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domingo, 24 de maio de 2015

24.5.15

Análise Vocal - Yma Sumac

Postado por Sávio Alves
Análise Vocal - Yma Sumac


Artista / Banda: Yma Sumac.
Classificação Vocal: Soprano - Contralto.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Soprano Sfogato.
Alcance Vocal: E2 - Bb7 (Mí 2 – Sí Bemol 7).
Oitavas: 5 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: E2 - B7 (Mí 2 – Sí Bemol 7).

Oitavas: 5 Oitavas e 4 Notas.

Alcance Ao Vivo: D3 - F#6 (Ré Três – Fá Sustenido Seis).

Oitavas: 3 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Tessitura Vocal (Especulada): E3 - G5 (Mí 3 - Sol 5).

Oitavas: 2 Oitavas e 2 Notas
Gêneros Musicais: Música Exótica Peruana, algumas árias do período romântico.

Se esta for sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.




Yma Sumac foi uma das maiores cantoras de todos os tempos, tendo sido listada por nossa equipe como a melhor cantora não erudita de todos os tempos em uma lista com 100 nomes ilustres. Yma era uma interprete de técnica primorosa, aprendeu a cantar com os pássaros na montanhas do Peru e foi descrita pelos mais diversos críticos de seu tempo como: Uma mulher de elegância extrema, de ar misterioso em performance com uma beleza digna da realeza do povo Inca. Apesar da origem conseguiu superar o preconceito nos Estados Unidos da América e se tornou uma célebre interprete de música exótica peruana fazendo turnês até mesmo na Rússia; Yma faleceu no fim de 2008, aos 86 anos de idade.


Timbre e Registros


Seu timbre pode ser descrito como de grande variação de cores entre o registro de peito e de cabeça. Senhora Sumac utilizava costumeiramente do contraste da região grave com a aguda, o que lhe rendeu comparações com uma "sereia e um terremoto na mesma mulher" e neste vídeo - inteiramente produzido por nossa equipe - podes conferir senhora Sumac demonstrando todos os registros do qual cantava e algumas de suas singulares técnicas com as notas executadas na lateral esquerda com seus devidos registros:




Seu registro agudo era extremamente extenso, plástico, delicado e de baixa emissão. Nesta região Yma desenvolveu técnicas de agilidade extrema como seu famoso trinado ultra veloz e seus staccatos precisos. Na região ultra aguda (Whistle) Yma tende a utilizar mais de notas longas com ou sem trinado sem esbouçar o mínimo sentimento de revés, mesmo ultrapassando em mais de uma oitava a região de conforto de um Soprano comum.




O registro médio é demonstrado em voz de cabeça, como uma cantora erudita - Coisa que Yma Sumac de fato não era, apesar de já ter interpretado algumas árias do período Romântico em estúdio. Sua coloração era predominantemente quente e delicada, com possibilidade de maior poder em clímax raramente demonstradas, já que peças dramáticas não faziam parte de seu seleto repertório. 


A região grave é escura, extensa e entubada, trazendo certa tensão em sua execução a fim de produzir um som mais ressonante e poderoso. Yma adentrava a região masculina neste registro com competência considerável para uma mulher, porém é perceptível que a base de sua língua, única e exclusivamente nesta região de sua voz, é forçada para baixo, empurrando bruscamente a laringe para produzir um som mais escuro e rico.


Pode-se dizer que Yma foi uma interprete com uma voz extremamente singular que não se adéqua com fidelidade a nenhuma categoria do sistema fach. Aparentemente um Soprano com aptidão a cantar na região do Contralto Lírico, esta interprete dispõe de características híbridas muito forte em seu timbre, abrindo margem para especulações ainda maiores a respeito de sua classificação vocal.

Pontos Negativos

O único ponto do canto de Yma Sumac que pode ser lucidamente apontado como fora dos padrões ótimos de execução é a citada tensão na base da língua em seu registro inferior. Uma adepta, mesmo que inconsciente, do cuperto, com uma emissão tão livre e maleável com certeza utiliza desta técnica peculiar por questões puramente artísticas (Como na famosa estética de canto tejana). 


Extensão Vocal e Vídeo


Todas as notas relevantes executadas por Yma podem ser conferidas no rodapé deste artigo, mas segue um parágrafo sobre sua gama vocal. A extensão vocal controlada de Yma Sumac em estúdio é uma das maiores, mais virtuosas e comentadas de todos os tempos. A versão de 2015 do Guiness Book a coloca ao lado de Georgia Brown como a anterior detentora do record de maior extensão vocal do mundo (Acreditava-se que Mariah Carey era detentora do record, mas a última versão do livro está aí para provar que a mesma não detinha oficialmente o record). Ao todo sua gama vocal soma 5 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom, porém a procedência do E2 (Centro C sendo o 4) é discutida por fãs e teóricos da área por conta da qualidade de gravação da faixa "Cumbe Maita" de seu álbum debut. Já a nota mais aguda já gravada em estúdio é um Bb 3 Oitavas acima do centro C (Bb7) no registro de apito de Yma na canção "Karawi". Não adepta do mix, em pura voz de peito, Yma não ia longe e se mantinha na faixa usual de um Tenor se estendendo até um B4 sem cobertura na faixa "Monos". Abaixo podes conferir um de nossos primeiros vídeos corroborando as informações deste parágrafo:



quarta-feira, 20 de maio de 2015

20.5.15

Análise Vocal - Kylie Minogue

Postado por Harrison Max
Análise Vocal - Kylie Minogue

Imagem do Photoshoot para o álbum de estúdio: "Aphrodite".

Artista / Banda: Kylie Minogue.
Classificação Vocal: Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Soprano Soubrette.
Alcance Vocal: D3 – Eb6 (Ré na Terceira Oitava Oitavas – Mí Bemol na Sexta Oitava).
Oitavas: 3 Oitavas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: D3 – Eb6 (Ré na Terceira Oitava Oitavas – Mí Bemol na Sexta Oitava).
Oitavas: 3 Oitavas e 1 Semitom.

Tessitura Vocal (Especulada): F#3 – E5 (Fá Sustenido na Terceira Oitava – Mí na Quinta Oitava).
Oitavas: 1 Oitava, 5 Notas e 1 Semitom.

Gêneros Musicais: Pop, Dance-Pop, Synthpop, RnB e Trip-Hop.

Se esta é a sua primeira vez no Vocal Pop, acesse o nosso Glossário Musical para ficar a par dos termos utilizados nesta análise vocal, clicando aqui.

Eu mentiria se dissesse que Kylie Minogue não influenciou décadas. Sua voz leve, bradou sucessos que não saíram das rádios tão cedo. Foi uma das primeiras artistas conceituais no meio popular a se tornar facilmente reconhecida e disputava nas rádios com outras grandes artistas como: Madonna e Cyndi Lauper.

É difícil falar sobre quem tem décadas de carreira e influência direta ou indireta sobre o cenário musical por simplesmente ser quem é. Da contagiante: “Can’t Get You Outta My Head” a “Your Disco Needs You”, a rainha do disco não precisou impor sua presença para se tornar relevante. O tempo mostrara suas inúmeras facetas que iam além da música e passavam pela filantropia, letras, artes dramáticas, design e produção artística.

O foco de fato, não é a biografia de Minogue e sim a sua voz e a sua técnica vocal que serão colocadas em pauta hoje. Descobriremos juntos a receita do sucesso da Rainha do Dance-Pop, que ainda não vivera metade de um século e já realizara tanto por mais de uma vida.

Imagem do Photoshoot para o álbum de estúdio: "Aphrodite".


Pontos Positivos:

Embora a australiana tenha chegado a idade 4.0 a mais de seis anos atrás, sua voz permanecera muito jovial. O timbre é característico de uma subdivisão dentro do Soprano chamada: “Soprano Soubrette”, mas especularei classificações pelo sistema Fach depois. Vamos ao timbre por hora!

A leveza é sempre predominante. O que de fato, demonstra que Kylie obtivera uma boa longevidade vocal com tantos anos de carreira.


No vídeo acima, Kylie canta um trecho de: “Can’t Get You Outta My Head” durante o GLAAD Awards de 2014, uma premiação LGBT. Uma curiosidade? Minogue é ativista das causas LGBTs, sendo um dos símbolos mais presentes na luta contra a opressão da classe em questão. Ela é porta-bandeira e por isso, é muito querida entre os LGBTs.

Seis anos após o início da carreira musical, em 1984, Kylie já demonstrara ser um Soprano levíssimo, com uma voz extremamente brilhante e clara. O timbre prateado, permanecera limpo (até hoje), tendo seus breves momentos brandos, sem grandes interferências na dinâmica. Por ter uma voz leve, o Soprano conseguira cantar em mp (mezzo-piano) e p (piano) com facilidade natural. É de fato, uma voz que atinge notas altas com pouco peso vocal, o que dá um aspecto angelical a sua voz e uma sensação de conforto e paz interior. Embora Kylie tendo algumas canções mais “fortes”, com batidas energizadas, sua voz brilhava no teto da melodia, mas não necessariamente se tornando um elemento paralelo, era encaixável sem a imposição do ato. Natural como a luz do dia.


Durante cover acapella de: “Borderline”, de Madonna, em 1984, como no vídeo acima, a australiana demonstrara a leveza do timbre, que brilhava em primeiro plano. Nessa época, sua voz já estava amadurecida e fixada dentro do Soprano.

Dando a “cara-a-tapa”, a artista entra na região do Contralto em Voz de Peito, tendo por limite vocal demonstrado, um D3 (Ré na Terceira Oitava). Sua Voz de Peito, só vem a ganhar o devido destaque a partir do F#3 (Fá Sustenido na Terceira Oitava), onde a região grave passa a soar de forma mais forte. A artista entra em tessitura vocal nesta nota.


Kylie em um trabalho recente: “Right Here, Right Now”, com o DJ e produtor Giorgio Moroder. Ela utiliza A3 – B5 (Lá na Terceira Oitava – Sí na Quinta Oitava) nesta canção.

Não é que Minogue não possa cantar com conforto na região grave de sua gama vocal. Ela até pode e executa bem até o seu extremo, entretanto, assim como quase todo Soprano, ela valoriza mais suas notas altas do que baixas e canta sempre no topo da tessitura.

Adepta tanto de Voz de Peito Mista, quanto Voz de Cabeça Mista, a artista sabe unifica-los a sua técnica vocal apropriadamente. Sua Voz de Peito Mista tem uma coloração leve, mesmo sendo um genérico da Voz de Peito com mais presença. Em muitos cantores, a Voz de Peito Mista sempre tende a soar absurdamente volumosa/potente e com muita energia. Mas pelo fato de Kylie ter uma acuidade alta e leveza no timbre, até a sua Voz de Peito Mista soa frágil.


Um dos inúmeros sucessos da australiana demonstrando o início da Voz de Peito Mista dela, em G#4 (Sol Sustenido na Quarta Oitava).

Sua Voz de Peito Mista tem por término um Eb5 (Mí Bemol na Quinta Oitava), acima disso, ela começa a utilizar Voz de Cabeça Mista para dar cabo de todos os agudos que tem propensão usando o mix.


Kylie atingindo sua nota mais alta em Voz de Peito Mista, um Eb5 (Mí Bemol na Quinta Oitava).

Sua Voz de Cabeça Mista é um pouco mais aerada e “lírica” do que o misto com o registro inferior. A turnê: “Kylie: Aphrodite Les Folies”, foi responsável por demonstrar ao público as notas mais altas da australiana que sempre recorria aos agudos mistos ou de Voz de Cabeça pura para enriquecer suas canções. Minogue não é adepta de usar os agudos mistos com o registro superior em notas baixas. Dificilmente você a verá executar um C#5 (Dó na Quinta Oitava) mixando com a Cabeça. Ela prefere executar suas notas mais agudas em mix neste registro, por ser mais confortável. Usando E5 (Mí na Quinta Oitava) de ponte, a hitmaker consegue ir com conforto até um cheio F#5 (Fá Sustenido na Quinta Oitava).


Minogue atingindo E5 (Mí na Quinta Oitava) e em seguida um F#5 (Fá Sustenido na Quinta Oitava), sua nota mais aguda em Voz de Cabeça Mista.

A leveza e sutileza de sua voz, nas notas altas extremas, fica a cabo de sua belíssima Voz de Cabeça, que desde o início da carreira da cantora, é utilizada para breves momentos suaves, onde a linha poética exige assopro e não mordidas. Kylie consegue de fato executar notas da quarta oitava usando a Voz de Cabeça, mas consegue ir além. Bem além. Ela é uma cantora que exclama bastante no palco e não considero válidas essas notas que não são melódicas e nem tem virtuosismo. O que é de fato válido, é o que ela consegue dominar. Sua gama vocal chega a um fortíssimo Eb6 (Mí Bemol na Sexta Oitava) em Voz de Cabeça. Tudo que está acima disso, seja Falsete, Registro Apito ou propriamente a pura Voz de Cabeça, não tem uma qualidade necessária para ser posto a mesa, como prova da perícia da artista sobre o registro superior.


Uma compilação de notas agudas em Voz de Cabeça, da Minogue, feito por nossa equipe, indo de C5 até C#6 (Dó na Quinta Oitava – Dó Sustenido na Sexta Oitava).


Sua nota mais aguda em Voz de Cabeça, ao vivo, é Eb6 (Mí Bemol na Sexta Oitava), como no vídeo acima!

Suas técnicas vocais complementares são simplórias para os gêneros musicais que tende a cantar. A australiana consegue realizar quebras vocais interessantes, uma coisa muito comum de vermos em cantoras do gênero: Pop. É importante frisarmos que, embora Kylie seja uma cantora: “Old School”, com mais anos de carreira que Madonna, os gêneros que canta nunca exigiram dela, grandes malabarismos vocais, e uma técnica espalhafatosa cheia de impressionismos e etc... E indo a contraponto nós sabemos que se ela quisesse poderia demonstrar todos os floreios que estaria disposta a executar em suas canções.

Entre os floreios da performer, está o Vibrato bem colocado e a postura correta com seu registro superior que é sempre rico e bem ressonado.

De certo modo, Kylie foi agraciada pelos deuses por ter nascido um Soprano muito leve. Ela não precisa se esforçar tanto para chamar a atenção do público pela sua acuidade vocal. Até em um jazz simples ela consegue hipnotizar pelo timbre que tem:


Não poderia deixar de brindar à Minogue, pela nova roupagem que ela deu a: “Slow”, que ficou mais sensual e provocante.

Imagem do Photoshoot para o álbum de estúdio: "Aphrodite".

Pontos Negativos:

1 – Falta de peso vocal no registro misto:


Kylie executando um D5 (Ré na Quinta Oitava) em Voz de Cabeça Mista, na canção com Moroder: “Right Here, Right Now”.

Solução.: Exercícios de "NG" para fortificar essa região vocal. Mais sobre "NG" aqui. Por ela ser um Soprano muito levinho, quase tudo que ela canta vai ter pouco corpo. Mas isso não pode ser desculpa para a falta de peso sobre as notas. Nós sabemos que existem técnicas para encorpar a voz.


Vídeos de Extensões Vocais de Kylie Minogue:



Obs.: Vídeo feito por outro canal de vídeos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

19.5.15

Dinâmica, Presença de Palco e Interação Público-Cantor.

Postado por Sávio Alves
Dinâmica, Presença de Palco e Interação Público-Cantor.


Não só de afinação será feito o cantor. A música, como todo o tipo de arte, exige que seu autor envolva o espectador para além da técnica (que muitas vezes é a chave para alcançar os outros pontos), essa capacidade de transformar a canção em algo imersivo, beira a diegese cinematográfica e muitas vezes acaba sendo o maior desafio quanto intérprete: trazer a música para além do plano separado de notas e harmonias distantes para uma narrativa ou contextualização que toque o ouvinte.




Em primeiro lugar, é importante que o intérprete saiba dosar e alternar o volume de voz usado na música de acordo com os momentos e intenção da mesma. Essa capacidade muitas vezes é fruto de um bom apoio diafragmático e respiratório, isso porque a modulação da voz é sempre dependente desses fatores. Essa aplicação da dinâmica à canção cantada confere ao projeto maior coesão e evita que ela fuja de seu objetivo e se torne maçante e desagradável (Mas, é claro, o objetivo pode ser exatamente este, reforçando a necessidade de entender o funcionamento da dinâmica). Para que isso aconteça a voz deve ser preparada para a alternância de intensidade e a música em questão estudada em termos de objetivo, carga emotiva e público, além de um bom trabalho em cima das colorações, que enriquecem o produto final, principalmente em apresentações ao vivo.

Um exemplo de boa aplicação da dinâmica pode ser visto na música “Black Ninja”, da banda Battle Beast, onde a vocalista traz colorações diferenciadas para os momentos da canção, que vai do vocal passivo do início até as explosões em vocal drive do refrão:



Já o canto erudito o Requiem de Verdi possui pianos dificílimos, principalmente para vozes grandes, como a de Leontyne Price, confira:



E mais que somente voz, o cantor também se faz no corpo, corpo este que deve estar sempre bem preparado para o palco e para sua proposta musical, deve receber atenção tal qual o aparelho fonador em si: do cuidado com a alimentação, à exposição ao mal tempo – que deve ser evitada-, trabalhos de respiração e vocalizes, a boa forma e à atuação.  Quando está se apresentando frente ao público o intérprete deve carregar consigo toda a aura quase mística que envolve os processos musicais. Os devidos preparos físico e vocal normalmente culminarão em uma forma comunicativa eficiente se aliados a inteligência emocional requisitada pelo ritmo entoado. Pode acontecer de o cantor se preocupar/focar na questão técnica da canção e se perder quanto a presença de palco, sem trazer à tona o senso poético que a arte se alimenta, o que não contagia o público e mata todas as possibilidades que a música traria. 
Anna Netrebko é um exemplo de cantora erudita que traz o equilíbrio de todos os itens citados, voz e corpo se fundem na intepretação do personagem.



Na música popular esse empenho em manter boa movimentação de palco e conservação da voz pode ser observada com a cantora Anneke, atualmente encabeçando o projeto The gentle storm com Arjen:


Pink também é lembrada por esse bom casamento de intenções e técnica:



Ainda nesse quesito, Beyoncé, Mariah Carey, os integrantes das bandas Diablo Swing Orchestra e Therion são boas citações que preenchem esses quesitos.


Também existem aqueles que sacrificam o desempenho vocal, com um canto nem sempre salubre, para que o público sinta a energia necessária que o artista deseja. Christina Aguilera, Joakin (Sabaton), Tarja Turunen, Amy Lee são lembradas pelos fãs por entreterem com louvor os presentes em suas apresentações.
Claro que não estou dizendo que pra uma apresentação boa seja sempre necessário um cantor super ativo no palco, com movimentação exagerada, o que deve ficar claro é que a maneira como cada intérprete se apresenta seja coerente com aquilo que ele intente passar, seja calmaria, amor, fúria... tudo que ele fizer frente ao público servirá para adicionar ou atrapalhar o show.

Por isso é de extrema importância manter o equilíbrio corpo-mente, os que fazem uso da voz podem não estar aptos para cantar/atuar/dublar em situações extremas de humor, doença ou fadiga (mental ou corporal), sendo assim o Vocal Pop sugere  a constância em exercícios aeróbicos e nos estudos musicais e artísticos. (Recomendo yoga, natação, mergulho e/ou danças) para maior proveito do seu instrumento, esteja sempre atento aos artistas que o cercam e como eles se comportam (em termos vocais e presenciais) para que o aprendizado seja ainda maior, vendo erros e acertos de terceiros.

Para maior proveito e aprendizado do texto, sugiro a visitação dos seguintes links:

Vocubulário: Significado de diegese. 

Aprendizado e aplicação: Dinâmica.
Aulas de yoga: Iniciantes.
Canais com conteúdo de técnica vocal: Pop e Erudito.

Texto integralmente escrito por Isabela 
Rhodes. 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

14.5.15

O Estudo do Drive com Ariel Coelho

Postado por Sávio Alves
O Estudo do Drive com Ariel Coelho


A angelical Isa conseguiu entrar em contato com Ariel Coelho para tirar as dúvidas específicas de técnica vocal contemporânea - com enfoque nos drives - dos membros de nosso grupo e listou algumas perguntas registradas no tópico. Para participar da seleção de futuras perguntas para entrevistas com professores especializados em certas técnicas/efeitos/períodos/estéticas basta clicar aqui e solicitar à entrada. Ariel Coelho é membro da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa) e da The Voice Foundation (EUA); é o fundador e principal expoente da Antropofisiologia Vocal; coordena o Curso Livre de Técnica Vocal Aplicada ao Rock e o Instituto ROCK VOICE (IRV); é o lead vocal das bandas CODA Classic Rock e Brazilian Pink Floyd.


Dúvidas dos integrantes do grupos e tópicos frequentes.


Victor Dayube - (1) Toda voz pode desenvolver qualquer um dos tipos de drive? (2) Há algum desgaste ou algo que seja prejudicial mesmo fazendo uso das False cords? (3) Onde o fry entra nesse trabalho com os drives, já que muita gente diz que é um dos recursos para se desenvolver um tipo de drive?

Ariel Coelho:
(1) Sim. (2) Não, desde que a técnica esteja sendo executada de modo correto e que os músculos envolvidos estejam bem condicionados. (3) O Vocal Fry que em si não e um drive vocal, entra como parte do processo de treino de alguns drives enquanto “memória de acesso”, em particular para os glóticos, como o creaky voice.


Gabriel Freitas "Qual o procedimento/dicas/estudo necessário , para desenvolver um Drive similar ao de Adam Lambert ,"arranhado" como de um cantor de rock , porem se adequando a música pop?"

Ariel Coelho:
 Os drives não são usados apenas no rock. Os drives são esquemas compostos (mais conhecidos como efeitos vocais) que produzem o efeito percepto-adutivo de distorção sonora da voz. E o Adam Lambert, tanto quanto outros tantos vocalistas de rock e de pop, se vale dos drives glóticos. O processo é o mesmo: sensibilização proprioceptiva para os músculos envolvidos, condcionamentos destes músculos, memória de acesso, treino das estratégicas de sobreposição e fixação das memórias dos ajustes e finalmente treino das estratégias de transposição antropológica dos ajustes para o canto em si.


Alexandre Rodrigues:
Como fazer um bom drive sem ser "borrado" e "forçado" como o de Beyonce?

Ariel Coelho:
 Existem muitos drives (glóticos, supraglóticos e mistos), de modo que cada um pode escolher aquele que mais se adequa ao seu estilo, ao seu gosto. Ou seja, o negócio é estudar todos e escolher o(s) mais adequado(s) aos seus propósitos.


Vinicius Brandalise:
O fry é realmente benéfico para o drive?


Ariel Coelho:
 Sim, o Vocal Fry além de fazer parte do processo de treino, consitui-se num exercício isométrico para alguns músculos laríngeos utilizados na execução dos drives glóticos.


Diversos Membros:
Quais os tipos de vocal gutural?


Ariel Coelho: 
Sobre essa questão, sugiro a leitura da entrevista que segue: 


Diversos Membros: Como saber que meus drives são salubres?

Ariel Coelho:
 O primeiro sintoma negativo a ser detectado na execução dos drives é a ocorrência de irritações na laringe por constrição dos músculos (vulgo drive “serrote”), que podem desencadear reações de tosse e mesmo de lacrimejamento. Outros sintomas importantes são perda de eficiência dos demais comportamentos vocais sem os drives, fadiga generalizada e ressecamento excessivo das pregas vocais.


Diversos Membros:
 Quais cantores são exemplos de boa execução da técnica?

Ariel Coelho:
 Sobre essa questão, sugiro um tour por este site, clicando aqui.

domingo, 10 de maio de 2015

10.5.15

Análise Vocal - Carrie Underwood

Postado por Harrison Max
Análise Vocal - Carrie Underwood

Imagem do Photoshoot para o Álbum de Estúdio: "Blown Away".


Artista / Banda: Carrie Underwood.
Classificação Vocal: Mezzo-Soprano (Obs.: Pelo posicionamento errado da língua no Canto).
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Soprano Lírico.
Alcance Vocal: A2 – Bb5 (Lá na Segunda Oitava – Sí Bemol na Quinta Oitava).
Oitavas: 3 Oitavas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: A2 – Bb5 (Lá na Segunda Oitava – Sí Bemol na Quinta Oitava).
Oitavas: 3 Oitavas e 1 Semitom.

Tessitura Vocal (Especulada): Eb3 – F5 (Mí Bemol na Terceira Oitava – Fá na Quinta Oitava).
Oitavas: 2 Oitavas, 1 Nota e 1 Semitom.

Gêneros Musicais: Rock, Rock Alternativo, Soul, Pop, Gospel e Country.

Não acredita na versatilidade musical de Carrie Underwood? Assista ao vídeo abaixo, ela canta múltiplos gêneros musicais:


Se esta é a sua primeira visita ao site do Vocal Pop, utilize o nosso glossário musical para que possa entender todos os termos, clicando aqui.

Carrie Underwood foi a grande vencedora da quarta temporada do reality show musical estadunidense: “American Idol”, em 2005. Após a vitória na atração do canal privado: “FOX”, da terra do Mc Donald’s, ela passou a ganhar notoriedade no meio Country. Sendo anos mais tarde o principal nome do gênero na nova era musical, com influências enraizadas em Dolly Parton e um pouco de Jazz – por que não? –, através do lendário Tony Bennett. Hoje, 10 anos mais tarde, em 2015, ela é espelho para outras jovens que tentam ingressar no mesmo gênero e tentar firmar seu lugar ao Sol. Underwood é uma das mais premiadas artistas do meio Country, que é um território pouco explorado até por questões culturais, sendo mais popular no meio rural diante dos grandes centros urbanos, não sendo, evidentemente uma regra.

Imagem do Photoshoot para o Álbum de Estúdio: "Blown Away".


Pontos Positivos:

Não deixaria passar desapercebido o fato de Underwood ter uma grande voz. Mas o que faz uma grande voz? Domínio sobre a mesma? Volume vocal? Timbre exótico? Uma grande voz é aquela que não peca ou pouco peca no que se propõe a oferecer aos fãs. Aquela que é fiel na sonoridade tanto em estúdio quanto ao vivo e que é principalmente criativa na utilização do próprio talento.

Embora seja um Soprano, a estadunidense canta erroneamente como Mezzo-Soprano, na busca de um som mais rico, o que por um lado a engrandece e por outro a limita vocalmente. Com uma coloração dourada que brilha por quase toda a sua extensão, também possui generosa quantidade em metal, dando assim, um ar mais rouco e quente.


Em 2005, Underwood cantava de forma mais leve, sem tanto sobrepeso vocal, no palato mole, como neste vídeo acima durante a sua audição para o: “American Idol”.

Sua região grave é abundante e surpreendentemente extensa para um Soprano. Tendo demonstrado por limite grave um A2 (Lá na Segunda Oitava), com pouco peso vocal aparente. Lá este, que é limite grave da maioria dos Barítonos mais leves. Sua tessitura em Voz de Peito, começa em torno de um cheio Eb3 (Mí Bemol na Terceira Oitava), estendendo-se até F#4 (Fá Sustenido na Quarta Oitava), onde suas notas mesmo que uma oitava e algumas notas mais agudas, não perdem a sonoridade tranquila de seu registro inferior puro.


Ao vivo seus graves ganham mais poderio do Eb3 (Mí Bemol na Terceira Oitava) para mais agudo.

Carrie é adepta tanto de Voz de Peito Mista quanto Voz de Cabeça Mista, mesmo que, a maioria dos vídeos produzidos por fãs a respeito do registro misto dela, não sejam discriminados separadamente. Sua Voz de Peito Mista é aparente iniciando-se em G4 (Sol na Quarta Oitava), ainda com pouco peso vocal, mais pura de Voz de Peito do que propriamente algo mixado ao registro inferior. A energização do seu registro misto de peito só vem a ser algo perceptível em G#4 (Sol Sustenido na Quarta Oitava), e pode ser estendido até um D5 (Ré na Quinta Oitava), sob muito metal e som abafado, característico deste tipo de Soprano especificadamente.


Seu Registro Mixado com a Voz de Peito, brilha em cima de G#4 (Sol na Quarta Oitava).

Relativo a sua Voz de Cabeça Mista, mesmo que mais acessível, a country girl ainda a pouco utiliza se comparado a sua Voz de Peito Mista, sendo até mesmo trocada pelo registro inferior na busca pelo som mais volumoso e forte. Tendo por base um C#5 (Dó Sustenido na Quinta Oitava), o registro misto conectado com a Voz de Cabeça vai até um cheio G5 (Sol na Quinta Oitava), dando sempre enfoque em notas intermediárias pelo caminho, como um E5 (Mí na Quinta Oitava), ao qual, a estadunidense usa de ponte para aquecer a voz e assim conseguir atingir cheios F5s (Fás na Quinta Oitava) e F#5s (Fás Sustenidos na Quinta Oitava), através de glissando ascendentes, por longos períodos.


Carrie usando E5 (Mí na Quinta Oitava) de ponte para atingir notas mais altas. Ela é bem resistente nessa região.

Sua Voz de Cabeça é um potencial registro que é raro de ser visto nela. Nas poucas demonstrações de agudos de registro superior puro, Underwood demonstrara determinada perícia, conseguindo cantar até mesmo clássicos da Broadway eternizados na voz de Jullie Andrews, a eterna ninfeta da Disney da década de 60, como: “Sound Of A Music”. O início de sua Voz de Cabeça é desconhecido. Entretanto, é notório que a vencedora de “American Idol” consiga demonstrar domínio até um cheio Bb5 (Sí Bemol na Quinta Oitava), com vibrato intenso.


Sua nota mais aguda virtuosa, está em: “Dó-Ré-Mí”, uma das canções de: “Sound Of A Music”. É o Bb5 (Sí Bemol na Quinta Oitava), na Voz de Cabeça.

Quanto aos floreios, Underwood é adepta de Drive e Growl quando canta Rock ou até mesmo um Country mais enérgico. As influências do Jazz, trouxeram a sua voz a resistência em Voz de Peito Mista e o controle para as quebras vocais em registro misto, além, evidentemente, do vibrato rico e das criativas escalas de melismas que ela tende a executar sempre que consegue brechas para utilização da mesma nas suas interpretações.

Música secular não é o forte da artista, mas e se o fosse? Como classificaríamos a voz de Carrie? Eu diria que ela está próxima do Soprano Lírico amadurecido. Sua voz é rica em coloração dourada e é mais uniforme do que outros tipos de Sopranos. Mesmo Underwood posicionando sua língua erroneamente, na tentativa de cobrir a voz, para criar um timbre mais poderoso, como Christina Aguilera também o faz.


Este vídeo, em inglês, compara os timbres de Carrie Underwood e Jullie Andrews. Acho difícil alguém não saber, mas Jullie já foi um Soprano Lírico feroz na música popular. Há até um vídeo de extensão vocal dela, demonstrando controle sobre mais de três oitavas com conforto e virtuosismo. Embora Jullie não fosse de fato uma cantora lírica, ela era uma ótima cantora popular e tinha seu talento muito bem lapidado. Assista ao vídeo e perceba as semelhanças entre estes dois Sopranos. Se você quer saber mais sobre o Soprano Lírico, clique aqui.

Imagem do Photoshoot para o Álbum de Estúdio: "Blown Away".


Pontos Negativos:

1 - Posicionamento errado da língua, concentrando a ressonância da voz no palato duro, para soar mais agressiva e forte.


A busca de Carrie pela coloração texana, aquela que encontramos em Shakira, Yma Súmac, Georgia Brown, Kiesza e similares acaba atrapalhando-a na emissão de notas simples, por aumentar o peso sobre a nota. Uma tentativa não tão bem sucedida.

Solução: Relaxamento da língua, através de exercícios de boca chiusa, evitando: “sufocar a garganta com a língua”, nesta tentativa de cobrir a voz. Provavelmente Carrie aprendeu esse trejeito vendo outras cantoras o fazerem, como Christina Aguilera, P!nk e Anastacia. Embora essa busca pela voz de “Soul Music” seja algo comum entre todas as citadas, é errado forçar essa condição vocal. Atrapalha a ressonância dos registros e sabota o próprio artista que fica com o dobro de peso vocal e perde pontos na agilidade.

2 - Mais ressonância na Voz de Cabeça.


Por ser muito adepta ao registro misto, Carrie acaba “sufocando” a nota, no palato duro e suas notas em Voz de Cabeça perdem a pureza, se tornando mais uma Voz de Cabeça Mista conectada mais com a Cabeça do que puramente um mix.

Solução: Por ela usar muito pouco esse registro, ela não consegue impô-lo com mais presença, e seus agudos soam muito leves, mesmo Underwood jogando toda a pressão que consegue. Isso se dá pela falta de treino com a Voz de Cabeça. Registro superior feminino quase sempre é volumoso, principalmente em Sopranos Líricos. Vocalizes que trabalhem do F5 (Fá na Quinta Oitava) para cima, ajudariam a fortificar a base aguda e fazer suas notas altas neste registro terem mais corpo.

3 – Pressão em Voz de Peito Mista. Ela joga muita força para fazer notas intermediárias de Soprano, como um C5 (Dó na Quinta Oitava). Criando assim uma pressão vocal desnecessária e tendenciosa a danos futuros.


Underwood tenciona muito em notas altas mistas. Como no vídeo.

Solução: A resolução deste problema pode se dar através do fator combinado de relaxamento na emissão e mais uma vez do uso de vocalizes para trabalhar essa tensão nas notas e extingui-las de vez. Para Carrie, cantar em cima de C5 (Dó na Quinta Oitava) ou C#5 (Dó Sustenido na Quinta Oitava), não é alto. Ela consegue atingir notas mais altas usando Voz de Cabeça Mista, sem soar “esganiçado”. É uma pressão desnecessária que ela cria para notas simples.

Videos de Extensões Vocais da Carrie Underwood:


Obs.: Este foi o vídeo mais certinho que achei relativo a extensão vocal dela. Alguns contabilizam o Bb6 (Sí Bemol na Sexta Oitava), mas aquilo foi apenas uma exclamação vocal e exclamações não devem ser contabilizadas no Canto, porque não são notas virtuosas e muito menos melódicas.

Obs².: Vídeo feito por outro canal de vídeos.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

7.5.15

Análise Vocal - Adele

Postado por Harrison Max
Análise Vocal - Adele

Adele durante ensaio fotográfico para a Vogue.


Artista / Banda: Adele.
Classificação Vocal: Mezzo-Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Mezzo-Soprano Lírico.
Alcance Vocal: C3 – F#5 (Dó na Terceira Oitava – Fá Sustenido na Quinta Oitava).
Oitavas: 2 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: C3 – F#5 (Dó na Terceira Oitava – Fá Sustenido na Quinta Oitava).
Oitavas: 2 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Tessitura Vocal (Especulada): D3 – C#5 (Ré na Terceira Oitava – Dó Sustenido na Quinta Oitava).
Oitavas: 1 Oitava, 5 Notas e 1 Semitom.

Gêneros Musicais: RnB, Soul e Pop.

Obs.: O D6 (Ré na Sexta Oitava) é uma exclamação vocal em Falsete, e exclamações não entram em extensões vocais.

Se esta é a sua primeira visita ao site do Vocal Pop, utilize o nosso glossário musical para que possa entender todos os termos, clicando aqui.

Adele foi um dos grandes nomes do Reino Unido que se levantaram dos últimos seis anos para cá, a contar a partir de 2010. Embora tenha iniciado carreira desde 2006, o reconhecimento viera apenas anos mais tarde, em escala nacional através do: “19”, seu primeiro álbum de estúdio e posteriormente com o: “21”, que é considerado um dos melhores álbuns de música pop já produzidos.

O que causa fascínio nos fãs pela britânica é justamente o seu vocal robusto e o seu senso como compositora, que é muito aflorado. Sua sonoridade dispensa grandes efeitos fonográficos, e o que brilha em primeiro plano é a mescla de voz e emoção. Adele foi ao íntimo de cada um e sua voz ecoou pelas rádios de todo o mundo, pregando o amor e a superação, suas maiores bandeiras e tópicos que aborda em seu repertório, que aliás, é bem maduro e com um revestimento mais sério e formal.

Adele durante ensaio fotográfico para a Vogue.


Pontos Positivos:

Tanto em estúdio quando ao vivo, sua voz apresenta relativa potência no “mata-a-mata” com um microfone. – Lembrando que potência vocal é volume em decibéis – Por ter uma voz relativamente forte, ela consegue se fazer mais perceptível ao público sem grandes esforços.

Seu timbre, aliás, possui uma coloração de “soft-soul”, que tem por característica uma cor mais rouca e metálica. Mesma coloração vocal que você também encontra em outras intérpretes como: Etta James, Joss Stone, Mapei, Duffy e similares.


Sua voz rouca e os trejeitos de cantora de Soul são sempre evidentes. Ela nasceu para a Black Music.

Embora sua voz seja relativamente grave, cai por terra a afirmação de que Adele seja um contralto. O Vocal Pop já desmistificou o fato de que nem toda mulher que canta em tessitura mais baixa, seja automaticamente um Contralto. Há outros fatores que envolvem a classificação de uma pessoa, inclusive biótipo físico.

Em terras de Sopranos “gritadeiras”, Adele fez seus milhões cantando uma área pouco explorada até mesmo para a maioria dos Mezzos-Sopranos. Entre a terceira e a quarta oitava, ela estabeleceu sua região de conforto e é onde podemos vê-la brilhar por quase toda sua discografia.

Entretanto, mesmo que Adele atravesse a terceira oitava com sua Voz de Peito, nem toda a sua base grave é bem firmada, o que inclusive salientou problemas vocais que a cantora viera a ter, como um sangramento na garganta, que foi solucionado com uma minuciosa operação nas pregas vocais. Há quem culpe o cigarro, há quem culpe o fato dela descer demais com a laringe para produzir notas em cima do seu limite vocal. Eu acredito que o que culminou essa série de problemas nas pregas vocais, foi o misto de tudo isso.


Adele durante entrevista ao 60 Minutes do Canal CBS, falando sobre a hemorragia nas pregas vocais e como foi o tratamento de recuperação pós-cirurgia, onde ela fala que não podia falar por um mês e meio.

Falando em seu registro grave, que é inclusive foco em cena a maior parte do tempo, é nele que a artista atinge suas notas mais cavernosas, tendo aliás, por limite um C3 (Dó na Terceira Oitava), dó este grave, que está mais visível no repertório masculino do que propriamente no feminino. Embora a nota não seja a das mais cheias, é louvável que uma mulher encare a região masculina e consiga ter extensão até ela. Sua tessitura vocal para os graves começa em aproximadamente um Ré de Contralto, um D3. A partir desta nota para mais agudo, o som produzido por Adele, deixa de soar arrastado e com pouco volume e passa a ter mais corpo e presença. É quando ela entra na sua zona vocal de conforto na região grave.

Adele não é adepta a usar Voz de Cabeça Mista, dando cabo de todos os seus agudos com Voz de Peito Mista e Voz de Cabeça pura. Seu registro misto, conectado com sua Voz de Peito tende a começar em F4 (Fá na Quarta Oitava), quando os ressonadores da britânica reverberam de forma mais intensa para produzir notas como esta. O som deixa sua passividade total e se intensifica. A voz por trás de: “Rolling In The Deep”, consegue alavancar seu registro misto até um E5 (Mí na Quinta Oitava), sem grandes esforços, provando que ela controla de fato sua tessitura e mesmo tendo poucas notas, consegue ter uma emissão melhor de quem tem o dobro, o triplo de oitavas. Mesmo a britânica também tendo propensão a um G5 (Sol na Quinta Oitava), como demonstrado no vídeo de extensão vocal no rodapé desta análise, esta nota não é salubre e não deve ser válida.


O registro misto de Adele explode em cima de notas médio-agudas, como um Bb4 (Sí Bemol na Quarta Oitava) e B4 (Sí na Quarta Oitava), se tornando mais agressivo, à medida que ela vai mais agudo. A ressonância de seu registro misto é sempre muito “escancarado” e bem ressonante. Ela não tem medo de cantar em dinâmicas mais fortes e em notas mais altas.

Já sua Voz de Cabeça é utilizada estrategicamente para um som mais sereno e poético, como no refrão de: “Daydreamer”. Iniciando-se na quarta-oitava e estendendo-se até um F#5 (Fá Sustenido na Quinta Oitava). Lembrando que neste registro, Adele consegue executar tranquilamente até C#5 (Dó Sustenido na Quinta Oitava). Acima disso, ela carece de mais concentração para emissão das notas.

Ela não é adepta de grandes exibicionismos vocais, podendo claramente, executar algumas escalas de melismas em andamento mais ralentado, devido sobrepeso vocal que culmina em pouca agilidade. O vibrato de Adele se intensifica mais na Voz de Cabeça como auxiliador na emissão, ajudando-a a ter resistência para sustentar notas como E5 (Mí na Quinta Oitava) e F5 (Fá na Quinta Oitava), sem que o som oscile e semitone. Adepta também de Growl, ela tenta dar um ar mais selvagem ao som que já é metálico e intenso.


Aqui podemos ver um Mezzo-Soprano Lírico cantando um dos clássicos de Schubert, “Ave Maria”, peça operística livre para todos os naipes vocais. Assim como Adele, este Mezzo-Soprano Lírico possui uma voz mais leve e uniforme se comparado a um Mezzo-Soprano Dramático.

Embora a britânica não seja uma cantora lírica, em uma possibilidade remota, se o fosse, seria o que os teóricos classificariam como um Mezzo-Soprano Lírico. Um relativo Mezzo-Soprano que canta mais grave e tem uma Voz de Cabeça mais cheia que um Mezzo-Soprano Leggero, tendo o dobro de peso metálico em toda sua extensão, fora que um eventual volume também. Se você quer saber mais sobre este tipo de Mezzo-Soprano, clique aqui.


Adele durante ensaio fotográfico para a Vogue.



Pontos Negativos:

1 – A falta de peso vocal abaixo de D3 (Ré na Terceira Oitava). O som é quase inaudível.

Solução: Vocalizes que trabalhem do Ré para baixo para fortificar a base grave ou extinção de notas muito graves no repertório, para evitar dolo às pregas vocais.

2 – Salubridade no uso do Growl. Adele tem o hábito de raspar a garganta ao fazer um Growl mais “escancarado”.


Solução:  Vigilância na emissão do Growl, procurando sempre o topo das pregas vocais, ao invés de raspar como no pigarro.

Vídeos de Extensões Vocais de Adele:



Obs.: Vídeo de extensão vocal feito por outro canal de vídeos.
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