrumentos, apagando totalmente a magia da música puramente instrumental, pode-se fazer uma harmonia sem a voz de um ser humano se quer. Tendo isso em mente, a música com rap (O nome tecnicamente mais correto a se atribuir a esse tipo de arte) é o que ouvimos com mais frequência atualmente, já que, vários instrumentos (Eletrônicos ou não) estão tocando enquanto o rapper fraseia seu poema!  Vejam como Emicida fraseiam em cima de uma instrumentação riquíssima ao fundo, e entoa de forma ritmada seu poema em cima da música em "Corpo e Alma":



Absolutamente tudo explico podemos partir para os exemplos mais complexos... Um rapper pode cantar? Certamente que pode! Lauryn Hill o fazia a anos atrás e Azealia Banks o faz hodiernamente com maestria. Azealia é cantora e rapper e seu grande sucesso "212" (Propositalmente postado por mim acapella) demonstra sua aptidão para as duas coisas, pois até 1:30 Azealia fraseia e de 1:31 até 2:16 canta melodicamente com sua grave voz de Mezzo-Soprano.



Só para uma rápida recapitulação: Rapper não é cantor, mas pode ser se cantar melodicamente (Nicki Minaj, Azealia Banks, Lauryn Hill, Queen Latifah são exemplos), rap não é música e sim poema ritmado, pode ser entoado com uma música sim (Como acontece nos dias atuais com frequência) e cantar sem harmonia (A não ser que esteja cantando usando do canto polifônico que é coisa para um post futuro) também não é música se não houver harmonia junto a melodia cantada. Mas vamos com moderação para não nos tornamos pessoas chatas, no meio musical é de extrema necessidade saber disso, mas se alguém em uma conversa informal (Até entre músicos) disser que ouviu um "cantor de rap" no programa "X" não existe necessidade de discutir a etimologia de todos os termos musicais existentes, ok? 



14:31 Sávio Alves
Iggy Azealia é uma rapper que normalmente não canta melodicamente. 

Quem nunca ouviu por aí a frase "O cantor de rap fulado..." ou "Ela cantou o rap da música tal..."? Pois então, as duas orações aplicadas de forma descontraída e informal não trazem grandes problemas, mas é imprescindível que pessoas do meio musical saibam que rappers não são cantores e que cantar e fazer rap não é a mesma coisa (Na verdade nem passam perto de ser) e hoje, com argumentos musicais sólidos, mostrarei o porque.



No primeiro tópico é bom demonstrar o que é cantar! Cantar nada mais é do que entoar uma melodia com o auxílio de seu trato vocal... Melodia é uma sucessão de notas em diferentes alturas em andamentos iguais ou diversos variando de acordo com a intenção do compositor, difícil de entender, né? Mas explicarei com exemplos. Uma melodia é um monte de notinhas, mas que não são tocada simultaneamente (Quando são tocadas várias ao mesmo tempo em uma música isso se chama harmonia, e falarei a respeito adiante)... Um bom exemplo de melodia é este áudio de Philippe Jaroussky (O maior e mais famoso Contratenor do século XXI) interpretando acapella a mais famosa ária de Handel, "Lascia Ch'io Pianga", da ópera "Rinaldo" do período Barroco; vejam como ele executa nota após nota em diversas alturas diferentes:



Um melodia por sí só é uma música? Não, música é o conjunto de melodia, harmonia e ritmo e é bom frisar que uma melodia pode ser tocada por um instrumento também, não só pela voz humana (Flauta, píccolo e clarineta são alguns exemplos de instrumentos unicamente melódicos já que só executam uma nota de cada vez, piano já é um instrumento harmônico que pode executar melodias ou acordes complexos, com várias notas ao mesmo tempo). Explicado o que é canto e melodia passaremos agora para o que é um rap! Um rap nada mais é do que um poema rimado (Ou não nas vertentes mais atuais e vanguardistas) com ritmo (Não existe necessidade de melodia para se fazer um rap, o que não significa que um rap não pode ter uma melodia no meio de seus versos como acontece atualmente por diversas vezes, em "Fancy" Iggy Azalea faz o rap e Charli XCX canta a melodia). Nicki Minaj é a mais famosa rapper do momento e o vídeo a seguir é um perfeito exemplo de rap em sua essência (Sem melodia ou harmonia, só o a letra ritmada acapela).



Como podem ver é algo extremamente distinto do exemplo cantado! Rap não é cantar, e sendo executado acapela (Assim como a melodia sendo executada sem uma harmonia "de base") também não é música! Mas calma lá, vamos entrar mais afundo nisso entendendo o que é uma harmonia... A harmonia nada mais é do que um monte de melodias juntinhas resultando na música que você normalmente escuta em casa (Sendo ela erudita ou pop), um exemplo onde fica bem notável várias melodias distintas sendo executadas em uma música (Neste caso uma ária de Delibés chamada "Ou Va La Jeune Hindoue" ou "Bell Song" da ópera "lakmé" do período romântico) com uma orquestra lotada de instrumentos! Vejam como Natalie Dessay (Um dos maiores Sopranos do fim do século passado e início deste) inicia acapella, com uma melodia, e algum tempo depois (A partir de 04:16) vários outros instrumentos (Entre eles violinos, violas, clarinetes, flautas e oboés) tocam ao mesmo tempo produzindo o que chamamos de música!


Isso significa que todos os rapers não são músicos? Não! Como disse anteriormente melodias não são executadas apenas pela voz humana, por mais que tentem, atualmente, nos empurrar só música cantada junto a outros instrumentos, apagando totalmente a magia da música puramente instrumental, pode-se fazer uma harmonia sem a voz de um ser humano se quer. Tendo isso em mente, a música com rap (O nome tecnicamente mais correto a se atribuir a esse tipo de arte) é o que ouvimos com mais frequência atualmente, já que, vários instrumentos (Eletrônicos ou não) estão tocando enquanto o rapper fraseia seu poema!  Vejam como Emicida fraseiam em cima de uma instrumentação riquíssima ao fundo, e entoa de forma ritmada seu poema em cima da música em "Corpo e Alma":



Absolutamente tudo explico podemos partir para os exemplos mais complexos... Um rapper pode cantar? Certamente que pode! Lauryn Hill o fazia a anos atrás e Azealia Banks o faz hodiernamente com maestria. Azealia é cantora e rapper e seu grande sucesso "212" (Propositalmente postado por mim acapella) demonstra sua aptidão para as duas coisas, pois até 1:30 Azealia fraseia e de 1:31 até 2:16 canta melodicamente com sua grave voz de Mezzo-Soprano.



Só para uma rápida recapitulação: Rapper não é cantor, mas pode ser se cantar melodicamente (Nicki Minaj, Azealia Banks, Lauryn Hill, Queen Latifah são exemplos), rap não é música e sim poema ritmado, pode ser entoado com uma música sim (Como acontece nos dias atuais com frequência) e cantar sem harmonia (A não ser que esteja cantando usando do canto polifônico que é coisa para um post futuro) também não é música se não houver harmonia junto a melodia cantada. Mas vamos com moderação para não nos tornamos pessoas chatas, no meio musical é de extrema necessidade saber disso, mas se alguém em uma conversa informal (Até entre músicos) disser que ouviu um "cantor de rap" no programa "X" não existe necessidade de discutir a etimologia de todos os termos musicais existentes, ok? 



quinta-feira, 13 de novembro de 2014


Artista / Banda: Cher.
Classificação Vocal: Mezzo-Soprano - Contralto.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Mezzo-Soprano Lírico - Contralto Lírico.
Alcance Vocal: C3 - F6 (Dó Três – Fá Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 3 Notas.

Alcance Pleno: C3 - D5 (Dó Três - Ré Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas e 1 Nota.

Alcance Controlado: C3 - F6 (Dó Três – Fá Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 3 Notas.

Tessitura Vocal (Especulada): E3 – E5 (Sí Bemol Três – Mí Cinco).
Oitavas:  2 Oitavas.
Gêneros Musicais: Country, Dance Pop, Soul, R&B.

Se esta for sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.


Atualmente com 68 anos de idade, 50 deles de carreira (Em diversas mídias fazendo sucesso e lotando casas), Cher é uma das artistas mais cultuadas e bem sucedidas de todos os tempos. Seu tipo de voz é o mais raro existente dentre os naipes femininos e, suas habilidades vocais e sua estética ao cantar mudou constantemente com o decorrer das tendências e estilos da segunda metade do século XX e primeira do XXI.



Do anos 60, com seu debut nos álbuns "Baby Don't Go" e "All I Really Whant To Do", até o ano de 1974, no álbum "Dark Lady", Cher cantava com brilho na região médio aguda e médio grave. Sua voz estava em maturação neste período de primeira década de sucesso, por isso cantava de forma mais jovial e metálica, passando longe do timbre entubado e grave que a fez parte do hall das vozes mais exóticas de todos os tempos (Sendo inclusive listada por nossa equipe como a quarta voz mais exótica de todos os tempos). A seguir uma das primeiras aparições de Cher na TV com um de seus singles sem seu marido, Sonny Bono, nos anos 60 (Trabalho paralelo á banda Sonny & Cher):




Durante este período Cher se encaixa com exatidão entre os Mezzo-Sopranos. Sua voz entrava na região aguda e grave sem grandes dificuldades (Sem dominar com brilho nenhum dos extremos), sua atitude em palco e aparência física já denotava maturidade feminina e as qualidades deu seu timbre eram facilmente moldáveis (Características mais comuns entre os Mezzo-Sopranos). A vertente lírica desta classificação é a mais adequada a se atribuir á Cher neste período de tempo e esta performance, ao vivo no programa de Televisão dos anos 70 "Sonny & Cher TV Show", de "Gypsys Tramps And Thieves"  demonstra com clareza as qualidades citadas (Sendo seu apogeu nesta classificação):


A "estética" de seu canto mudou significativamente com o passar dos anos, o som mais livre e descompromissado foi a marca dos anos 60 e Cher utilizou desta timbragem no início de sua carreira ao lado de seu antigo conjungi. A posição da língua era mais solta, próxima dos dentes e o som almejado era frontal e metálico (Bem próximo do som do rock clássico nas vozes masculinas). Notem a forma com que Cher canta é próxima da de seu marido, que na época era tenor:


A estrutura corporal de Cher sempre foi a próxima da dita padrão entre os Contraltos: Mulher alta, esguia e de feições que não inspiravam inocência ou passividade. Com 1,74 de altura sua boa forma sempre surpreendeu a todos; com um exótico biotipo que se deve a sua descendência armênia (Pai) e cherokee (Mãe). Neste vídeo (Já na fase Contralto de Cher) seus atributos físicos ficam em evidência:


Expostas suas habilidades e particularidades vocais em seu tempo de juventude (1964 - 1975) vamos ao período em que Cher amadurece, evolui e se consolida no naipe feminino mais raro existente, Contralto. Sua voz tornou-se entubada, escura, mais grave e aveludada na metade dos anos 70, com um timbre que parecia desafiar as leis do possível com uma coloração quente (Confortante, delicada, redonda e macia) e ao mesmo tempo imponente, madura e exótica. 


A segunda metade dos anos 70 foi o ponto culminante da transição vocal de Cher. Em 1976 a timbragem de Contralto já não se confundia mais com a de Mezzo-Soprano e deixava explícita a maturação de sua voz. O sucesso "Love Husts" (Neste vídeo sendo interpretado em 76) é um perfeito exemplo, ao vivo, do timbre de Cher em máxima maturação e ponto mais alto de sua técnica, coisa esta que pouco acontece com as interpretes atuais, que perdem a carreira com menos de 15 anos de estrada. 


Contralto Lírico é a classificação fach mais adequada a se atribuir as qualidades vocais de Cher caso esta fosse uma interprete erudita. Sua voz dispõem de tom andrógeno, escuro, quente (Dentro das proporções do naipe ao qual se encaixa); dispõem  também de uma gama controlada grandiosa, bem proveitosa e dispõe de tom maduro e lacrimoso. Outras qualidades que valem a pena serem citadas são os ganhos que a técnica de Cher adquiriu com as décadas de carreira... Seu vibrato se tornou mais rápido e presente, suas notas agudas e médio agudas utilizam com mais frequência de quebras intencionais de registros, sua canto deixou de ser tão frontal e adotou uma estética diferente até mesmo no fraseado (A posição da língua agora é mais próxima do palato).


Se engana quem pensa que Cher foi tomada pela presbifonia e hoje não tem mais energia para encarar seu repertório. Mesmo interpretando canções que exigem notas agudas em voz de peito Cher consegue as executar com volume considerável, ostentando, é claro, um som mais  andrógeno e escuro do que o de seu auge vocal no naipe dos Contraltos. Para demonstrar o que digo escolhi, de propósito, uma performance ao vivo, deste ano, que considero mediana (Tecnicamente falando) segundo o padrão da analisada, para demonstrar seu atual quadro vocal. Reparem como ela se dá bem com uma canção tão pesada errando somente em 2:10 min:


Agora uma performance perfeito dos dias atuais mesmo com uma canção composta para sua voz próxima do ponto máximo de qualidade (Anos 90). Aqui, sem nenhum erro aparente, Cher interpreta uma de suas canções mais famosas e memoráveis de forma primorosa:


Pontos Negativos

O maior pravo na técnica de Cher durante sua fase de jovem Mezzo-Soprano com certeza era a limitação que a timbragem de sua voz dispunha, já que seu canto não explorava nada mais que sua voz de peito em região confortável. O som de seu timbre não se encaixava fora do rock e country antes de sua maturação vocal (O que com certeza é um aspecto subjetivo, mas levaremos em conta o padrão neste momento).


Vocal Ranges


09:34 Sávio Alves

Artista / Banda: Cher.
Classificação Vocal: Mezzo-Soprano - Contralto.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Mezzo-Soprano Lírico - Contralto Lírico.
Alcance Vocal: C3 - F6 (Dó Três – Fá Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 3 Notas.

Alcance Pleno: C3 - D5 (Dó Três - Ré Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas e 1 Nota.

Alcance Controlado: C3 - F6 (Dó Três – Fá Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 3 Notas.

Tessitura Vocal (Especulada): E3 – E5 (Sí Bemol Três – Mí Cinco).
Oitavas:  2 Oitavas.
Gêneros Musicais: Country, Dance Pop, Soul, R&B.

Se esta for sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.


Atualmente com 68 anos de idade, 50 deles de carreira (Em diversas mídias fazendo sucesso e lotando casas), Cher é uma das artistas mais cultuadas e bem sucedidas de todos os tempos. Seu tipo de voz é o mais raro existente dentre os naipes femininos e, suas habilidades vocais e sua estética ao cantar mudou constantemente com o decorrer das tendências e estilos da segunda metade do século XX e primeira do XXI.



Do anos 60, com seu debut nos álbuns "Baby Don't Go" e "All I Really Whant To Do", até o ano de 1974, no álbum "Dark Lady", Cher cantava com brilho na região médio aguda e médio grave. Sua voz estava em maturação neste período de primeira década de sucesso, por isso cantava de forma mais jovial e metálica, passando longe do timbre entubado e grave que a fez parte do hall das vozes mais exóticas de todos os tempos (Sendo inclusive listada por nossa equipe como a quarta voz mais exótica de todos os tempos). A seguir uma das primeiras aparições de Cher na TV com um de seus singles sem seu marido, Sonny Bono, nos anos 60 (Trabalho paralelo á banda Sonny & Cher):




Durante este período Cher se encaixa com exatidão entre os Mezzo-Sopranos. Sua voz entrava na região aguda e grave sem grandes dificuldades (Sem dominar com brilho nenhum dos extremos), sua atitude em palco e aparência física já denotava maturidade feminina e as qualidades deu seu timbre eram facilmente moldáveis (Características mais comuns entre os Mezzo-Sopranos). A vertente lírica desta classificação é a mais adequada a se atribuir á Cher neste período de tempo e esta performance, ao vivo no programa de Televisão dos anos 70 "Sonny & Cher TV Show", de "Gypsys Tramps And Thieves"  demonstra com clareza as qualidades citadas (Sendo seu apogeu nesta classificação):


A "estética" de seu canto mudou significativamente com o passar dos anos, o som mais livre e descompromissado foi a marca dos anos 60 e Cher utilizou desta timbragem no início de sua carreira ao lado de seu antigo conjungi. A posição da língua era mais solta, próxima dos dentes e o som almejado era frontal e metálico (Bem próximo do som do rock clássico nas vozes masculinas). Notem a forma com que Cher canta é próxima da de seu marido, que na época era tenor:


A estrutura corporal de Cher sempre foi a próxima da dita padrão entre os Contraltos: Mulher alta, esguia e de feições que não inspiravam inocência ou passividade. Com 1,74 de altura sua boa forma sempre surpreendeu a todos; com um exótico biotipo que se deve a sua descendência armênia (Pai) e cherokee (Mãe). Neste vídeo (Já na fase Contralto de Cher) seus atributos físicos ficam em evidência:


Expostas suas habilidades e particularidades vocais em seu tempo de juventude (1964 - 1975) vamos ao período em que Cher amadurece, evolui e se consolida no naipe feminino mais raro existente, Contralto. Sua voz tornou-se entubada, escura, mais grave e aveludada na metade dos anos 70, com um timbre que parecia desafiar as leis do possível com uma coloração quente (Confortante, delicada, redonda e macia) e ao mesmo tempo imponente, madura e exótica. 


A segunda metade dos anos 70 foi o ponto culminante da transição vocal de Cher. Em 1976 a timbragem de Contralto já não se confundia mais com a de Mezzo-Soprano e deixava explícita a maturação de sua voz. O sucesso "Love Husts" (Neste vídeo sendo interpretado em 76) é um perfeito exemplo, ao vivo, do timbre de Cher em máxima maturação e ponto mais alto de sua técnica, coisa esta que pouco acontece com as interpretes atuais, que perdem a carreira com menos de 15 anos de estrada. 


Contralto Lírico é a classificação fach mais adequada a se atribuir as qualidades vocais de Cher caso esta fosse uma interprete erudita. Sua voz dispõem de tom andrógeno, escuro, quente (Dentro das proporções do naipe ao qual se encaixa); dispõem  também de uma gama controlada grandiosa, bem proveitosa e dispõe de tom maduro e lacrimoso. Outras qualidades que valem a pena serem citadas são os ganhos que a técnica de Cher adquiriu com as décadas de carreira... Seu vibrato se tornou mais rápido e presente, suas notas agudas e médio agudas utilizam com mais frequência de quebras intencionais de registros, sua canto deixou de ser tão frontal e adotou uma estética diferente até mesmo no fraseado (A posição da língua agora é mais próxima do palato).


Se engana quem pensa que Cher foi tomada pela presbifonia e hoje não tem mais energia para encarar seu repertório. Mesmo interpretando canções que exigem notas agudas em voz de peito Cher consegue as executar com volume considerável, ostentando, é claro, um som mais  andrógeno e escuro do que o de seu auge vocal no naipe dos Contraltos. Para demonstrar o que digo escolhi, de propósito, uma performance ao vivo, deste ano, que considero mediana (Tecnicamente falando) segundo o padrão da analisada, para demonstrar seu atual quadro vocal. Reparem como ela se dá bem com uma canção tão pesada errando somente em 2:10 min:


Agora uma performance perfeito dos dias atuais mesmo com uma canção composta para sua voz próxima do ponto máximo de qualidade (Anos 90). Aqui, sem nenhum erro aparente, Cher interpreta uma de suas canções mais famosas e memoráveis de forma primorosa:


Pontos Negativos

O maior pravo na técnica de Cher durante sua fase de jovem Mezzo-Soprano com certeza era a limitação que a timbragem de sua voz dispunha, já que seu canto não explorava nada mais que sua voz de peito em região confortável. O som de seu timbre não se encaixava fora do rock e country antes de sua maturação vocal (O que com certeza é um aspecto subjetivo, mas levaremos em conta o padrão neste momento).


Vocal Ranges


terça-feira, 28 de outubro de 2014


Artista / Banda: Ailee.
Classificação Vocal: Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Jovem Soprano Lírico.
Alcance Vocal: D3 - F6 (Ré Três – Fá Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 2 Notas.

Alcance Pleno: D3 - B5 (Ré Três - SíCinco).
Oitavas: 2 Oitavas e 5 Notas.

Alcance Controlado: D3 - F6 (Ré Três – Fá Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 2 Notas.

Tessitura Vocal (Especulada): Bb3 – A5 (Sí Bemol Três – Lá Cinco).
Oitavas:  1 Oitava, 6 Notas e 1 Semitom.
Gêneros Musicais: Pop, R&B, Soul.

Nota mais aguda em Belting/Mix: A5 (Lá Cinco).

Se esta for sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.


Hoje analisaremos a cantora que ostenta, por atribuição popular, o título de melhor vocalista do Kpop. Ailee é um jovem Soprano estadunidense de raízes coreanas que, com uma voz de timbragem cheia para uma  moça de voz leve, conquistou uma região do oriente onde vozes passivas ao extremo dominam a indústria da música, tanto por questões fisiológicas da grande maioria da população como pela cultura do país.



O timbre de Ailee é naturalmente delicado, quente, redondo e brilhante, tendo como destaque a região média aguda em voz mista. Por conta de seu treinamento vocal e intenções artísticas, sua voz é trabalhada de forma com que a suavidade não se estinga, mas fique em segundo plano em suas performances ao vivo, almejando trazer o som típico de um Soprano maduro para uma voz mais leve e de acuidade mais natural. Nesta performance de
"My Grown Up Christmas List" as características de seu timbre ficam evidentes, sem grandes espetáculos, figurinos extravagantes ou pressão com grande público, deixando claro que sua instrumento é naturalmente pequeno e não robusto como se pensa:



Seu registro grave, assim como o de praticamente todos os Jovens Sopranos, é Soproso abaixo do Bb central. O som é de baixa emissão e a articulação torna-se de difícil compreensão nas notas exploradas fora de sua tessitura. Esta 'falta de habilidade' no controle e emissão é totalmente compreensível, porém o repertório interpretado por Ailee, fora do Kpop, pede uma região média aguda e grave sólida, já que o R&B é um estilo pesado se comparado ao Pop convencional. 


Seu desempenho vocal ao vivo é ótimo, desde que Ailee se mantenha em sua região de conforto poucos detalhes técnicos podem deixar sua performance menos primorosa. Um dos empecilhos que a afastam da tão sonhada perfeição é dificuldade em executar escalas de melismas rápidas em voz mista em uma região desconfortável, seu senso de musicalidade pode pecar ou faz com que esta tenha que executar seus ornamentos mais elaborados de forma corrida e quase fora do tempo (Deixando claro que tais acontecimentos são isolados).


Vocalistas de música Pop não dispõe de classificações vocais (Fach), porém, utilizar este sistema primoroso, que já existe a muito tempo, para melhor separar vocalistas é algo comodo, visando melhor entender as vozes em geral. Pelo exposto fica evidente que Ailee é um Soprano habilidoso que tentar soar de forma grandiosa por conta de suas intenções artísticas, mas enquadrando sua voz sem este artifícios a classificação de Jovem Soprano Lírico é a mais adequada a lhe atribuir.


Como podem ver na performance acima, sua voz soa "grandiosa" e mais "ressonante", contrastando bastante com a do Soprano (Que inclusive dispõem do mesmo tipo de voz, porém canta de forma mais livre) que canta a seu lado, porém esta timbragem não reflete a real coloração de seu timbre.


Pontos Negativos

Sua voz apresenta sobrepeso na execução de notas agudas, produzindo um som desnecessariamente forte que aparentemente tentar forçar um timbre de maior magnitude que seu natural (Registro agudo torna-se tenso).

Sua região grave (Fora de sua tessitura) é pouco desenvolvida. Ailee, mesmo com um registro grave pouco proveitoso para entoar uma canção que exige uma considerável quantidade de sucessivas notas graves fora da tessitura do Soprano leve (Abaixo do B3), tenta levar, mesmo que de forma defasada e soprosa, as frases melódicas com evidente ofegância e dificuldade. Sua interpretação de "Someone Like You", que originalmente é interpretada por um Mezzo-Soprano de voz pesada, é um bom exemplo da dificuldade citada:


Vocal Ranges


16:06 Sávio Alves

Artista / Banda: Ailee.
Classificação Vocal: Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Jovem Soprano Lírico.
Alcance Vocal: D3 - F6 (Ré Três – Fá Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 2 Notas.

Alcance Pleno: D3 - B5 (Ré Três - SíCinco).
Oitavas: 2 Oitavas e 5 Notas.

Alcance Controlado: D3 - F6 (Ré Três – Fá Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 2 Notas.

Tessitura Vocal (Especulada): Bb3 – A5 (Sí Bemol Três – Lá Cinco).
Oitavas:  1 Oitava, 6 Notas e 1 Semitom.
Gêneros Musicais: Pop, R&B, Soul.

Nota mais aguda em Belting/Mix: A5 (Lá Cinco).

Se esta for sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.


Hoje analisaremos a cantora que ostenta, por atribuição popular, o título de melhor vocalista do Kpop. Ailee é um jovem Soprano estadunidense de raízes coreanas que, com uma voz de timbragem cheia para uma  moça de voz leve, conquistou uma região do oriente onde vozes passivas ao extremo dominam a indústria da música, tanto por questões fisiológicas da grande maioria da população como pela cultura do país.



O timbre de Ailee é naturalmente delicado, quente, redondo e brilhante, tendo como destaque a região média aguda em voz mista. Por conta de seu treinamento vocal e intenções artísticas, sua voz é trabalhada de forma com que a suavidade não se estinga, mas fique em segundo plano em suas performances ao vivo, almejando trazer o som típico de um Soprano maduro para uma voz mais leve e de acuidade mais natural. Nesta performance de
"My Grown Up Christmas List" as características de seu timbre ficam evidentes, sem grandes espetáculos, figurinos extravagantes ou pressão com grande público, deixando claro que sua instrumento é naturalmente pequeno e não robusto como se pensa:



Seu registro grave, assim como o de praticamente todos os Jovens Sopranos, é Soproso abaixo do Bb central. O som é de baixa emissão e a articulação torna-se de difícil compreensão nas notas exploradas fora de sua tessitura. Esta 'falta de habilidade' no controle e emissão é totalmente compreensível, porém o repertório interpretado por Ailee, fora do Kpop, pede uma região média aguda e grave sólida, já que o R&B é um estilo pesado se comparado ao Pop convencional. 


Seu desempenho vocal ao vivo é ótimo, desde que Ailee se mantenha em sua região de conforto poucos detalhes técnicos podem deixar sua performance menos primorosa. Um dos empecilhos que a afastam da tão sonhada perfeição é dificuldade em executar escalas de melismas rápidas em voz mista em uma região desconfortável, seu senso de musicalidade pode pecar ou faz com que esta tenha que executar seus ornamentos mais elaborados de forma corrida e quase fora do tempo (Deixando claro que tais acontecimentos são isolados).


Vocalistas de música Pop não dispõe de classificações vocais (Fach), porém, utilizar este sistema primoroso, que já existe a muito tempo, para melhor separar vocalistas é algo comodo, visando melhor entender as vozes em geral. Pelo exposto fica evidente que Ailee é um Soprano habilidoso que tentar soar de forma grandiosa por conta de suas intenções artísticas, mas enquadrando sua voz sem este artifícios a classificação de Jovem Soprano Lírico é a mais adequada a lhe atribuir.


Como podem ver na performance acima, sua voz soa "grandiosa" e mais "ressonante", contrastando bastante com a do Soprano (Que inclusive dispõem do mesmo tipo de voz, porém canta de forma mais livre) que canta a seu lado, porém esta timbragem não reflete a real coloração de seu timbre.


Pontos Negativos

Sua voz apresenta sobrepeso na execução de notas agudas, produzindo um som desnecessariamente forte que aparentemente tentar forçar um timbre de maior magnitude que seu natural (Registro agudo torna-se tenso).

Sua região grave (Fora de sua tessitura) é pouco desenvolvida. Ailee, mesmo com um registro grave pouco proveitoso para entoar uma canção que exige uma considerável quantidade de sucessivas notas graves fora da tessitura do Soprano leve (Abaixo do B3), tenta levar, mesmo que de forma defasada e soprosa, as frases melódicas com evidente ofegância e dificuldade. Sua interpretação de "Someone Like You", que originalmente é interpretada por um Mezzo-Soprano de voz pesada, é um bom exemplo da dificuldade citada:


Vocal Ranges


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Farinelli, o mais famoso Castrati de todos os tempos. 
Hoje falaremos de uma voz que não mais existe... Os castrati, considerados "as primeiras divas", que foram os maiores e mais perfeitamente técnicos cantores de todos os tempos. Estes exímios cantores, por volta do século XVI (Meados do Barroco) até o XIX (Romântico), passavam por um processo cirúrgico, que consistia na retirada do interior do saco escrotal e substituição por esferas artificiais, na infância (8 ou 9 anos de idade), ou no mais tardar pré-adolescência (11 anos de idade), para a conservação da acuidade da voz, que era próxima da feminina, porém mais ágil, moldável, extensa (Em oitavas) e apta a repertórios de laborioso nível técnico.

Não só na música homens castrados eram extremamente bem sucedidos, em diversas áreas de atuação eram poderosos e muito presados, sobretudo na política. Até quando escravos eram extremamente bem tratados e educados, com enormes possibilidades de inserção no meio social, podem inclusive ultrapassar, em termos de poder, seus antigos donos.  "A grande vantagem dos eunucos era sua incapacidade de procriar, o que significava que nunca seriam impulsionados por ambições a favor de seus filhos. Isolados de suas famílias, que nunca poderia entrar no palácio, eles se voltavam [dedicavam] ao imperador como a família que nunca teriam. Por estas razões, eles pareciam mais confiáveis em assuntos de Estado." (Abbott, 1999, Apud Sowle, 2006, p.8). "Educados desde muito cedo em escolas ou conventos, despojados de laços afetivos ou familiares, os eunucos constituíram um grupo social estável e confiável, eram tidos como fiéis servidores no império Bizantino e depois ganharam as cortes muçulmanas, principalmente na Península Ibérica e na Itália" (Ringrose, 2007, p.501; Ruciman, 1961, p.169; Scholz, 2001, p. 198).

Existiram diversas motivações para a castração ao longo da história mundial, tais como: Vingança, demonstração de poder, punições arbitrárias ou não, motivação musical, médica e religiosa. No caso dos Castrati a motivação era sobretudo religiosa e musical.



Mulheres, por conta de uma interpretação da igreja católica de uma epístola de Paulo, não podiam cantar ou falar nas igrejas, por esta razão, conforme a música evoluía e vozes mais maleáveis e agudas pedia, procurava-se equivalentes a estas. Meninos cantores eram utilizados para suprir a falta das mulheres, porém não se podia contar com grande virtuosismo com crianças tão jovens, que quando começavam a ganhar o nivelamento técnico exigido mudavam de voz (Próximo dos 13 aos 16 anos de idade) e deixavam de ser proveitosos a igreja. Falsetistas (Contratenores não naturais, utilizadores do falsete) também foram utilizados, mas o timbre era muito distante do que se pedia e a tessitura geralmente não passava muito a do Tenor, tornando difícil a execução de ornamentações na região da quinta e sexta oitava.

Descobriu-se com o tempo que meninos castrados (Geralmente por motivações médicas) mantinham ao longo da vida a tessitura no registro das vozes femininas, com um desenvolvimento muito superior da caixa torácica (Tendo mais ar para gastar e um laringe pequena o escoando, para enfrentar gigantescos leggatos unidos a coloraturas virtuosas ) e a vantagem  de, obviamente, não serem proibidos de cantarem nas igrejas. A partir daqui a castração torna-se um fenômeno com motivações musicais e religiosas. A cirurgia em si não tornava o interprete um cantor excelente, mas o treinamento imposto a estes, somado as vantagens de capacidade de armazenamento de ar superior a vozes comuns com escape menor por conta da laringe pequena, mais alta e próxima da feminina e infantil, fazia o conjunto mais perfeito, e ao mesmo tempo perverso, que a música mundial já conheceu.

Da esquerda para direita, Farinelli, Francesca Cuzzoni e Senesino (três dos mais famosos interpretes do Barroco) e uma criança ao fundoem cena. A grande estatura dos Castrati se dava, para muitos musicólogos, por conta do desequilíbrio dos hormônios dos mesmos, que eram extremamente altos e tinham pouca ou nenhuma pelugem.


Como a igreja tinha extremo poder na época, convenciam-se os pais de talentosos meninos pobres a darem sua prole à orfanatos e permitirem a mutilação das crianças em prol dos desejos da instituição, que prometia aos progenitores um futuro de prosperidade a sua criança. De certo modo era garantido o sucesso dos castrati, mesmo que por eventuais causas perdessem a voz, era lhes ensinado outro ofício, tais como: regência, composição, instrumento, canto (Na região do Contralto) ou algo ligado a igreja e ou política, mas o contato com os pais era perdido, traumas emocionais fortíssimos por conta da mutilação não eram raros de se acontecer e perda da infância em prol de treinos (Que muitas vezes ultrapassavam as 12 horas diárias) eram fatores que muitas vezes eram omitidos e ou não levados em consideração na hora de tomar a decisão da castração.

Nos orfanatos aos quais eram "acolhidos", o treinamento dos Castrati já começava algumas semanas após a cirurgia. Eram bem tratados nestas instituições (Acreditavam que eram mais frágeis que as crianças normais) e nelas encontravam abrigo até a idade dos 12 anos. Mesmo jovens, já eram instruídos a interpretarem composições com níveis técnicos hoje em dia considerados extremos, "Laudate pueri Dominum" é um bom exemplo:



Sua educação girava em torno da igreja, por conta disso: missas, confissões e cultuamentos ao deus cristão era algo obrigatório e recorrente, tendo mais da metade de seu repertório baseado nestas crenças, mas também aprendiam línguas, composição, cravo e teoria musical (Nicola Porpora era o mais famoso professor de canto da época e foi responsável por desenvolver a voz de vários Castrati).

Luigi Marchesi, Castrati famoso por seus improvisos marcantes. 

Quando atingiam a idade adulta já não mais ficavam presos a igreja e podiam, literalmente, brilhar Europa a fora, com garantia de sucesso nas cortes e, mais ao fim do Barroco, nas casas de ópera. Farinelli foi o mais famoso e rico Castrati de todos os tempos e, nos anos 90, ganhou um filme que revolucionou a história da música por unir, em estúdio, a voz de um Soprano Lírico Coloratura e a de um Contratenor Contralto (Não natural), a fim de reproduzir algo próximo o som dos maiores cantores de todos os tempos. Um ator dubla a união de vozes, mas vejam algo próximo do real:


Como podem ver, o virtuosismo é absurdo e por conta da liberdade que o Barroco da ao interprete nas ornamentações é mostrado também o costume que se tinha em criar sua própria coloratura além da criada pelo compositor. Aqui pode ser conferido, ao vivo, como tentaram reproduzir o timbre da voz do Castrati no filme Farinelli, vejam como dois cantores, na época, exímios, com custo, se juntam para fazer algo que era comum de um Castrati:



Até aqui já fica explícito o porque os Castrati são lembrados como os melhores cantores que já pisaram na face da terra, mas pouco se fala que existe sim exemplos reais da voz do Castrati. Alessandro Moreschi é famoso como "O último Castrato" e de fato foi, porém não foi Castrado para questões musicais (Um médico o castrou aos 13 anos de idade, idade considerada tardia, por problemas de saúde e em seu tempo a castração já havia sido proibida por um Papa), tão pouco recebeu o treinamento extremamente árduo dos "deuses do Barroco"... Só isso já seria o suficiente para perder as esperanças de se ouvir algo próximo do padrão máximo de qualidade técnica de um Castrati do Barroco, mas existem 3 agravantes gigantescos como a idade extremamente avançada, na época das gravações, a falta de talento natural de Moreschi e o fato do mesmo ter desenvolvido anos antes uma doença terminal que destruiu sua voz, nos deixando áudios que não mostram seu melhor, quiçá o melhor dos antigos cantores.



Atualmente não existem mais Castrati, por esta razão Contratenores e Mezzo-Sopranos são os cantores mais recomendáveis e aptos a interpretar seu repertório extremamente rico e virtuosos.  Cecilia Bartoli é um bom exemplo de cantora que consegue, ao vivo, interpretar uma ária escrita para Castrati (Farinelli), sendo esta uma das músicas mais difíceis do mundo de serem interpretadas, tamanha a agilidade exigida.



Por terem um registro grave robusto e um superior delicado e ágil, cantoras de voz híbrida como Bartoli e Contratenores com registro grave robusto são interessantes na interpretação de peças para Castrati de voz média e grave, enquanto vozes delicadas e agudas como a de Radu Marian (Contratenor natural, que não faz uso do falsete para cantar) se destacam em peças mais emotivas, que exploram menos a região grave.

10:02 Sávio Alves
Farinelli, o mais famoso Castrati de todos os tempos. 
Hoje falaremos de uma voz que não mais existe... Os castrati, considerados "as primeiras divas", que foram os maiores e mais perfeitamente técnicos cantores de todos os tempos. Estes exímios cantores, por volta do século XVI (Meados do Barroco) até o XIX (Romântico), passavam por um processo cirúrgico, que consistia na retirada do interior do saco escrotal e substituição por esferas artificiais, na infância (8 ou 9 anos de idade), ou no mais tardar pré-adolescência (11 anos de idade), para a conservação da acuidade da voz, que era próxima da feminina, porém mais ágil, moldável, extensa (Em oitavas) e apta a repertórios de laborioso nível técnico.

Não só na música homens castrados eram extremamente bem sucedidos, em diversas áreas de atuação eram poderosos e muito presados, sobretudo na política. Até quando escravos eram extremamente bem tratados e educados, com enormes possibilidades de inserção no meio social, podem inclusive ultrapassar, em termos de poder, seus antigos donos.  "A grande vantagem dos eunucos era sua incapacidade de procriar, o que significava que nunca seriam impulsionados por ambições a favor de seus filhos. Isolados de suas famílias, que nunca poderia entrar no palácio, eles se voltavam [dedicavam] ao imperador como a família que nunca teriam. Por estas razões, eles pareciam mais confiáveis em assuntos de Estado." (Abbott, 1999, Apud Sowle, 2006, p.8). "Educados desde muito cedo em escolas ou conventos, despojados de laços afetivos ou familiares, os eunucos constituíram um grupo social estável e confiável, eram tidos como fiéis servidores no império Bizantino e depois ganharam as cortes muçulmanas, principalmente na Península Ibérica e na Itália" (Ringrose, 2007, p.501; Ruciman, 1961, p.169; Scholz, 2001, p. 198).

Existiram diversas motivações para a castração ao longo da história mundial, tais como: Vingança, demonstração de poder, punições arbitrárias ou não, motivação musical, médica e religiosa. No caso dos Castrati a motivação era sobretudo religiosa e musical.



Mulheres, por conta de uma interpretação da igreja católica de uma epístola de Paulo, não podiam cantar ou falar nas igrejas, por esta razão, conforme a música evoluía e vozes mais maleáveis e agudas pedia, procurava-se equivalentes a estas. Meninos cantores eram utilizados para suprir a falta das mulheres, porém não se podia contar com grande virtuosismo com crianças tão jovens, que quando começavam a ganhar o nivelamento técnico exigido mudavam de voz (Próximo dos 13 aos 16 anos de idade) e deixavam de ser proveitosos a igreja. Falsetistas (Contratenores não naturais, utilizadores do falsete) também foram utilizados, mas o timbre era muito distante do que se pedia e a tessitura geralmente não passava muito a do Tenor, tornando difícil a execução de ornamentações na região da quinta e sexta oitava.

Descobriu-se com o tempo que meninos castrados (Geralmente por motivações médicas) mantinham ao longo da vida a tessitura no registro das vozes femininas, com um desenvolvimento muito superior da caixa torácica (Tendo mais ar para gastar e um laringe pequena o escoando, para enfrentar gigantescos leggatos unidos a coloraturas virtuosas ) e a vantagem  de, obviamente, não serem proibidos de cantarem nas igrejas. A partir daqui a castração torna-se um fenômeno com motivações musicais e religiosas. A cirurgia em si não tornava o interprete um cantor excelente, mas o treinamento imposto a estes, somado as vantagens de capacidade de armazenamento de ar superior a vozes comuns com escape menor por conta da laringe pequena, mais alta e próxima da feminina e infantil, fazia o conjunto mais perfeito, e ao mesmo tempo perverso, que a música mundial já conheceu.

Da esquerda para direita, Farinelli, Francesca Cuzzoni e Senesino (três dos mais famosos interpretes do Barroco) e uma criança ao fundoem cena. A grande estatura dos Castrati se dava, para muitos musicólogos, por conta do desequilíbrio dos hormônios dos mesmos, que eram extremamente altos e tinham pouca ou nenhuma pelugem.


Como a igreja tinha extremo poder na época, convenciam-se os pais de talentosos meninos pobres a darem sua prole à orfanatos e permitirem a mutilação das crianças em prol dos desejos da instituição, que prometia aos progenitores um futuro de prosperidade a sua criança. De certo modo era garantido o sucesso dos castrati, mesmo que por eventuais causas perdessem a voz, era lhes ensinado outro ofício, tais como: regência, composição, instrumento, canto (Na região do Contralto) ou algo ligado a igreja e ou política, mas o contato com os pais era perdido, traumas emocionais fortíssimos por conta da mutilação não eram raros de se acontecer e perda da infância em prol de treinos (Que muitas vezes ultrapassavam as 12 horas diárias) eram fatores que muitas vezes eram omitidos e ou não levados em consideração na hora de tomar a decisão da castração.

Nos orfanatos aos quais eram "acolhidos", o treinamento dos Castrati já começava algumas semanas após a cirurgia. Eram bem tratados nestas instituições (Acreditavam que eram mais frágeis que as crianças normais) e nelas encontravam abrigo até a idade dos 12 anos. Mesmo jovens, já eram instruídos a interpretarem composições com níveis técnicos hoje em dia considerados extremos, "Laudate pueri Dominum" é um bom exemplo:



Sua educação girava em torno da igreja, por conta disso: missas, confissões e cultuamentos ao deus cristão era algo obrigatório e recorrente, tendo mais da metade de seu repertório baseado nestas crenças, mas também aprendiam línguas, composição, cravo e teoria musical (Nicola Porpora era o mais famoso professor de canto da época e foi responsável por desenvolver a voz de vários Castrati).

Luigi Marchesi, Castrati famoso por seus improvisos marcantes. 

Quando atingiam a idade adulta já não mais ficavam presos a igreja e podiam, literalmente, brilhar Europa a fora, com garantia de sucesso nas cortes e, mais ao fim do Barroco, nas casas de ópera. Farinelli foi o mais famoso e rico Castrati de todos os tempos e, nos anos 90, ganhou um filme que revolucionou a história da música por unir, em estúdio, a voz de um Soprano Lírico Coloratura e a de um Contratenor Contralto (Não natural), a fim de reproduzir algo próximo o som dos maiores cantores de todos os tempos. Um ator dubla a união de vozes, mas vejam algo próximo do real:


Como podem ver, o virtuosismo é absurdo e por conta da liberdade que o Barroco da ao interprete nas ornamentações é mostrado também o costume que se tinha em criar sua própria coloratura além da criada pelo compositor. Aqui pode ser conferido, ao vivo, como tentaram reproduzir o timbre da voz do Castrati no filme Farinelli, vejam como dois cantores, na época, exímios, com custo, se juntam para fazer algo que era comum de um Castrati:



Até aqui já fica explícito o porque os Castrati são lembrados como os melhores cantores que já pisaram na face da terra, mas pouco se fala que existe sim exemplos reais da voz do Castrati. Alessandro Moreschi é famoso como "O último Castrato" e de fato foi, porém não foi Castrado para questões musicais (Um médico o castrou aos 13 anos de idade, idade considerada tardia, por problemas de saúde e em seu tempo a castração já havia sido proibida por um Papa), tão pouco recebeu o treinamento extremamente árduo dos "deuses do Barroco"... Só isso já seria o suficiente para perder as esperanças de se ouvir algo próximo do padrão máximo de qualidade técnica de um Castrati do Barroco, mas existem 3 agravantes gigantescos como a idade extremamente avançada, na época das gravações, a falta de talento natural de Moreschi e o fato do mesmo ter desenvolvido anos antes uma doença terminal que destruiu sua voz, nos deixando áudios que não mostram seu melhor, quiçá o melhor dos antigos cantores.



Atualmente não existem mais Castrati, por esta razão Contratenores e Mezzo-Sopranos são os cantores mais recomendáveis e aptos a interpretar seu repertório extremamente rico e virtuosos.  Cecilia Bartoli é um bom exemplo de cantora que consegue, ao vivo, interpretar uma ária escrita para Castrati (Farinelli), sendo esta uma das músicas mais difíceis do mundo de serem interpretadas, tamanha a agilidade exigida.



Por terem um registro grave robusto e um superior delicado e ágil, cantoras de voz híbrida como Bartoli e Contratenores com registro grave robusto são interessantes na interpretação de peças para Castrati de voz média e grave, enquanto vozes delicadas e agudas como a de Radu Marian (Contratenor natural, que não faz uso do falsete para cantar) se destacam em peças mais emotivas, que exploram menos a região grave.

domingo, 19 de outubro de 2014


Andrógenos, poderoso e extremamente maduros, os Contraltos estão no hall de vozes mais raras do mundo, sendo a classificação feminina mais rara existente. Aqui estão listadas as características da mais grave voz feminina, com exemplificações no canto popular e erudito.

Em coro, normalmente nunca se encontram Contraltos. As interpretes que nesta classificação vocal atuam com verdadeira maestria e poder são, quase sempre, mulheres muito maduras, com muitos anos de carreira e não são facilmente encontradas para cantar a linha que lhes foi designada. Por conta deste infortúnio pouco se escreve para Contraltos na ópera, então Mezzo-Sopranos, Contratenores ou (Em casos mais raros) Soprano com aptidão a notas graves, cantam suas partes em músicas de coro. Neste primeiro exemplo, Ekaterina Gubanova,  um Mezzo-Soprano Dramático que canta peças para Contralto e desenvolve sua voz para tal repertório:


Em coros, ao contrário das vozes mais agudas anteriormente citadas, não se dividem Contraltos entre 1 e 2, pois normalmente quem suas linhas canta são Mezzo-Sopranos. Alguns Contraltos são tão graves que quebram a sintonia das vozes femininas e são remanejadas a cantar junto aos tenores em coros pequenos e médio. Um bom exemplo de Contralto que cantaria no naipe masculino por conta de sua rica e gravíssima voz é Zarah Leander.


É importante deixar claro: as subclassificações vocais, tanto dos Contraltos quanto dos outros naipes vocais, são exclusivas do canto erudito e não se aplicam de forma eficaz ao canto popular. Aqui estão resumidos todos os tipos de Contralto, clicando nos nomes em rosa você será redimensionado a outra página com maiores explicações sobre, com exemplos em vídeo.




Contraltos Coloratura: Vozes ágeis, mais leves que suas vertentes "puras" e com aptidão a notas estratosfericamente graves e agudas, podendo inclusive adentrar a região aguda do Soprano e do tenor em seu alcance pleno totalizado.

Contraltos Líricos: Quente e brilhante voz de Contralto com grande afinidade com leggatos belos e repertório entoados em andamentos menos velozes.

Contraltos Profundos (Dramáticos): Mais andrógena e grave voz feminina existente. Extremamente volumosa, encorpada e madura. Nenhum fach feminino é tão raro como este.

Algumas vertentes como Lírico Dramático e etc, em outras línguas, são retratados como Contraltos Líricos com aptidão a habilidades de outras subclassificações e em outros casos adicionam o Lírico sem razão aparente.

Agora que todos os tipos de Contralto já foram explicados, partiremos para os Castrati.

Facebook | Página Oficial.


16:00 Sávio Alves

Andrógenos, poderoso e extremamente maduros, os Contraltos estão no hall de vozes mais raras do mundo, sendo a classificação feminina mais rara existente. Aqui estão listadas as características da mais grave voz feminina, com exemplificações no canto popular e erudito.

Em coro, normalmente nunca se encontram Contraltos. As interpretes que nesta classificação vocal atuam com verdadeira maestria e poder são, quase sempre, mulheres muito maduras, com muitos anos de carreira e não são facilmente encontradas para cantar a linha que lhes foi designada. Por conta deste infortúnio pouco se escreve para Contraltos na ópera, então Mezzo-Sopranos, Contratenores ou (Em casos mais raros) Soprano com aptidão a notas graves, cantam suas partes em músicas de coro. Neste primeiro exemplo, Ekaterina Gubanova,  um Mezzo-Soprano Dramático que canta peças para Contralto e desenvolve sua voz para tal repertório:


Em coros, ao contrário das vozes mais agudas anteriormente citadas, não se dividem Contraltos entre 1 e 2, pois normalmente quem suas linhas canta são Mezzo-Sopranos. Alguns Contraltos são tão graves que quebram a sintonia das vozes femininas e são remanejadas a cantar junto aos tenores em coros pequenos e médio. Um bom exemplo de Contralto que cantaria no naipe masculino por conta de sua rica e gravíssima voz é Zarah Leander.


É importante deixar claro: as subclassificações vocais, tanto dos Contraltos quanto dos outros naipes vocais, são exclusivas do canto erudito e não se aplicam de forma eficaz ao canto popular. Aqui estão resumidos todos os tipos de Contralto, clicando nos nomes em rosa você será redimensionado a outra página com maiores explicações sobre, com exemplos em vídeo.




Contraltos Coloratura: Vozes ágeis, mais leves que suas vertentes "puras" e com aptidão a notas estratosfericamente graves e agudas, podendo inclusive adentrar a região aguda do Soprano e do tenor em seu alcance pleno totalizado.

Contraltos Líricos: Quente e brilhante voz de Contralto com grande afinidade com leggatos belos e repertório entoados em andamentos menos velozes.

Contraltos Profundos (Dramáticos): Mais andrógena e grave voz feminina existente. Extremamente volumosa, encorpada e madura. Nenhum fach feminino é tão raro como este.

Algumas vertentes como Lírico Dramático e etc, em outras línguas, são retratados como Contraltos Líricos com aptidão a habilidades de outras subclassificações e em outros casos adicionam o Lírico sem razão aparente.

Agora que todos os tipos de Contralto já foram explicados, partiremos para os Castrati.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014


Entrevistei, na semana passada, minha amiga Rossana, mundialmente conhecida com Georgia Brown. Aqui falamos de técnica vocal não convencional, sobre a trajetória, projetos e gostos da mulher, que, além de ter a maior extensão vocal e a nota mais aguda do mundo, é compositora, interprete (Cantora) e engenheira de áudio.



Conseguimos mais de uma hora do tempo da Georgia para esta gravação e falamos com extrema descontração e bom humor sobre os mais diversos assuntos... O melhor de tudo isso é que sortearemos um DVD de técnica vocal da Georgia Brown e um álbum dela para vocês! E a mesma, amanhã, dia 18 de outubro (Sábado) vai estar no twitter fazendo uma vídeo conferência extremamente informal para conversar.



16:35 Sávio Alves

Entrevistei, na semana passada, minha amiga Rossana, mundialmente conhecida com Georgia Brown. Aqui falamos de técnica vocal não convencional, sobre a trajetória, projetos e gostos da mulher, que, além de ter a maior extensão vocal e a nota mais aguda do mundo, é compositora, interprete (Cantora) e engenheira de áudio.



Conseguimos mais de uma hora do tempo da Georgia para esta gravação e falamos com extrema descontração e bom humor sobre os mais diversos assuntos... O melhor de tudo isso é que sortearemos um DVD de técnica vocal da Georgia Brown e um álbum dela para vocês! E a mesma, amanhã, dia 18 de outubro (Sábado) vai estar no twitter fazendo uma vídeo conferência extremamente informal para conversar.



quarta-feira, 15 de outubro de 2014


Artista / Banda: Jessie J.
Álbum: Sweet Talker.
Lançamento Oficial: Outubro de 2014.
Extensão Vocal UtilizadaE3 - G#6 (Mí Três - Sol Sustenido 6) [Aprox].
Oitavas: 3 Oitavas, 2 Notas e 1 Semitom.

Voz plena: E3 – G5 (Mí Três – Sol Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas e 2 Notas.
Gêneros Musicais: Dance Pop, R&b, White Soul.

Notas mais aguda Belting/Mix: G5 (Sol Cinco).


Em uma evidente tentativa em se manter ativa no mercado fonográfico mainstrem, Jessie J lança, com colaborações de peso no meio Pop, seu terceiro álbum de estúdio. Apesar das colaborações superficiais, de evidente âmbito puramente comercial, "Sweet Talker", tem a oferecer algo 'verdadeiramente artístico' em meio aos evidentes singles blockbusters.



Evitando a redundância em render parágrafos a respeito das obviamente incríveis capacidades vocais da interprete (Que  pouco participou da composição de muitas faixas deste projeto ), posso afirmar com propriedade que existe evolução, pelo menos em estúdio, a respeito de um de seus ressonadores. No caso, o de cabeça, que marcou presença significativa em algumas faixas do álbum, deixando de lado apenas exclamações neste registro... Não se pode ignorar também a habilidade de frasear tão rapidamente em um curtíssimo período de tempo (Já demonstrada ao vivo por Jessie) na perfeita abertura batizada de: "Ain't Been Done".


Até agora, as performances ao vivo demonstradas são mais do que satisfatórias (Como sempre). O tom das canções foi transposto, isso é inegável, mas é preferível deteriorar a versão original em uma performance live e fazer o que se propõem com maestria e poderio, do que desgastar o instrumento ao qual já somos prolificados com e apresentar algo tecnicamente pífio. O lado 'Soprano' de Jessie está sendo explorado ao máximo, as canções literalmente dispõe de "tons ao talo" de tão altas. Levar canções tão agudas em registro de peito e misto, mesmo para uma mulher de voz bem treinada, pode não ser a coisa mais saudável a se fazer se preservação vocal é visada, mas Jessie J evidentemente é inteligente e sabe de suas limitações e não tenta, por puro orgulho, ultrapassa-las. 



O álbum é bem diversificado e traz, até mesmo, canções com vibe 90's. Houve espaço para explorar algo mais e manter seu próprio séquito intacto, a identidade musical de Jessie não foi abalada, nem mesmo com participações tão rasas e fracas para o contexto de sonoridade e lirismo do álbum como um todo... "Bang Bang" não é uma canção ruim ou coisa do tipo, Nicki Minaj e Ariana Grande fizeram (Até mesmo ao vivo ) bem o que foi proposto, mas, come on, né?!


É um álbum de boa vibe. Jessie recorreu ao comercial, a fim de mostrar o restante de seu trabalho ao mundo e não deixar "Sweet Talker" desvalorizado como "Alive", mas definitivamente o projeto tem um pouco mais a oferecer do que somente uma música sobre "bang bang por aí a fora" e "queimações você sabe onde".


Vocais: 10.0 de 10.0.
Lives: 10.0 de 10.0.
Produção: 9.0 de 10.0.
Instrumentação: 6.5 de 10.0.
Contexto: 6.0 de 10.0.
Posicionamento de track: 8.0 de 10.0.
Lirismo: 7.0 de 10.0.
Arte (Capa)7.5 de 10.0.
Participações: 6.0 de 10.0.
Evolução: 7.5 de 10.

Média geral: 70.7



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11:31 Sávio Alves

Artista / Banda: Jessie J.
Álbum: Sweet Talker.
Lançamento Oficial: Outubro de 2014.
Extensão Vocal UtilizadaE3 - G#6 (Mí Três - Sol Sustenido 6) [Aprox].
Oitavas: 3 Oitavas, 2 Notas e 1 Semitom.

Voz plena: E3 – G5 (Mí Três – Sol Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas e 2 Notas.
Gêneros Musicais: Dance Pop, R&b, White Soul.

Notas mais aguda Belting/Mix: G5 (Sol Cinco).


Em uma evidente tentativa em se manter ativa no mercado fonográfico mainstrem, Jessie J lança, com colaborações de peso no meio Pop, seu terceiro álbum de estúdio. Apesar das colaborações superficiais, de evidente âmbito puramente comercial, "Sweet Talker", tem a oferecer algo 'verdadeiramente artístico' em meio aos evidentes singles blockbusters.



Evitando a redundância em render parágrafos a respeito das obviamente incríveis capacidades vocais da interprete (Que  pouco participou da composição de muitas faixas deste projeto ), posso afirmar com propriedade que existe evolução, pelo menos em estúdio, a respeito de um de seus ressonadores. No caso, o de cabeça, que marcou presença significativa em algumas faixas do álbum, deixando de lado apenas exclamações neste registro... Não se pode ignorar também a habilidade de frasear tão rapidamente em um curtíssimo período de tempo (Já demonstrada ao vivo por Jessie) na perfeita abertura batizada de: "Ain't Been Done".


Até agora, as performances ao vivo demonstradas são mais do que satisfatórias (Como sempre). O tom das canções foi transposto, isso é inegável, mas é preferível deteriorar a versão original em uma performance live e fazer o que se propõem com maestria e poderio, do que desgastar o instrumento ao qual já somos prolificados com e apresentar algo tecnicamente pífio. O lado 'Soprano' de Jessie está sendo explorado ao máximo, as canções literalmente dispõe de "tons ao talo" de tão altas. Levar canções tão agudas em registro de peito e misto, mesmo para uma mulher de voz bem treinada, pode não ser a coisa mais saudável a se fazer se preservação vocal é visada, mas Jessie J evidentemente é inteligente e sabe de suas limitações e não tenta, por puro orgulho, ultrapassa-las. 



O álbum é bem diversificado e traz, até mesmo, canções com vibe 90's. Houve espaço para explorar algo mais e manter seu próprio séquito intacto, a identidade musical de Jessie não foi abalada, nem mesmo com participações tão rasas e fracas para o contexto de sonoridade e lirismo do álbum como um todo... "Bang Bang" não é uma canção ruim ou coisa do tipo, Nicki Minaj e Ariana Grande fizeram (Até mesmo ao vivo ) bem o que foi proposto, mas, come on, né?!


É um álbum de boa vibe. Jessie recorreu ao comercial, a fim de mostrar o restante de seu trabalho ao mundo e não deixar "Sweet Talker" desvalorizado como "Alive", mas definitivamente o projeto tem um pouco mais a oferecer do que somente uma música sobre "bang bang por aí a fora" e "queimações você sabe onde".


Vocais: 10.0 de 10.0.
Lives: 10.0 de 10.0.
Produção: 9.0 de 10.0.
Instrumentação: 6.5 de 10.0.
Contexto: 6.0 de 10.0.
Posicionamento de track: 8.0 de 10.0.
Lirismo: 7.0 de 10.0.
Arte (Capa)7.5 de 10.0.
Participações: 6.0 de 10.0.
Evolução: 7.5 de 10.

Média geral: 70.7



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terça-feira, 7 de outubro de 2014


Artista / Banda: Kim Jaejoong.
Classificação Vocal: Tenor.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Tenor Leggero.
Alcance Vocal: A2 - D6 (Lá Dois – Ré Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 3 Notas.

Alcance Pleno: A2 - F#5 (Lá Dois - Fá Sustenido Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas, 5 Notas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: B2 - D6 (Sí Dois – Ré Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 2 Notas.

Tessitura Vocal (Especulada): Eb3 – B4 (Mí Bemol Três – Sí Quatro).
Oitavas:  1 Oitava, 4 Notas e 1 Semitom.
Gêneros Musicais: Kpop.

Nota mais aguda em Belting/Mix: F#5 (Fá Sustenido Cinco).

Se esta for sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.


A fim de expandir novos horizontes, aqui está disponível, a primeira análise vocal de um ídolo Sul Coreano no Vocal Pop. Kim Joejoong foi o vencedor da votação de nossa página no Facebook e é detentor de um timbre leve, aveludado, quente e de tessitura agudíssima (Para um homem), tendo seu registro superior como o grande diferencial de sua voz em meio a seus antigos colegas de grupo (TVXQ).



Incontestavelmente, Kim Jaejoong canta em tons agudíssimos, como a grande maioria dos cantores e cantoras de seu país. Tenor é obviamente a melhor classificação vocal a se atribuir a uma voz masculina tão leve e delicada, de tessitura aguda; se iniciando acima do convencional, bem próximo das vozes femininas (Por volta de um Mí Bemol Grave) e se estendendo em voz de peito até por volta de um Lá de Tenor ou maio tom acima, tendo como marca registrada em seu repertório delicadas baladas.



Em estúdio, a agilidade de sua voz é explorada ao máximo, fazendo no grupo o papel que um Soprano faria costumeiramente, com direito a ornamentações com sustentadas notas na sexta oitava. Claramente, Kim não consegue o fazer com a mesma qualidade que uma interprete feminina ao vivo as notas e as demonstrações de agilidade extrema, porém, levando em conta a qualidade dos ornamentos executados por homens, pode-se dizer que Kim Jaejoong dispõem de uma voz privilegiada nestes quesitos. Neste vídeo uma copilação de áudios de estúdio com suas habilidades vocais:


Já em suas performances ao vivo, ficam mais evidentes pontos fracos em sua técnica. Notas agudas em seu registro misto são abundantes e ultrapassam o costumeiro C5 dos tenores, mas a qualidade de tais notas nem sempre atinge um padrão extremamente elevado, trazendo assim um som áspero, "seco" e sofrido na execução de notas acima do Bb4, principalmente quando agilidade é necessária e o cansaço pela movimentação em palco aparece.


Vocalistas de música Pop não dispõe de classificações vocais (Fach), porém, utilizar este sistema primoroso, que já existe a muito tempo, para melhor separar vocalistas é algo comodo, visando melhor entender as vozes em geral. Acredito que pelas qualidade de seu timbre, peso de sua voz e até mesmo seu desempenho on stage deixam claro que a melhor subclassificação a encaixar sua voz seria a de Tenor Leggero.


Tratando-se de Kim, registro misto não é um grande empecilho e nem de difícil acesso, se levarmos em conta a acuidade das notas exigidas a este. Sua facilidade com agudos lhe permite chegar ao limite de muitas mulheres com o uso do Mix Head Voice, adentrando um F# agudo com enfoque nos ressonadores superiores. Em canções, como a do vídeo a seguir, demonstrações de sua facilidade na execução de tais notas ficam evidentes.  


O som é metálico ao extremo e não é tão ressonante como o padrão de excelência da região ao qual adentrou (Feminina), mas para um tenor foi um bom trabalho. 



Pontos Negativos


Apesar de adentrar a região do barítono em voz de peito, seus graves são extremamente soproso, frágeis e pouco moldáveis, ganhando peso somante na região das vozes graves femininas (Por voltar de Eb ou E). Kim Jaejoong é um tenor tão leve e agudo que naturalmente já não dispõe de propensão para notas gravíssimas alcançar, mas notas costumeiras da tessitura de um tenor agudo, como um Dó Grave, já soam soprosas, fracas e "secas" de mais quando executadas em uma linha melódica sem grandes pausas para execução.

Sua voz perde significativa qualidade ressonante na quinta oitava.

Vocal Ranges



09:32 Sávio Alves

Artista / Banda: Kim Jaejoong.
Classificação Vocal: Tenor.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Tenor Leggero.
Alcance Vocal: A2 - D6 (Lá Dois – Ré Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 3 Notas.

Alcance Pleno: A2 - F#5 (Lá Dois - Fá Sustenido Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas, 5 Notas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: B2 - D6 (Sí Dois – Ré Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 2 Notas.

Tessitura Vocal (Especulada): Eb3 – B4 (Mí Bemol Três – Sí Quatro).
Oitavas:  1 Oitava, 4 Notas e 1 Semitom.
Gêneros Musicais: Kpop.

Nota mais aguda em Belting/Mix: F#5 (Fá Sustenido Cinco).

Se esta for sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.


A fim de expandir novos horizontes, aqui está disponível, a primeira análise vocal de um ídolo Sul Coreano no Vocal Pop. Kim Joejoong foi o vencedor da votação de nossa página no Facebook e é detentor de um timbre leve, aveludado, quente e de tessitura agudíssima (Para um homem), tendo seu registro superior como o grande diferencial de sua voz em meio a seus antigos colegas de grupo (TVXQ).



Incontestavelmente, Kim Jaejoong canta em tons agudíssimos, como a grande maioria dos cantores e cantoras de seu país. Tenor é obviamente a melhor classificação vocal a se atribuir a uma voz masculina tão leve e delicada, de tessitura aguda; se iniciando acima do convencional, bem próximo das vozes femininas (Por volta de um Mí Bemol Grave) e se estendendo em voz de peito até por volta de um Lá de Tenor ou maio tom acima, tendo como marca registrada em seu repertório delicadas baladas.



Em estúdio, a agilidade de sua voz é explorada ao máximo, fazendo no grupo o papel que um Soprano faria costumeiramente, com direito a ornamentações com sustentadas notas na sexta oitava. Claramente, Kim não consegue o fazer com a mesma qualidade que uma interprete feminina ao vivo as notas e as demonstrações de agilidade extrema, porém, levando em conta a qualidade dos ornamentos executados por homens, pode-se dizer que Kim Jaejoong dispõem de uma voz privilegiada nestes quesitos. Neste vídeo uma copilação de áudios de estúdio com suas habilidades vocais:


Já em suas performances ao vivo, ficam mais evidentes pontos fracos em sua técnica. Notas agudas em seu registro misto são abundantes e ultrapassam o costumeiro C5 dos tenores, mas a qualidade de tais notas nem sempre atinge um padrão extremamente elevado, trazendo assim um som áspero, "seco" e sofrido na execução de notas acima do Bb4, principalmente quando agilidade é necessária e o cansaço pela movimentação em palco aparece.


Vocalistas de música Pop não dispõe de classificações vocais (Fach), porém, utilizar este sistema primoroso, que já existe a muito tempo, para melhor separar vocalistas é algo comodo, visando melhor entender as vozes em geral. Acredito que pelas qualidade de seu timbre, peso de sua voz e até mesmo seu desempenho on stage deixam claro que a melhor subclassificação a encaixar sua voz seria a de Tenor Leggero.


Tratando-se de Kim, registro misto não é um grande empecilho e nem de difícil acesso, se levarmos em conta a acuidade das notas exigidas a este. Sua facilidade com agudos lhe permite chegar ao limite de muitas mulheres com o uso do Mix Head Voice, adentrando um F# agudo com enfoque nos ressonadores superiores. Em canções, como a do vídeo a seguir, demonstrações de sua facilidade na execução de tais notas ficam evidentes.  


O som é metálico ao extremo e não é tão ressonante como o padrão de excelência da região ao qual adentrou (Feminina), mas para um tenor foi um bom trabalho. 



Pontos Negativos


Apesar de adentrar a região do barítono em voz de peito, seus graves são extremamente soproso, frágeis e pouco moldáveis, ganhando peso somante na região das vozes graves femininas (Por voltar de Eb ou E). Kim Jaejoong é um tenor tão leve e agudo que naturalmente já não dispõe de propensão para notas gravíssimas alcançar, mas notas costumeiras da tessitura de um tenor agudo, como um Dó Grave, já soam soprosas, fracas e "secas" de mais quando executadas em uma linha melódica sem grandes pausas para execução.

Sua voz perde significativa qualidade ressonante na quinta oitava.

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