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segunda-feira, 29 de junho de 2015

29.6.15

O Que é, e Como Ter Uma Voz Potente?

Postado por Sávio Alves
O Que é, e Como Ter Uma Voz Potente?



Após a questão da potencia ser levantada pela cantora Pop Teen Selena Gomez o assunto não sai de pauta... Quem aí nunca viu e ou participou das milhares de enquetes nas mídias sociais sobre "qual divo (a) tem a voz mais potente?" sem nem ao menos saber o que de fato o significado da palavra potência? Antes de adentrar a etimologia da palavra vamos, antes, nos lembrar das aulas do ensino médio, onde aprendíamos as diferentes grandezas básicas, como a usada para medir o comprimento dos objetos (Centímetros, metros etc...) ou as usadas para medir o próprio tempo. Tendo estes aspectos em mente nós, definitivamente, não devemos dizer que uma porta mede 8 horas, certo? Poder, podemos, mas não devemos se o objetivo é ser entendido pelas pessoas ao seu redor, que já tem as citadas grandezas bem fixadas em mente.


Em música, potência diz respeito ao volume em decibéis que um instrumento pode ou não chegar (Parecido nas grandezas, lembra?), então quando virem estas postagens no Facebook não as levem tão a sério, pois só podemos verificar a potencia de um cantor com o medidor de decibéis bem pertinho da gente. Apesar do que se pensa, potência não diz respeito a sons altos e sim à altos, médios e baixos, dependendo do contexto. Se cantamos uma nota qualquer bem baixinho, a potência do som é baixa e não inexistente, se o fazemos alto a mesma é alta; uma voz potente é uma voz que é facilmente ouvida mesmo a grandes distâncias sem a necessidade de gritos. Já extensão e ou virtuosismo são questões que não está ligadas a potencia.



Comparando Interpretes

Se um cantor é dotado de uma excelente técnica e timbre, não necessariamente sua voz tem por obrigação dispor de potência estapafúrdia. Para tornar mais palpável este conceito vamos à música Pop e Erudita mostrar alguns exemplos de interpretes com timbre considerados, por um grande número de pessoas, maravilhosos e com uma técnica consideravelmente consistente, começando por Mariah Carey. Ouçam o áudio a seguir:





Mariah é um bom exemplo de cantora popular com técnica consideravelmente consistente e, de timbre belo, mas sua voz não necessariamente apresenta potencia absurda ao cantar. Na verdade trata-se de uma delicada voz que utiliza da estética do belting em acuidades altíssimas grande parte do tempo, com eventuais passagens pelo drive e growl. Agora uma interprete de música erudita, que mesmo cantando sem o auxílio de um microfone, por cima de uma pequena orquestra, é considerada uma interprete de voz "pequena" (Menos potente).



Viram? São vozes delicadas que não deixam de ser bem treinadas. Agora vamos as vozes naturalmente potentes. Como nos exemplos anteriores, apresentaremos famosos interpretes populares e eruditos que apresentam timbres e técnicas consideravelmente consistentes. Começaremos com o áudio a seguir, trata-se de uma interprete de voz dramática, interpretando uma pesadíssima peça do compositor alemão Wagner, por cima de uma pesadíssima orquestra (Aprox 100 instrumentos) sem o auxílio de um microfone:





Isto é uma voz absurdamente potente. Como podem ouvir, até mesmo a região média é extremamente audível mesmo em condições adversas. Na verdade, a interprete principal não é o Soprano Birgit Nilson, mas a interpretação é maravilhosa o suficiente para ignorar a gafe do título. Agora vamos a uma voz extremamente potente na música Pop, tendo como escolhida Panda Ross:






Som Gordo e Insalubridade

Uma questão que muito aflige cantores, principalmente populares, é o que gostamos de apelidar aqui no Vocal Pop de "som gordo". O som gordo, ao contrário do som potente, trás a você, enquanto canta, a impressão de que trata-se de uma voz de grande magnitude, mas na verdade não passa de uma voz onde o interprete usa de extremo sobrepeso, uma ressonância de peito forçada em acuidades desfavoráveis e abaixamento incorreto da laringe com o auxílio da base da língua... Tudo muito técnico e abstrato, certo? Em uma linguagem mais popular pode-se dizer que: O cantor enfia a língua na garganta e grita o tempo inteiro, a fim de produzir um som potente. O custo desta técnica insalubre? Segue a listinha:

* Perda considerável da região aguda, principalmente no registro de cabeça e ou apito.
* Graves mais soprosos e fracos.
* Maior propensão a quadros patológicos graves.
* Dificuldade na sustentação das notas e ou leggatos.
* Tensão evidente ao cantar, interferindo consideravelmente na interpretação e muitos outros.
* Perda de potência vocal em longo prazo.

Não podemos deixar de passar por este tópico sem citar A Voz da Geração 2000, Christina Aguilera. Xtina é naturalmente um Soprano, não existem dúvidas a respeito disso, mas como muitos interpretes populares um timbre diferente do natural é almejado por questões diversas. Christina usa sim de técnicas insalubres para produzir o som áspero e rico que ouvimos em muitas performances, porém é algo produzido com conhecimento prévio das consequências que o "som gordo" pode trazer a seu canto, já que a mesma consegue cantar até os dias atuais com a voz sem sobrepeso e a predominância de ressonância de peito em todo sua extensão vocal. O vídeo a seguir elucida muitos destes tópicos, porém, infelizmente, está em inglês: 



Como Ter Uma Voz Mais Potente? 

O primeiro de tudo é conhecer o próprio instrumento e estilo ao qual interpreta. Você, canto popular de MPB, não pode almejar dispor da potencia necessária no canto musical como objetivo palpável com respeito as limitações do estilo ao qual você escolheu seguir, e o mesmo vale para todos os estilos que sonham em se equiparar a potencia dos cantores eruditos (Cantores de ópera). Dispor de um instrumento menor (Voz menos potente) não desqualifica um interprete, já que o que as grandes vozes dramáticas esbanjam as líricas podem conseguir de forma mais modesta (Porém válida) com treino, como conseguiram as duas boas interpretes citadas no começo deste artigo. Algumas vozes são mais leves, ágeis e agudas (Líricas e ou de Coloratura), outras são mais potentes, metálicas e resistentes (Dramáticas) e outras são ágeis, explosivas e resistentes (Coloratura Dramática), mas todas tem seu valor e podem apresentar potência salubre.

A segunda questão a ser levantada em conta é conhecimento de técnica vocal convencional. Ser guiado por um bom profissional que entende suas dificuldades, qualidades e desafios é algo que conta ao extremo. Existem casos onde jovens cantores acreditam dispor de uma voz extremamente leve e delicada, quando na verdade não sabiam como treinar uma voz que naturalmente é dramática e vice-versa. Um dos aspectos que mais contribuem para alavancar a magnitude de uma voz é o controle respiratório e o apoio, tendo estes dois extremamente bem trabalhados, sua potência vocal pode, no mínimo, "aumentar de tamanho" em duas vezes... Ou vocês acham que cantores de ópera cantam para milhares de pessoas em um teatro sem microfone sem um bom suporte?

A última questão geral é a língua, principalmente sua base. "Engolir" a própria língua para cantar nunca é legal, e ao contrário do que se pensa diminui a potência da voz do interprete consideravelmente e trás consigo os aspectos que citei acima. Tendo isso em mente, as casas de ópera da Europa são o céu para a potência de vocês!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

17.6.15

Análise Vocal - FKA Twigs

Postado por Sávio Alves
Análise Vocal - FKA Twigs



Artista /Banda: FKA Twigs.
Classificação Vocal: Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Jovem Soprano Lírico. 
Alcance Vocal: E3 – F6 (Mí Três - Fá Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 1 Semitom.

Voz Plena: E3 – C#6 (Lá Dois – Dó Sustenido Seis).

Oitavas: 2 Oitavas, 5 Notas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: E3 – E6 (Mí Três - Mí Seis).

Oitavas: 3 Oitavas.

Alcance Ao Vivo:  E3 – E6 (Mí Três - Mí Seis).

Oitavas: 3 Oitavas.

Tessitura Vocal (Especulada): Bb3 – G5 (Sí Bemol Três - Sol Cinco).

Oitavas: 1 Oitava , 5 Notas e 1 Semitom. 

Gêneros Musicais: Pop Alternativo, Música Experimental.  


Famosa por sua sonoridade sensual, experimental e delicada, FKA Twigs é uma interprete com forte personalidade, que busca sua individualidade artística através da moda, dança e música nos dias atuais. Sua voz é de pequeno tamanho, com um timbre delicado, quente, jovial, sensual e aveludado, com sua atual condição vocal se encaixando com mais fidelidade entre o naipe dos Sopranos.

Por conta da pouca quantidade de performances disponíveis em qualidade significativa, estas notas são passíveis de mudanças por conta do curto período de atuação e desenvolvimento da interprete. Vale ressaltar que na atribuição das mesmas também foram levados em conta aspectos como tempo de atividade, repertório e idade da interprete. 

Classificação Vocal

Por dispor de uma voz tão aguda, de tessitura 
Bb3 – G5 e coloração delicada não restam dúvidas que trata-se de um Soprano 1. Levando em conta o famoso sistema fach, o tipo de Soprano que, semanticamente, dispõe de mais características próximas da de Twigs é o Jovem Lírico, e por dispor de uma agilidade considerável mesmo sem treinamento erudito aparente creio que exista certa propensão a coloratura. O sistema fach não é aplicável com total fidelidade a vozes populares, por isso não é aconselhável afirmar que Twigs é um legítimo Jovem Soprano Lírico Coloratura, mas utilizamos esta classificação como parâmetro para melhorar separar os tipos vocais aqui apresentados. Um exemplo de perfeito Soprano Lírico Coloratura é senhora Ingeborg Hallstein.


Registros

Em baixo, ou seja, na voz de peito, Tahliah, de forma alguma, segue o costumeiro esteriótipo de "leve Soprano de graves débeis abaixo do Centro C". Mesmo em maturação e com um registro superior vívido, sua voz de peito é consistente até por volta do E3, em estúdio, e F#3 em performances ao vivo. Não sendo adepta do registro misto em notas extremamente agudas, a voz de peito pura, ou até mesmo a de cabeça, assume o papel de trazer vigor e exaltação à suas canções, com pouquíssimas demonstrações vocais do topo da quarta, e nenhum da quinta oitava. 




Quente, delicado, de pequeno tamanho, com grande extensão e fácil emissão são perfeitos apontamentos a se fazer ao registro agudo de Twigs em sua primorosa voz de cabeça - que impera a maior parte do tempo em seu sensual e contrastante repertório - e demonstra ser o registro mais virtuoso de seu canto, com rápidos e consideravelmente precisos staccatos. Neste registro o Soprano já atingiu, com salubridade e perícia, diversos Mí de Soprano duas oitavas acima do centro C (E6) ao vivo em rápidos staccatos e começa a utilizado mesmo em uma região considerada grave para uma interprete de música Pop (Por volta de um A acima do Centro C).


FKA Twigs - Voz de Cabeça
FKA twigs é uma das deusas Sopranos do Staccato na música Pop! Este trecho de "Pendulum" demonstra bem seu valoroso registro misto, que é pouco explorado, mas é deveras qualitativo e agradável, assim como sua voz de cabeça, que é de longe seu mitiê. ~ Sávio
Posted by Vocal Pop on Quinta, 19 de fevereiro de 2015

Pontos Negativos

Sua voz, na região média, não apresenta padrões ótimos de emissão desde o momento em que perceptível revés toma conta da cena em andamentos rápidos e ou muito graves (Longos). Aparentemente os extremos não são dificultosos para Tahliah, mas a região média de pequeníssima magnitude e baixíssima emissão, com certeza, ainda é um aspecto que necessita de melhorias significativas.


Solucionando os Pontos Negativos 

A única forma de corroborar a região média da voz do jovem Soprano é treinando-a e dando a mesma tempo para crescer em termos de volume e riqueza, já que, apressar o processo de maturação de uma voz não é algo aconselhável, o que não é uma válida desculpa para deixar de trabalhar a região a fim de produzir um som mais ressonante, rico e potente. Uma interprete, também Soprano de pequena voz, com uma região média consideravelmente mais evoluída é a britânica Lily Allen.




Vocal Range

Vídeo da extensão vocal de FKA Twigs, em Full HD, inteiramente produzido pelo Vocal Pop no ano de 2014.



domingo, 24 de maio de 2015

24.5.15

Análise Vocal - Yma Sumac

Postado por Sávio Alves
Análise Vocal - Yma Sumac


Artista / Banda: Yma Sumac.
Classificação Vocal: Soprano - Contralto.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Soprano Sfogato.
Alcance Vocal: E2 - Bb7 (Mí 2 – Sí Bemol 7).
Oitavas: 5 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: E2 - B7 (Mí 2 – Sí Bemol 7).

Oitavas: 5 Oitavas e 4 Notas.

Alcance Ao Vivo: D3 - F#6 (Ré Três – Fá Sustenido Seis).

Oitavas: 3 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom.

Tessitura Vocal (Especulada): E3 - G5 (Mí 3 - Sol 5).

Oitavas: 2 Oitavas e 2 Notas
Gêneros Musicais: Música Exótica Peruana, algumas árias do período romântico.

Se esta for sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.




Yma Sumac foi uma das maiores cantoras de todos os tempos, tendo sido listada por nossa equipe como a melhor cantora não erudita de todos os tempos em uma lista com 100 nomes ilustres. Yma era uma interprete de técnica primorosa, aprendeu a cantar com os pássaros na montanhas do Peru e foi descrita pelos mais diversos críticos de seu tempo como: Uma mulher de elegância extrema, de ar misterioso em performance com uma beleza digna da realeza do povo Inca. Apesar da origem conseguiu superar o preconceito nos Estados Unidos da América e se tornou uma célebre interprete de música exótica peruana fazendo turnês até mesmo na Rússia; Yma faleceu no fim de 2008, aos 86 anos de idade.


Timbre e Registros


Seu timbre pode ser descrito como de grande variação de cores entre o registro de peito e de cabeça. Senhora Sumac utilizava costumeiramente do contraste da região grave com a aguda, o que lhe rendeu comparações com uma "sereia e um terremoto na mesma mulher" e neste vídeo - inteiramente produzido por nossa equipe - podes conferir senhora Sumac demonstrando todos os registros do qual cantava e algumas de suas singulares técnicas com as notas executadas na lateral esquerda com seus devidos registros:




Seu registro agudo era extremamente extenso, plástico, delicado e de baixa emissão. Nesta região Yma desenvolveu técnicas de agilidade extrema como seu famoso trinado ultra veloz e seus staccatos precisos. Na região ultra aguda (Whistle) Yma tende a utilizar mais de notas longas com ou sem trinado sem esbouçar o mínimo sentimento de revés, mesmo ultrapassando em mais de uma oitava a região de conforto de um Soprano comum.




O registro médio é demonstrado em voz de cabeça, como uma cantora erudita - Coisa que Yma Sumac de fato não era, apesar de já ter interpretado algumas árias do período Romântico em estúdio. Sua coloração era predominantemente quente e delicada, com possibilidade de maior poder em clímax raramente demonstradas, já que peças dramáticas não faziam parte de seu seleto repertório. 


A região grave é escura, extensa e entubada, trazendo certa tensão em sua execução a fim de produzir um som mais ressonante e poderoso. Yma adentrava a região masculina neste registro com competência considerável para uma mulher, porém é perceptível que a base de sua língua, única e exclusivamente nesta região de sua voz, é forçada para baixo, empurrando bruscamente a laringe para produzir um som mais escuro e rico.


Pode-se dizer que Yma foi uma interprete com uma voz extremamente singular que não se adéqua com fidelidade a nenhuma categoria do sistema fach. Aparentemente um Soprano com aptidão a cantar na região do Contralto Lírico, esta interprete dispõe de características híbridas muito forte em seu timbre, abrindo margem para especulações ainda maiores a respeito de sua classificação vocal.

Pontos Negativos

O único ponto do canto de Yma Sumac que pode ser lucidamente apontado como fora dos padrões ótimos de execução é a citada tensão na base da língua em seu registro inferior. Uma adepta, mesmo que inconsciente, do cuperto, com uma emissão tão livre e maleável com certeza utiliza desta técnica peculiar por questões puramente artísticas (Como na famosa estética de canto tejana). 


Extensão Vocal e Vídeo


Todas as notas relevantes executadas por Yma podem ser conferidas no rodapé deste artigo, mas segue um parágrafo sobre sua gama vocal. A extensão vocal controlada de Yma Sumac em estúdio é uma das maiores, mais virtuosas e comentadas de todos os tempos. A versão de 2015 do Guiness Book a coloca ao lado de Georgia Brown como a anterior detentora do record de maior extensão vocal do mundo (Acreditava-se que Mariah Carey era detentora do record, mas a última versão do livro está aí para provar que a mesma não detinha oficialmente o record). Ao todo sua gama vocal soma 5 Oitavas, 3 Notas e 1 Semitom, porém a procedência do E2 (Centro C sendo o 4) é discutida por fãs e teóricos da área por conta da qualidade de gravação da faixa "Cumbe Maita" de seu álbum debut. Já a nota mais aguda já gravada em estúdio é um Bb 3 Oitavas acima do centro C (Bb7) no registro de apito de Yma na canção "Karawi". Não adepta do mix, em pura voz de peito, Yma não ia longe e se mantinha na faixa usual de um Tenor se estendendo até um B4 sem cobertura na faixa "Monos". Abaixo podes conferir um de nossos primeiros vídeos corroborando as informações deste parágrafo:



quarta-feira, 20 de maio de 2015

20.5.15

Análise Vocal - Kylie Minogue

Postado por Harrison Max
Análise Vocal - Kylie Minogue

Imagem do Photoshoot para o álbum de estúdio: "Aphrodite".

Artista / Banda: Kylie Minogue.
Classificação Vocal: Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Soprano Soubrette.
Alcance Vocal: D3 – Eb6 (Ré na Terceira Oitava Oitavas – Mí Bemol na Sexta Oitava).
Oitavas: 3 Oitavas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: D3 – Eb6 (Ré na Terceira Oitava Oitavas – Mí Bemol na Sexta Oitava).
Oitavas: 3 Oitavas e 1 Semitom.

Tessitura Vocal (Especulada): F#3 – E5 (Fá Sustenido na Terceira Oitava – Mí na Quinta Oitava).
Oitavas: 1 Oitava, 5 Notas e 1 Semitom.

Gêneros Musicais: Pop, Dance-Pop, Synthpop, RnB e Trip-Hop.

Se esta é a sua primeira vez no Vocal Pop, acesse o nosso Glossário Musical para ficar a par dos termos utilizados nesta análise vocal, clicando aqui.

Eu mentiria se dissesse que Kylie Minogue não influenciou décadas. Sua voz leve, bradou sucessos que não saíram das rádios tão cedo. Foi uma das primeiras artistas conceituais no meio popular a se tornar facilmente reconhecida e disputava nas rádios com outras grandes artistas como: Madonna e Cyndi Lauper.

É difícil falar sobre quem tem décadas de carreira e influência direta ou indireta sobre o cenário musical por simplesmente ser quem é. Da contagiante: “Can’t Get You Outta My Head” a “Your Disco Needs You”, a rainha do disco não precisou impor sua presença para se tornar relevante. O tempo mostrara suas inúmeras facetas que iam além da música e passavam pela filantropia, letras, artes dramáticas, design e produção artística.

O foco de fato, não é a biografia de Minogue e sim a sua voz e a sua técnica vocal que serão colocadas em pauta hoje. Descobriremos juntos a receita do sucesso da Rainha do Dance-Pop, que ainda não vivera metade de um século e já realizara tanto por mais de uma vida.

Imagem do Photoshoot para o álbum de estúdio: "Aphrodite".


Pontos Positivos:

Embora a australiana tenha chegado a idade 4.0 a mais de seis anos atrás, sua voz permanecera muito jovial. O timbre é característico de uma subdivisão dentro do Soprano chamada: “Soprano Soubrette”, mas especularei classificações pelo sistema Fach depois. Vamos ao timbre por hora!

A leveza é sempre predominante. O que de fato, demonstra que Kylie obtivera uma boa longevidade vocal com tantos anos de carreira.


No vídeo acima, Kylie canta um trecho de: “Can’t Get You Outta My Head” durante o GLAAD Awards de 2014, uma premiação LGBT. Uma curiosidade? Minogue é ativista das causas LGBTs, sendo um dos símbolos mais presentes na luta contra a opressão da classe em questão. Ela é porta-bandeira e por isso, é muito querida entre os LGBTs.

Seis anos após o início da carreira musical, em 1984, Kylie já demonstrara ser um Soprano levíssimo, com uma voz extremamente brilhante e clara. O timbre prateado, permanecera limpo (até hoje), tendo seus breves momentos brandos, sem grandes interferências na dinâmica. Por ter uma voz leve, o Soprano conseguira cantar em mp (mezzo-piano) e p (piano) com facilidade natural. É de fato, uma voz que atinge notas altas com pouco peso vocal, o que dá um aspecto angelical a sua voz e uma sensação de conforto e paz interior. Embora Kylie tendo algumas canções mais “fortes”, com batidas energizadas, sua voz brilhava no teto da melodia, mas não necessariamente se tornando um elemento paralelo, era encaixável sem a imposição do ato. Natural como a luz do dia.


Durante cover acapella de: “Borderline”, de Madonna, em 1984, como no vídeo acima, a australiana demonstrara a leveza do timbre, que brilhava em primeiro plano. Nessa época, sua voz já estava amadurecida e fixada dentro do Soprano.

Dando a “cara-a-tapa”, a artista entra na região do Contralto em Voz de Peito, tendo por limite vocal demonstrado, um D3 (Ré na Terceira Oitava). Sua Voz de Peito, só vem a ganhar o devido destaque a partir do F#3 (Fá Sustenido na Terceira Oitava), onde a região grave passa a soar de forma mais forte. A artista entra em tessitura vocal nesta nota.


Kylie em um trabalho recente: “Right Here, Right Now”, com o DJ e produtor Giorgio Moroder. Ela utiliza A3 – B5 (Lá na Terceira Oitava – Sí na Quinta Oitava) nesta canção.

Não é que Minogue não possa cantar com conforto na região grave de sua gama vocal. Ela até pode e executa bem até o seu extremo, entretanto, assim como quase todo Soprano, ela valoriza mais suas notas altas do que baixas e canta sempre no topo da tessitura.

Adepta tanto de Voz de Peito Mista, quanto Voz de Cabeça Mista, a artista sabe unifica-los a sua técnica vocal apropriadamente. Sua Voz de Peito Mista tem uma coloração leve, mesmo sendo um genérico da Voz de Peito com mais presença. Em muitos cantores, a Voz de Peito Mista sempre tende a soar absurdamente volumosa/potente e com muita energia. Mas pelo fato de Kylie ter uma acuidade alta e leveza no timbre, até a sua Voz de Peito Mista soa frágil.


Um dos inúmeros sucessos da australiana demonstrando o início da Voz de Peito Mista dela, em G#4 (Sol Sustenido na Quarta Oitava).

Sua Voz de Peito Mista tem por término um Eb5 (Mí Bemol na Quinta Oitava), acima disso, ela começa a utilizar Voz de Cabeça Mista para dar cabo de todos os agudos que tem propensão usando o mix.


Kylie atingindo sua nota mais alta em Voz de Peito Mista, um Eb5 (Mí Bemol na Quinta Oitava).

Sua Voz de Cabeça Mista é um pouco mais aerada e “lírica” do que o misto com o registro inferior. A turnê: “Kylie: Aphrodite Les Folies”, foi responsável por demonstrar ao público as notas mais altas da australiana que sempre recorria aos agudos mistos ou de Voz de Cabeça pura para enriquecer suas canções. Minogue não é adepta de usar os agudos mistos com o registro superior em notas baixas. Dificilmente você a verá executar um C#5 (Dó na Quinta Oitava) mixando com a Cabeça. Ela prefere executar suas notas mais agudas em mix neste registro, por ser mais confortável. Usando E5 (Mí na Quinta Oitava) de ponte, a hitmaker consegue ir com conforto até um cheio F#5 (Fá Sustenido na Quinta Oitava).


Minogue atingindo E5 (Mí na Quinta Oitava) e em seguida um F#5 (Fá Sustenido na Quinta Oitava), sua nota mais aguda em Voz de Cabeça Mista.

A leveza e sutileza de sua voz, nas notas altas extremas, fica a cabo de sua belíssima Voz de Cabeça, que desde o início da carreira da cantora, é utilizada para breves momentos suaves, onde a linha poética exige assopro e não mordidas. Kylie consegue de fato executar notas da quarta oitava usando a Voz de Cabeça, mas consegue ir além. Bem além. Ela é uma cantora que exclama bastante no palco e não considero válidas essas notas que não são melódicas e nem tem virtuosismo. O que é de fato válido, é o que ela consegue dominar. Sua gama vocal chega a um fortíssimo Eb6 (Mí Bemol na Sexta Oitava) em Voz de Cabeça. Tudo que está acima disso, seja Falsete, Registro Apito ou propriamente a pura Voz de Cabeça, não tem uma qualidade necessária para ser posto a mesa, como prova da perícia da artista sobre o registro superior.


Uma compilação de notas agudas em Voz de Cabeça, da Minogue, feito por nossa equipe, indo de C5 até C#6 (Dó na Quinta Oitava – Dó Sustenido na Sexta Oitava).


Sua nota mais aguda em Voz de Cabeça, ao vivo, é Eb6 (Mí Bemol na Sexta Oitava), como no vídeo acima!

Suas técnicas vocais complementares são simplórias para os gêneros musicais que tende a cantar. A australiana consegue realizar quebras vocais interessantes, uma coisa muito comum de vermos em cantoras do gênero: Pop. É importante frisarmos que, embora Kylie seja uma cantora: “Old School”, com mais anos de carreira que Madonna, os gêneros que canta nunca exigiram dela, grandes malabarismos vocais, e uma técnica espalhafatosa cheia de impressionismos e etc... E indo a contraponto nós sabemos que se ela quisesse poderia demonstrar todos os floreios que estaria disposta a executar em suas canções.

Entre os floreios da performer, está o Vibrato bem colocado e a postura correta com seu registro superior que é sempre rico e bem ressonado.

De certo modo, Kylie foi agraciada pelos deuses por ter nascido um Soprano muito leve. Ela não precisa se esforçar tanto para chamar a atenção do público pela sua acuidade vocal. Até em um jazz simples ela consegue hipnotizar pelo timbre que tem:


Não poderia deixar de brindar à Minogue, pela nova roupagem que ela deu a: “Slow”, que ficou mais sensual e provocante.

Imagem do Photoshoot para o álbum de estúdio: "Aphrodite".

Pontos Negativos:

1 – Falta de peso vocal no registro misto:


Kylie executando um D5 (Ré na Quinta Oitava) em Voz de Cabeça Mista, na canção com Moroder: “Right Here, Right Now”.

Solução.: Exercícios de "NG" para fortificar essa região vocal. Mais sobre "NG" aqui. Por ela ser um Soprano muito levinho, quase tudo que ela canta vai ter pouco corpo. Mas isso não pode ser desculpa para a falta de peso sobre as notas. Nós sabemos que existem técnicas para encorpar a voz.


Vídeos de Extensões Vocais de Kylie Minogue:



Obs.: Vídeo feito por outro canal de vídeos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

19.5.15

Dinâmica, Presença de Palco e Interação Público-Cantor.

Postado por Sávio Alves
Dinâmica, Presença de Palco e Interação Público-Cantor.


Não só de afinação será feito o cantor. A música, como todo o tipo de arte, exige que seu autor envolva o espectador para além da técnica (que muitas vezes é a chave para alcançar os outros pontos), essa capacidade de transformar a canção em algo imersivo, beira a diegese cinematográfica e muitas vezes acaba sendo o maior desafio quanto intérprete: trazer a música para além do plano separado de notas e harmonias distantes para uma narrativa ou contextualização que toque o ouvinte.




Em primeiro lugar, é importante que o intérprete saiba dosar e alternar o volume de voz usado na música de acordo com os momentos e intenção da mesma. Essa capacidade muitas vezes é fruto de um bom apoio diafragmático e respiratório, isso porque a modulação da voz é sempre dependente desses fatores. Essa aplicação da dinâmica à canção cantada confere ao projeto maior coesão e evita que ela fuja de seu objetivo e se torne maçante e desagradável (Mas, é claro, o objetivo pode ser exatamente este, reforçando a necessidade de entender o funcionamento da dinâmica). Para que isso aconteça a voz deve ser preparada para a alternância de intensidade e a música em questão estudada em termos de objetivo, carga emotiva e público, além de um bom trabalho em cima das colorações, que enriquecem o produto final, principalmente em apresentações ao vivo.

Um exemplo de boa aplicação da dinâmica pode ser visto na música “Black Ninja”, da banda Battle Beast, onde a vocalista traz colorações diferenciadas para os momentos da canção, que vai do vocal passivo do início até as explosões em vocal drive do refrão:



Já o canto erudito o Requiem de Verdi possui pianos dificílimos, principalmente para vozes grandes, como a de Leontyne Price, confira:



E mais que somente voz, o cantor também se faz no corpo, corpo este que deve estar sempre bem preparado para o palco e para sua proposta musical, deve receber atenção tal qual o aparelho fonador em si: do cuidado com a alimentação, à exposição ao mal tempo – que deve ser evitada-, trabalhos de respiração e vocalizes, a boa forma e à atuação.  Quando está se apresentando frente ao público o intérprete deve carregar consigo toda a aura quase mística que envolve os processos musicais. Os devidos preparos físico e vocal normalmente culminarão em uma forma comunicativa eficiente se aliados a inteligência emocional requisitada pelo ritmo entoado. Pode acontecer de o cantor se preocupar/focar na questão técnica da canção e se perder quanto a presença de palco, sem trazer à tona o senso poético que a arte se alimenta, o que não contagia o público e mata todas as possibilidades que a música traria. 
Anna Netrebko é um exemplo de cantora erudita que traz o equilíbrio de todos os itens citados, voz e corpo se fundem na intepretação do personagem.



Na música popular esse empenho em manter boa movimentação de palco e conservação da voz pode ser observada com a cantora Anneke, atualmente encabeçando o projeto The gentle storm com Arjen:


Pink também é lembrada por esse bom casamento de intenções e técnica:



Ainda nesse quesito, Beyoncé, Mariah Carey, os integrantes das bandas Diablo Swing Orchestra e Therion são boas citações que preenchem esses quesitos.


Também existem aqueles que sacrificam o desempenho vocal, com um canto nem sempre salubre, para que o público sinta a energia necessária que o artista deseja. Christina Aguilera, Joakin (Sabaton), Tarja Turunen, Amy Lee são lembradas pelos fãs por entreterem com louvor os presentes em suas apresentações.
Claro que não estou dizendo que pra uma apresentação boa seja sempre necessário um cantor super ativo no palco, com movimentação exagerada, o que deve ficar claro é que a maneira como cada intérprete se apresenta seja coerente com aquilo que ele intente passar, seja calmaria, amor, fúria... tudo que ele fizer frente ao público servirá para adicionar ou atrapalhar o show.

Por isso é de extrema importância manter o equilíbrio corpo-mente, os que fazem uso da voz podem não estar aptos para cantar/atuar/dublar em situações extremas de humor, doença ou fadiga (mental ou corporal), sendo assim o Vocal Pop sugere  a constância em exercícios aeróbicos e nos estudos musicais e artísticos. (Recomendo yoga, natação, mergulho e/ou danças) para maior proveito do seu instrumento, esteja sempre atento aos artistas que o cercam e como eles se comportam (em termos vocais e presenciais) para que o aprendizado seja ainda maior, vendo erros e acertos de terceiros.

Para maior proveito e aprendizado do texto, sugiro a visitação dos seguintes links:

Vocubulário: Significado de diegese. 

Aprendizado e aplicação: Dinâmica.
Aulas de yoga: Iniciantes.
Canais com conteúdo de técnica vocal: Pop e Erudito.

Texto integralmente escrito por Isabela 
Rhodes. 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

14.5.15

O Estudo do Drive com Ariel Coelho

Postado por Sávio Alves
O Estudo do Drive com Ariel Coelho


A angelical Isa conseguiu entrar em contato com Ariel Coelho para tirar as dúvidas específicas de técnica vocal contemporânea - com enfoque nos drives - dos membros de nosso grupo e listou algumas perguntas registradas no tópico. Para participar da seleção de futuras perguntas para entrevistas com professores especializados em certas técnicas/efeitos/períodos/estéticas basta clicar aqui e solicitar à entrada. Ariel Coelho é membro da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa) e da The Voice Foundation (EUA); é o fundador e principal expoente da Antropofisiologia Vocal; coordena o Curso Livre de Técnica Vocal Aplicada ao Rock e o Instituto ROCK VOICE (IRV); é o lead vocal das bandas CODA Classic Rock e Brazilian Pink Floyd.


Dúvidas dos integrantes do grupos e tópicos frequentes.


Victor Dayube - (1) Toda voz pode desenvolver qualquer um dos tipos de drive? (2) Há algum desgaste ou algo que seja prejudicial mesmo fazendo uso das False cords? (3) Onde o fry entra nesse trabalho com os drives, já que muita gente diz que é um dos recursos para se desenvolver um tipo de drive?

Ariel Coelho:
(1) Sim. (2) Não, desde que a técnica esteja sendo executada de modo correto e que os músculos envolvidos estejam bem condicionados. (3) O Vocal Fry que em si não e um drive vocal, entra como parte do processo de treino de alguns drives enquanto “memória de acesso”, em particular para os glóticos, como o creaky voice.


Gabriel Freitas "Qual o procedimento/dicas/estudo necessário , para desenvolver um Drive similar ao de Adam Lambert ,"arranhado" como de um cantor de rock , porem se adequando a música pop?"

Ariel Coelho:
 Os drives não são usados apenas no rock. Os drives são esquemas compostos (mais conhecidos como efeitos vocais) que produzem o efeito percepto-adutivo de distorção sonora da voz. E o Adam Lambert, tanto quanto outros tantos vocalistas de rock e de pop, se vale dos drives glóticos. O processo é o mesmo: sensibilização proprioceptiva para os músculos envolvidos, condcionamentos destes músculos, memória de acesso, treino das estratégicas de sobreposição e fixação das memórias dos ajustes e finalmente treino das estratégias de transposição antropológica dos ajustes para o canto em si.


Alexandre Rodrigues:
Como fazer um bom drive sem ser "borrado" e "forçado" como o de Beyonce?

Ariel Coelho:
 Existem muitos drives (glóticos, supraglóticos e mistos), de modo que cada um pode escolher aquele que mais se adequa ao seu estilo, ao seu gosto. Ou seja, o negócio é estudar todos e escolher o(s) mais adequado(s) aos seus propósitos.


Vinicius Brandalise:
O fry é realmente benéfico para o drive?


Ariel Coelho:
 Sim, o Vocal Fry além de fazer parte do processo de treino, consitui-se num exercício isométrico para alguns músculos laríngeos utilizados na execução dos drives glóticos.


Diversos Membros:
Quais os tipos de vocal gutural?


Ariel Coelho: 
Sobre essa questão, sugiro a leitura da entrevista que segue: 


Diversos Membros: Como saber que meus drives são salubres?

Ariel Coelho:
 O primeiro sintoma negativo a ser detectado na execução dos drives é a ocorrência de irritações na laringe por constrição dos músculos (vulgo drive “serrote”), que podem desencadear reações de tosse e mesmo de lacrimejamento. Outros sintomas importantes são perda de eficiência dos demais comportamentos vocais sem os drives, fadiga generalizada e ressecamento excessivo das pregas vocais.


Diversos Membros:
 Quais cantores são exemplos de boa execução da técnica?

Ariel Coelho:
 Sobre essa questão, sugiro um tour por este site, clicando aqui.

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