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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

12.2.16

Lista Vocal Pop das 7 Maiores Musicistas de Todos Os Tempos

Postado por Sávio Alves
Lista Vocal Pop das 7 Maiores Musicistas de Todos Os Tempos


Por séculos, na música, as mulheres foram privadas de demonstrar e aprimorar suas aptidões ao público. Apesar de hoje serem os produtos que mais brilham na cultura Pop, as mesmas ainda são minoria entre os grandes figurões das gravadoras e entre os compositores de prestígio inestimável. Visando a pluralidade o Vocal Pop selecionou não só artistas contemporâneas como também antigas interpretes e compositoras, englobando Europa, América (Sul e norte) e Ásia em uma só postagem. Preparem a pipoca e o suco natural (Refrigerantes é muito ácido para nós, cantores) porque a playlist de emponderamento feminino chegou...


Chiquinha Gonzaga

A surpresa é grandiosa em uma lista demonstrando o poderio feminino na música quando vem com uma brasileira, pouquíssimo conhecida em seu país de origem fora do ciclo dos estudiosos da música, logo ao topo numa lista de melhores de todos os tempos. Chiquinha foi maestrina, pianista, compositora, violonista, mulher competente, a frente de seu tempo, polêmica, cheia de segredos e boas composições, sendo a rainha dos chorões e a maior musicista de todos os tempos... A primeira maestrina de nosso país.

Chiquinha Gonzaga se tornou um simbolo de inteligência e astúcia por ser engajada em movimentos sociais que visavam a abolição da escravatura e a conquista da república; suas ações transcenderam a música popula brasileira. Aos 87 anos de idade Chiquinha Gonzaga morreu deixando 77 peças teatrais e mais de 2000 composições musicais devidamente documentadas em partituras.


Maria Callas

A sublime atriz vocal, a interprete que mudou drasticamente o comportamento dos performers on stage após sua passagem pela música mundial, Maria Callas. Além de sua rara voz de Soprano Dramático Coloratura, Maria conquistou o patamar de Soprano Absoluto por conta de suas aptidões cênicas, que não limitava-se ao olhar superficial sobre uma peça musical, mas aprofundava cada nota, do recitativo as árias, com um olhar do ponto de vista do eu lirico e das condições que rodeavam o mesmo... Da cena da leitura da carta, em Lady Macbeth de Verdi, a cena do lamento em Lakmé, Maria sempre encontrava uma maneira de introduzir a cena uma carga dramática pertinente.

Maria Callas e talento em uma mesma frase redem um caso grave de redundância. Tenho consciência que o vasto mundo erudito é estereotipado entre os leigos, que pensam que o mesmo se trata apenas de mulheres gordas cantando com a voz de cabeça como se tivesse uma batata quente na boca, mas, como um amante do gênero, confidencio a vocês, meus leitores, que cada período da música, cada compositor, cada escola de cada país, cada idioma, cada classificação vocal, cada subclassificação vocal, cada ópera, cada personagem, cada ária e cada recitativo tem sua identidade própria! Puccini difere de Rossini de uma forma tão ululante, não existe razão para pensar que não se tem liberdade, variedade e ou ousadia no que se chama de música erudita, pois se a música Pop tem 1 anos de existência a erudita tem 1000 e Maria, como nenhuma outra interprete na história da música, dominou diversos personagens, compositores e até naipes vocais distintos!


Nina Simone

Acima de tudo uma pianista. Nina Simone, além de maior ícone do movimento negro e feminista da música mundial, era uma compositora de mão cheia, esta doutoranda honoris causa foi responsável por um catálogo musical invejável em meio ao jazz e a soul music. Nina, com sua vasta formação erudita jamais deslumbrou se tornar o ícone musical pop que daria a luz a obras fantásticas como "I Loves You Porgy" e "Feeling Good"... Sua rara voz de contralto trazia uma carga dramática intensa ao ouvinte, com uma particularidade jamais conferida em outra interprete.




Kate Bush

Kate Bush, o soprano estérico, a mulher responsável por introduzir na cultura de massa arte genuinamente feminina com personalidade ímpar e trabalhos autorais. Não só um modelo transgressor em diversos sentidos, Kate foi além de ser uma simples interprete, compondo suas próprias canções e controlando as rédeas de seus próprios projetos, podendo ponderar com quem, quando, em que circunstâncias e distâncias de tempo a se trabalhar.



Yma Sumac

A personificação da expertise e precisão do canto na música folclórica do Perú, trazendo conceitos avançadíssimos, principalmente aos extremos de sua extensão vocal quilométrica. Yma Sumac, assim como Maria Callas não foi uma compositora, mas foi a cantora popular que utilizou de sua voz com maior perícia na história da música gravada, capaz de interpretar de forma única e inimitável as composições escritas para sua rara voz.



Björk


Como representante contemporânea, em atividade, quem mais poderíamos escolher entre as grandes musicistas populares? Björk é aclamada em meio a todos os círculos da arte, por profissionais renomados distintos da erudição ao pop, uma interprete e compositora que sempre trabalhou com inovações tecnológicas e estéticas em sua arte vanguardista que ganhou seu lugar na cultura de massa por total merecimento. 



Yuja Wang

O  prodígio da música erudita não poderia ser outro se não a chinesa Yuja Wang que, na idade de 21 anos, já havia conquistado visibilidade global em meio a um meio extremamente conservador, o erudito. Ao contrário do que se imagina esta instrumentista não se limita a tocar seu instrumento de forma pouco expressiva, demonstrando emoção a flor da pele a cada compasso executado. Sua agilidade e perícia sobre humana ao piano surpreendem pela capacidade de manter definição, dinâmica e precisão absoluta em velocidades ululantes. 



Respeitos a Amy Winehouse e Jacqueline du Pré, que tiveram carreiras curtas e partiram, o mesmo a jovens e maduras boas compositoras, instrumentistas e cantoras de todo o mundo. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

5.2.16

Como Passar Em Uma Faculdade de Música?

Postado por Sávio Alves
Como Passar Em Uma Faculdade de Música?


A grande maioria das pessoas são pressionadas a escolher, sem dispor de perícia e ou grande desenvoltura, uma área de atuação e estudos já na adolescência; já os músicos e artistas em geral que tem a disposição cursos superiores sobre sua área de atuação são abençoados e ao mesmo tempo amaldiçoados com um sistema de avaliação bem diferente que vamos apresentar logo mais neste post. Um médico entra na faculdade sem nada saber a respeito da medicina, o músico já entra com anos de treino e é submetido a um vestibular 3 vezes mais extenso, caro e trabalhoso. O vestibular de música é divido em 3 etapas, a primeira o ENEM, a segunda uma prova única de múltipla escolha, com todos os músicos juntos (instrumentistas e cantores Pop, eruditos, futuros musicoterapeutas, professores de música - licenciatura) e a terceira e mais temida etapa, com seus futuros professores em uma banca avaliativa te ouvindo interpretar canções e a solfejar. Fazer apenas um cursinho de pré vestibular não vai te ajudar com nenhuma das questões acima expostas, por isso, paras nós músicos, os conservatórios são, na maior parte das situações, a melhor escolha a se optar por oferecerem aulas práticas e teóricas a preços mais convidativos a realidade em que o país se encontra. A maioria dos alunos entra nos conservatórios aos 12 anos e lá permanecem fazendo aulas por 5 anos até entrarem na faculdade, mas alguns instrumentos exigem praticantes mais prodigiosos, como piano por exemplo, onde os estudos se iniciam geralmente aos 7 anos de idade ou até mais cedo. 

Uma questão a ser frisada é que você não entra em uma faculdade de música séria sem ser um músico, isso é um fato consumado irremediável e até mesmo triste já que a maior parte da população não tem a disposição aulas em escolas publicas e particulares de teoria e prática de música. As competências práticas exigidas nas faculdades de música federais brasileiras, em sua segunda etapa, geralmente são o conhecimento, aplicação e ou noção das seguintes questões musicais: Acordes (Perfeito maior, perfeito menor, com 5ª diminuta, com 5ª aumentada, de 7ª da dominante - perfeito maior com a 7ª menor - , no estado fundamental e suas inversões), Articulações (Legato, non legato, staccato, pizzicato, marcato), cadências (Perfeita, à dominante e plagal), compasso (Simples, composto e alternado), ditados (Melódicos, harmônicos e rítmicos, a uma ou mais vozes), enarmonia (De notas, intervalos, escalas e acordes), estilos musicais na histórica da música ocidental (Medieval, renascentista, barroco, clássico, romântico e no século XX), estruturação melódica e rítmica (Período, frase e motivo), formas (Binária, ternária, rondó - tema e variações), formações harmônicas (Tônica, subdominante e dominante), grafia musical da tradição europeia (Pentagrama, claves, alturas, valores - figuras de tempo - , indicação numérica dos compassos - fórmula de compasso - , sinais de repetição, ligadura e ponto de aumento), intervalos (Justos ou perfeitos, maiores, menores, aumentados e diminutos; ascendentes e descendentes, melódicos e harmônicos; tom e semitom - cromático e diatônico), ornamentos (Trinado, mordente, grupeto, apojatura, arpejos), ostinato (Rítmico, melódico e harmônico também em suas combinações), sinais de expressão (Dinâmica, andamento, agógica e suas respectivas representações gráficas), síncope, contratempo, anacruse, sons e propriedades (Altura, intensidade, timbre e duração), textura (Monódica - , polifônica, harmônica e homofônica - melodia acompanhada), timbres (Os naipes e os instrumentos da orquestra sinfônica e da música popular), tonalidade (armaduras de clave, tons relativos e homônimos, escala maior e escalas menores - harmônica, melódica, natural e bachiana), transposição (Transposição escrita de trechos para outras claves ou intervalos).

Só passarás para a segunda etapa caso não zere em nenhuma matéria do ENEM e conquiste uma pontuação mínima que geralmente é bem risível. Já na segunda etapa, receberás uma prova de múltipla escolha e, ao início da prova, ouvirás áudios com trechos de músicas instrumentais e vocais e marcarás as alternativas corretas ou incorretas de acordo com o que é designado no enunciado das questões. Ex: "Um áudio tocara e dirá "Leia atentamente o enunciado da questão número 4" [pausa de 1 minuto] "Ouça atentamente o trecho a seguir" [toca-se o trecho + pausa de 2 minutos para conferir as opções - geralmente são 5 opções] 
e se repete o processo por mais 4 vezes até seguir para a próxima questão. Também estarão em sua prova questões sem áudio.  Para os candidatos a licenciatura o vestibular acaba aqui.

Questão Nº 3 do vestibular de habilidades - percepção musical - de 2016 da UFMG.
Na terceira etapa pede-se a prática de peças selecionadas em editais e a leitura, a primeira vista, de uma partitura escolhida pela banca (Cantores podem solfejar falando o nome das notas sem necessidade de citar os acidentes - dó móvel). Geralmente músicos populares (tanto cantores como instrumentistas) escolhem 2 peças entre 8 escolhidas pela banca (Logo devem aprender a cantar ou tocar as 8 peças, mas só interpretarão duas - peças sem letra devem ser entoadas melodicamente pelo cantores também - geralmente os idiomas são duas línguas europeias com grande predominância do português e inglês) mais uma peça de livre escolha (Pega bem cantar repertório nacional regional, mas é bom avaliar as pesquisas e teses desenvolvidas pelos professores para descobrir as preferencias dos 'gestores' da instituição). Já no caso dos músicos eruditos é exigida a competência na interpretação de 4 peças em 4 idiomas europeus diferentes (Italiano, francês, alemão e português) com dicção lírica perfeita mais uma de livre escolha de um compositor selecionado pela banca (Geralmente Mozart, Villa Lobos ou Handel o que pode incluir mais um idioma estrangeiro como inglês - Entonação britânica na maior parte dos compositores - espanhol, russo (Dependendo do compositor), sueco ou latim caso seja da preferência do candidato); são disponibilizadas 4 peças de cada idioma e podes escolher 1 em cada, no momento da prova só cantarás 2 peças do edital e sua ária ou oratório de livre escolha mais o solfejo. Geralmente as peças são liberadas 4 meses antes da prova junto ao edital.



É normal, em muitas instituições não federais (Conservatório, faculdades do estado e privadas), a realização de entrevistas com os candidatos. Para o perfil dos candidatos leitores do Vocal Pop recomendamos professores particulares ao invés de conservatórios, já que a grande maioria já passou da idade ideal para se inciar estudos musicais.

Compositores Populares e Eruditos Que Mais Caem Nas Provas

Gabriel Faurè
Robert Schumann
Wolfgang Amadeus Mozart
Heitor Villa Lobos
Georg Friedrich Händel
Gustav Mahler
Pixinguinha
Caetano Veloso
Lupicinio Rodrigues
Chiquinha Gonzaga
Milton Nascimento
Noel Rosa

Algumas Dicas Interessantes

Música brasileira regional (Waldemar Henrique e Luiz Gonzaga por exemplo) sempre trás prestígio à uma audição. Na UFMG por exemplo os professores são aficionados com a música brasileira e desenvolvem projetos de revitalização da nossa arte, então se poderes ficar por dentro destes projetos não perca a chance.

Ao contrário dos países desenvolvidos, usar calça jeans e roupas despojadas ainda tira pontos de posturas em alguns casos, o melhor é prevenir. Caso você queira quebrar paradigmas mais do que seguir em frente com a música para ignorar este fato é melhor reconsiderar as opções a sua volta ou contar com a sorte; seja inteligente, depois que estiver matriculado você pode ir até com uma calça na cabeça se quiser.

Não seguir com exatidão a partitura de uma peça erudita fora do período Barroco, quase sempre, é mal visto, então estude pelas partituras, elas estarão disponíveis na biblioteca da instituição, caso esteja prestando de outro estado envie um e-mail solicitando: Nome da peça + nome do compositor + instrumentos da partitura + tonalidade.

Descaracterizar ou interpretar de forma caricata uma canção popular regional também não é bem visto.

Você poderá escolher um pianista acompanhador para sua audição, escolha sabiamente e dê preferência total a co repetidores pois os mesmos são especializados em acompanha-lo, o melhor pianista solista não terá a sensibilidade de um competente co repetidor.

Relatos Pessoais

Eu entrei na UFMG em 2016. Eu estava realizando um trabalho de mudança de naipe e de estilo bastante intenso com uma tutora particular que conheci ao fim de 2014, a querida Soprano Dramático Coloratura, Cátia Neris, que agora está na Itália aprendendo na terra dos melhores do mundo.

O trabalho desenvolvido para mim visava abrir uma possibilidade completamente nova a minha voz, que até não muito tempo atrás era a de um Sopranino de pequeno tamanho por conta da idade. No decorrer do treino para o vestibular trocamos constantemente as peças escolhidas por conta das mudanças que ocorreram, a voz estava se tornando dramática e ágil demais para o repertório escolhido, logo escolhemos uma peça a livre escolha que pudesse demonstrar estas capacidades e fosse entoada em uma região mais grave, passamos da famosa "Voi Che Sapete", de Mozart escrita para o personagem Cherubino que normalmente é interpretado por Mezzo-Sopranos, para Jam Pastor Apollo entoada por Apollo escrita quando o compositor tinha 10 anos de idade para outras crianças (Mas não se enganem, a dificuldade da peça não deve ser subestimada).

Minha prova foi bem tranquila, só o solfejo era bem complicado, não passava de uma oitava mas a peça era em alemão e o compasso era composto e cheio de notas pontuadas, fusas e etc (Pelo menos estava em Sol Maior e não tinha muitos acidentes). Eu vesti lã, algodão e couro para passar maturidade (Como eu disse acima ainda existe esta julgamentos em audições no Brasil então preferi prevenir a remediar); sapatos de couro preto fosco, calça alfaiataria preta com um corte mais moderno e sueter de lã branco de marga três quartos.

Outras Mídias Recomendadas


Para o aprendizado da teoria musica recomendamos o descomplicandoamusica.com - o site é muito bem dividido explicativo e contempla de forma simples os principais aspectos descritos naquela lista aparentemente assustadora do terceiro parágrafo deste artigo.

Para o aprendizado do canto recomendamos o primeiro e o segundo módulo de aulas de Natália Aurea - o canal é bem completo para te introduzir ao mundo da ópera com uma didática que pouquíssima pessoas no mundo dispõe (Cantores Pop também podem treinar com os vídeos lá apresentados).


sábado, 9 de janeiro de 2016

9.1.16

Análise Vocal - Kate Bush

Postado por Sávio Alves
Análise Vocal - Kate Bush


Artista /Banda: Kate Bush.
Classificação Vocal: Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Soubrette.


Alcance Controlado: C#3 – B5 - Eb6 - Eb7 (Dó Sustenido Três -  Sí 5 - Mí Bemol 6 - Mí Bemol Sete).
Oitavas: 4 Oitavas, 1 Tom e Meio.

Alcance Vocal: 
 C3 – B5 - F6 - Eb7 - F7  (Dó Três - Sí Cinco - Fá Seis - Mí Bemol Sete - Fá Sete).
Oitavas: 4 Oitavas, 2 Tons e Meio.


Voz Plena: C3 – B5 - F6  (Dó Três - Sí Cinco - Fá Seis).
Oitavas: 3 Oitavas, 2 Tons e Meio.


Alcance Ao Vivo:  F3 - A5 - F6 - F7  ( Lá 5 - Fá Seis - Fá Sete).
Oitavas: 4 Oitavas.


Tessitura Vocal (Especulada): B3 –  F5 - Bb5 (Sí Três - Fá Sustenido Cinco - Sí Bemol Cinco).
Oitavas: 2 Oitavas, 5 Tons e Meio.
Gêneros Musicais: Art Rock.

Depois de merecidas férias, os editores do Vocal Pop estão de volta à ativa para trazer mais uma artigo original de uma das maiores cantoras de todos os tempos, a responsável pelo primeiro #1 feminino nas paradas britânicas, o Soprano estérico, a senhora Kate Bush. Com um dos timbres mais distintos e exóticos do mundo, este agudíssimo Soprano do rock demonstra uma voz que passeia entre os mais delicados sons conhecido pelo homem para os escandalosos e agressivos do rock em uma piscadela de olho; seu timbre é naturalmente metálico e delicado, mas rico em cores e possibilidades, abrindo margem para maior dramaticidade, devido a sua perícia na transmissão de sentimentos e situações diversas ao ouvinte.



Literalmente o céu é o limite para a acuidade da voz de Kate Bush, já que a interprete não só executa notas agudas como, toda sua tessitura e repertório permanece em uma região confortável a poucas interpretes. Com uma área de conforto extremo, que termina no topo da quinta oitava (Centro C sendo o 4) e se inicia na base da terceira, este Soprano encontra força e ferocidade no registro misto de voz de cabeça e peito, com esporádicas passagens virtuosas em voz de cabeça para causar contrastes diversos por meio de texturas geralmente homofônicas ao background. 



Inegavelmente um Soprano de voz levíssima, pode-se especular que Kate é melhor posicionada junto aos Soubrettes na maior parte de sua carreira e, em certo período, tenha amadurecido em direção a uma voz lírica por conta do natural ganho de harmônicos graves e engrossamento das pregas vocais de acordo com o tempo. Uma real interprete que segue as diretrizes do Fach, com características, semanticamente falando, próximas as de Kate é o Soprano Leggero francês, Natalie Dessay.



Em vozes tão leves a audiência sempre espera por notas graves sem grande quantidade de harmônicos, com uma coloração pouco escura e pouca firmeza, mas, dentro das possibilidades de um Soprano, e de acordo com seu repertório, Kate Bush se sai bem na execução de notas do topo da terceira e base da quarta oitava, com direito a posição correta da laringe e língua durante a execução com evidente empenho em expelir mais ar e energia nesta região naturalmente desfavorável. Certamente que o restante de seu alcance grave não é proveitoso, mas dada a extensão utilizada com conforto não existe empecilhos na execução de músicas transpostas. A região média é geralmente demonstrada de forma quente e aveludada, mas só ganhou espaço com o passar dos anos já que Kate sempre explorou mais seus extremos.



Pontos Negativos

O fato da priorização de um posicionamento, durante o canto, extremamente frontal, no registro misto, em grande parte do repertório, ser uma marca registrada das intenções cênicas de Kate não pode ser arbitrariamente classificado como um ponto negativo, porém, por dispor de uma voz tão delicada e pequena, mesmo com o porte atlético e bem preparado de seus dias dourados, em tour, no fim dos anos 70, pode-se notar que esta emissão, somada a movimentação em palco, faz com que o Soprano se canse com mais rapidez. As passagens são de fácil acesso, como se espera de um level Soprano, mas em saltos maiores ou iguais aos de 4 justa, mesmo sem mudança de registro, é audível golpes de glote não saudáveis. Pela escocês de performances ao vivo esta análise fica limitada aos fatos discorridos, já que poucas alterações podem ser notadas no instrumento vocal de Kate Bush nas gravações de estúdio disponíveis até o presente momento.

Resolução dos Pontos Negativos 

Para os interpretes que não apresentam as citadas "marcas" como intenções premeditadas, o melhor a se fazer é se guiar pelas sensações e menos pelo sons produzidos externamente; gravações também podem auxiliar. Moldar o timbre excessivamente metálicos requer grande conhecimento dos mecanismos do canto pois vozes verdes posicionadas de forma frontal podem ser mais pesadas e dramáticas s normalmente executadas. A própria Kate Bush pode ser utilizada como exemplo, já que sua voz é de fato leve, mas ganha considerável peso quando executada de forma equilibrada entre fundo e máscara.




Vocal Range

Segue o vídeo do alcance vocal controlado de Kate Bush, inteiramente produzido pelo Vocal Pop, contabilizando 
4 Oitavas, 1 Tom e Meio.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

12.10.15

Análise Vocal - Selena Gomez

Postado por Sávio Alves
Análise Vocal - Selena Gomez


Artista /Banda: Selena Gomez.
Classificação Vocal: SopranoMezzo-Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Dugazon.

Alcance Vocal: 
 A2 – A5 - C#6  (Lá Dois - Lá Cinco - Dó Sustenido Seis).

Oitavas: 3 Oitavas e 2 Tons.

Voz Plena: 
A2 – A5 - C#6  (Lá Dois - Lá Cinco - Dó Sustenido Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 2 Tons.

Alcance Controlado: C#3 – A5 - C#6  (Sí Bemol Dois - Lá Cinco - Dó Sustenido Seis).

Oitavas: 3 Oitavas.

Alcance Ao Vivo: Bb2 – A5 - C6  (Sí Bemol Dois - Lá Cinco - Dó Seis).

Oitavas: 3 Oitavas e 1 Tom.

Alcance Controlado Ao Vivo: D3 – D5 - E5 (Ré Três - Ré Cinco - Mí Cinco).

Oitavas: 2 Oitavas e 1 Tom.

Tessitura Vocal (Especulada): A3 –  G#4 - E5 (Lá Três - Sol Sustenido Quatro - Mí Cinco).

Oitavas: 1 Oitava, 3 Tons e Meio.
Gêneros Musicais: R&b, Dance.



Para melhor compreender a linguagem utilizada pelo Vocal Pop é recomendada a leitura periódica dos artigos aqui expostos, complementando os com os estudos de teoria musical com seu tutor especial. Alguns dos termos chaves aqui utilizados podem ser encontrados em nosso glossário, que pode ser conferido com um simples clique aqui. Para solucionar novas dúvidas basta utilizar a sessão de comentários do post linkado.
O timbre é exposto, basicamente, de forma suave e quente, com seu pequeníssimo tamanho e grande versatilidade de estilos. Do início da carreira até hoje houveram mudanças em seu canto, especialmente na emissão, que vem evoluindo a lento passo, mas com significativas demonstrações de melhora, principalmente na era atual. Surpreender com potência - volume em decibéis - não é a especialidade desta interprete, o timbre e as composições voltadas ao público jovem tomam o protagonismo nesta carreira, que nunca tentou se solidificar em cima das capacidades vocais da interprete.
O registro grave é o mais extenso, consistente e proveitoso de seu canto, o mitiê de Selena Gomez, uma das poucas regiões onde a mesma tem capacidade de cantar a vivo sem auxílio de bases pré-gravadas. 



A região mais penosa é, com certeza, a média, que sofre com instabilidade na emissão em grande parte das performances desde o início da carreira. Houve uma ligeira evolução em tempo hodierno, após o tratamento de quimioterapia e as aulas de canto documentadas em sua conta no Instagram, mas o som balançado ainda aparece com frequência em dinâmicas mais baixas. Os sons sussurrados em voz de cabeça em uma região grave, para o registro, constroem a identidade vocal da analisada e também um dos problemas estruturais de sua emissão.


Por se tratar de uma voz ainda verde dificilmente pode-se especular um norte para a classificação vocal de Selena Gomez. Sua área de conforto é limitada a região de canto de um Tenor comum, a coloração de seu timbre é lírica, mas à agilidade é pouco demonstrada e problemas intrínsecos limitam seu apogeu técnico, logo não faz sentido a classificar com total certeza em alguma categoria do sistema alemão de separação de vozes; o máximo que podemos fazer é dar, para os fãs que muito solicitaram esta postagem atualizada, uma longinquá possibilidade de que Selena possa se encaixar melhor em meio as vozes híbridas femininas, possivelmente como Dugazon, ou como um Soubrette.  


Logo abaixo, vídeo de extensão vocal inteiramente produzido pelo Vocal Pop.


Pontos Negativos

Apesar da evolução incontestável, a voz de Selena é, ainda, emitida de forma inconstantes, principalmente em momentos de dinâmicas mais suaves na região média. A passagem entre os registros é delicada e não falha com frequência absurda, mas obriga Selena a cantar em um volume baixo, para disfarçar a perda significativa de volume no registro superior, o que é suficiente para afetar sua emissão como um todo, a obrigando a cantar com bases pré-gravadas altíssimas. Mesmo para uma voz naturalmente de pequeníssimo tamanho, Selena Gomez canta abaixo de suas capacidades naturais, já que não compensa a falta de potência com a esperada agilidade ou facilidade com notas do registro agudo, e ariscamos a especular que a falta de segurança da interprete em performance é, além da carência técnica, uma das fontes do problema. 


Resolução dos Pontos Negativos


Uma tarefa maior do que solver este problema é expor a solução em texto de forma clara, então vamos por partes... Quanto mais piano se canta, para manter a ressonância e a constância, geralmente, mais escura se torna a emissão, o que não acontece com a maioria esmagadora dos interpretes Pop. Manter um fluxo de ar adequado, cantando desta forma, exige um conhecimento a respeito de apoio e respiração grandioso, principalmente para os que levam timbre e salubridade como prioridade, por esta razão não é recomendável somente clarear o som sem se ater aos mecanismos de emissão do canto, pois o timbre nunca atinge o apogeu e o canto não se torna fácil e prazeroso. As indicações parecem abstratas, mas, na verdade, são puramente anatômicas. Bom condicionamento físico e cuidados com a saúde proporciona maior fôlego e estamina ao corpo, o que, por consequência, torna a respiração mais simples e o apoio menos abstrato, logo uma coluna de ar mais consistente é gerada, o que produz - ao passar pelas pregas vocais, ressoar nos ressonadores e posteriormente ao ar - um som mais constante, plástico, conectado, salubre e potente. Basicamente trata-se do já citado tópico de "se guiar pelas sensações e mecanismos pré adquiridos e não pelo som".


Vocal Range


Extensão Vocal Selena Gomez: Revival Era (A2 - C#6)

Extensão Vocal - Selena Gomez! "...O timbre é exposto, basicamente, de forma suave e quente, com seu pequeníssimo tamanho e grande versatilidade de estilos. Do início da carreira até hoje houveram mudanças em seu canto, especialmente na emissão, que vem evoluindo a lento passo, mas com significativas demonstrações de melhora, principalmente na era atual..." Leia agora à análise completa, com direito a vídeo de extensão vocal atualizado com as notas do álbum novo de Selena Gomez! Link: http://zip.net/bysbtb

Posted by Vocal Pop on Terça, 13 de outubro de 2015

domingo, 11 de outubro de 2015

11.10.15

Elza Soares, A Mulher do Fim do Mundo

Postado por Harrison Max
Elza Soares, A Mulher do Fim do Mundo

Elza Soares, durante turnê de: "A Mulher do Fim do Mundo".

O projeto “natura musical” trouxe à tona, o retorno de uma das mais influenciadoras e artisticamente bem fluídas artistas brasileiras, a icônica Elza Soares. Aos 78 anos, a intérprete de “A Carne” lança inéditas canções, que mantém o mesmo conceito introspectivo sob encarnação das memórias postas à lápis por um time de compositores.

As influências giram em torno de várias situações. Desde a primeira faixa, “Coração do Mar”, um poema de Oswald de Andrade que foi adaptado José Miguel Wisnik, até a sincera e explícita “Pra Fuder”, fruto de Kiko Dennuci, que inclusive faz parte da banda na elaboração da trilha instrumental da faixa.

Para uma mulher experiente como Elza, “A Mulher do Fim do Mundo” é na realidade uma confirmação de que seus enlaces artísticos transcendem o tempo, mostrando que a artista foi capaz de adaptar-se as tendências da indústria, ao longo desses 55 anos de carreira, sem deixar de lado a sua excentricidade e identidade artística.

O tempo é apenas um conversor de medidas, e agregador de experiências das quais a artista é tão rica. Todas as faixas são interessantes e vocalmente falando, Elza mantém a resistência vocal desde seu último álbum de inéditas, mantendo o controle sobre sua extensão vocal, que neste álbum vai do F2 ao B♭6 (Fá na Segunda Oitava ao Sí Bemol na Sexta Oitava).

Capa do Álbum de Estúdio.

Ouça todas as faixas clicando aqui.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

29.9.15

Análise Vocal - Rihanna

Postado por Sávio Alves
Análise Vocal - Rihanna


Artista /Banda: Rihanna.
Classificação Vocal: Mezzo-Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Dugazon - Mezzo-Soprano Lírico.

Alcance Vocal: 
 G#2 – F#5 - E6  (Sol Sustenido Dois - Fá Sustenido Cinco - Mí Seis).

Oitavas: 3 Oitavas e 4 Tons.

Voz Plena: 
G#2 – F#5 - E6  (Sol Sustenido Dois - Fá Sustenido Cinco - Mí Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 4 Tons.

Alcance Controlado: 
G#2 – Eb5 - D6  (Sol Sustenido Dois - Mí Bemol  Cinco - Ré Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 3 Tons.

Alcance Ao Vivo: E3 – F#5 - E6 (Mí Três - Fá Sustenido Cinco - Mí Seis).
Oitavas: 3 Oitavas.

Alcance Controlado Ao Vivo: E3 – Eb5 - B5 (Mí Três - Mí Bemol Cinco - Sí Cinco).

Oitavas: 2 Oitavas e 5 Tons.

Tessitura Vocal (Especulada): A3 –  Bb4 - E5 (Lá Três - Sí Bemol Quatro - Mí Cinco).

Oitavas: 1 Oitava e 1 Semitom.
Gêneros Musicais: R&b, Dance, Hip-Hop.



Para melhor compreender a linguagem utilizada pelo Vocal Pop é recomendada a leitura periódica dos artigos aqui expostos, complementando os com os estudos de teoria musical com seu tutor especial. Alguns dos termos chaves aqui utilizados podem ser encontrados em nosso glossário, que pode ser conferido com um simples clique aqui. Para solucionar novas dúvidas basta utilizar a sessão de comentários do post linkado.

Qual o melhor momento para liberar uma das análises vocais mais pedidas desde o início do Vocal Pop, se não quando a analisada faz um dos shows mais comentados nas mídias sociais em terras Tupiniquins? Rihanna, no momento em que escrevo este texto, está no Brasil e sua análise vocal está disponível para deleite dos admiradores e fãs. Primeiramente precisamos expor as características do timbre que vem movimentando milhões de dólares na indústria fonográfica, a coloração basicamente é quente e delicada de natureza, mas é moldada as intenções artísticas de Rihanna para soar mais abafado e rico. Os momentos em que esta emulação de timbre ocorre varia de acordo com o caráter da canção executada, mas é evidente que não se trata de algo próprio da emissão natural da intérprete por conta da embocadura pouco espaçosa adotada.


O registro grave é quente, consideravelmente firme e naturalmente bem emitido na região de conforto de uma voz feminina. Como especificado acima, até por volta de um G# abaixo do centro C - Em notação americana C4 - Rihanna consegue executar frases melódicas com facilidade desde que parada e descansada. Por conta da maior demanda de ar exigida pelas notas graves, quando executadas ao vivo no furor das performances mais movimentadas, a emissão da intérprete perde constância de forma evidente.

Os agudos não são protagonistas nas performances de Rihanna, pelo menos não os agudos que se esperam de um Soprano ou Mezzo-Soprano. Em registros misto o alcance da intérprete é limitado e está sujeito a inconstâncias de performance para performance muito evidentes, mesmo em notas da primeira metade da quinta oitava. Quebras vocais intencionais são quase sempre demonstradas nesta região e trazem um efeito dramático que, quando bem executado, embeleza significativamente seu canto. Outro fator que surpreende é a aptidão de Rihanna a execução de passagens de registro muito fáceis e as notas agudas no início da carreira; atualmente as passagens ainda são boas para uma intérprete não tão virtuosa, mas o amadurecimento vocal e, provavelmente, o desgaste vocal causado pela ausência de um suporte respiratório perfeito deixaram esta faceta de seu canto mais opaca e débil.

A região média é o mitiê de Rihanna, aqui sua voz brilha bem em acústicos e performances intimistas. O sobrepeso citado no primeiro parágrafo volta e meia da as caras, mas não faz com que a voz quebre, nesta região, com facilidade, apenas trás a marca pessoal da cantora a tona. Vale ressaltar que o tempo rubato é executado de forma a ganhar tempo em passagens mais virtuosas o que já é algo condenável por si só já que não está sendo utilizado por questões estéticas e sim de limitações técnicas.


Vídeo da Extensão Vocal utilizada por Rihanna em sua carreira no fim desta postagem. 
Levantando o histórico vocal da garota de Barbados pode-se notar que a voz naturalmente amadureceu e tornou-se mais rica e gélida, o que não necessariamente a tornou dramática. Evoluções e declínios ocorreram, Rihanna hoje tem uma paleta maior de colorações de timbre com que trabalhar em estúdio, já que boa parte da nasalidade outrora existente se esvaiu, mas à agilidade carece de treino já que está enferrujada se comparada aos tempos antigos.

Pontos Negativos 

Rihanna é uma intérprete que se destaca em meio ao cenário da música Pop por ser um ícone fashion, uma modelo fotográfica audaz, um personalidade polêmica bastante ousada e por seu timbre simpático, suas capacidades vocais em performances ao vivo não podem se equiparar com as de intérpretes que tem como prioridade a voz cantada durante um show. Havendo ou não evolução, o quadro vocal hodierno ainda é inconstante, principalmente em shows com grandes estruturas e públicos, que dificultam significativamente o retorno do próprio som emitido e exige uma movimentação e percepção espacial muito maiores que o normal.

Resolução dos Pontos Negativos

Lidar com uma agenda desta magnitude não é uma tarefa simples e cantar para um público tão enorme com fidelidade e salubridade exige um auto conhecimento técnico e artístico muito grande, e o mesmo pode ser adquirido e aperfeiçoado se utilizado da forma que  profissionais da voz cantada definem por "se guiar pelas sensações e mecanismos pré adquiridos e não pelo som". Pode parecer algo controverso exigir de um cantor que deixe de lado o som e foque em conceitos anatômicos e espaciais, mas nunca ouve um conceito mais utilizado e apoiado por grandes vozes do passado. Kirten Flagstad defendia o conceito de se guiar pelas sensações e definia os enormes teatros no qual atuava como cantora, sem microfone ou qualquer tipo de amplificação não natural, cantando sem dificuldade sobre uma orquestra com aproximadamente 100 ou mais instrumentos, como uma extensão de seu corpo que facilitava seu canto.

A questão é "Como se guiar pela sensação e pelos mecanismo e não pelo som"? Não é tarefa simples e a explicação completa precisaria de um post a parte com minucias inviáveis a esta análise, trata-se de uma habilidade que exige a coordenação de vários músculos simultaneamente, que trabalha todo o corpo humano em postura adequada para atingir o padrão máximo de qualidade em termos de emissão. O artigo "O Que é, e Como Ter Uma Voz Potente", autoral do Vocal Pop, pode ser considerado uma pequena introdução a este conceito master.

Vocal Range

Vídeo inteiramente produzido pelo Vocal Pop.


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