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terça-feira, 14 de abril de 2015

14.4.15

Tudo Sobre: Tenores Spinto

Postado por Sávio Alves
Tudo Sobre: Tenores Spinto



Para uma melhor compreensão desta postagem leia nosso glossário clicando aqui. 

Termino à primeira temporada de análises de Fachs masculinos com o tipo vocal mais polêmico dentre os Tenores, os Spinto. Neste artigo decidi desmistificar falsas alegações a respeito deste fach, expor comuns problemas deste tipo vocal e descrever características básicas de seu timbre. Durante um breve período de férias, os Barítonos não aparecerão em nossa programação, mas em não muito tempo estaremos de volta com todos os tipos de Barítono no segundo quadrimestre deste ano. Feitas estas declarações, vamos ao que interessa:

De timbre moderadamente escuro e particular, pode-se diz que o Tenor Spinto é a "ponte" entre o fach Lírico e o Dramático, tendo seu nome sempre associado à óperas do período romântico - que já dispunha de uma orquestração mais pesada e extensa. Sendo redundante ou não para alguns é sempre bom repertir que o Tenor Spinto não é um fach corriqueiro de se encontrar, sendo comum serem errôneamente classificado por diversas vezes como um Barítono ou Tenor Dramático, o que encurta diversas carreiras de talentosos interpretes ao redor do mundo, fazendo com que um interprete que poderia desfrutar de um repertório maravilhoso, com longevidade vocal primorosa percam a voz bem mais cedo que o normal.


O alcance costumeiro deste tipo de Tenor inicia-se por volta de um C abaixo do centro C e se estende até uma oitava acima do mesmo em voz plena (C3 - C5) com poderio vocal em interpretes talentosos e bem treinados. A forma com que o passagio deste tipo de voz é encarada é deveras polêmica, com diversas divergências entre teóricos - principalmente fora da Europa - deixando pouco menos de informação de senso comum que entre as vozes Líricas e Dramáticas, mas é fato que muitos interpretes deste tipo vocal utilizam dos ressonadores inferiores, quando mal instruídos, para atingir notas que poderiam ser atingidas com maior virtuosismo, beleza, salubridade e controle utilizando do misto de voz de peito e cabeça de forma coberta e ressonante.

Por a palavra Squillo estar sendo associada a "empurrar" na internet não é incomum encontrar menções que afirmam que este fach deve cometer o já citado sacrilégio de não permitir a "voz passar", empurrando a voz de peito adiante de forma nasal e gritada, mas em nenhum tipo de classificação vocal é indicado este tipo de abordagem técnica, já que os ressonadores inferiores devem ser utilizados para sons graves e algumas notas agudas e não o contrário. O famoso Squillo (Que ganhará um artigo em nosso segundo quadrimestre de postagens), não é exclusividade das vozes Spinto e sim algo associado a uma voz bem emitida com uma estética bela, trazida da boa e velha técnica italiana, e não a famosa "voz de gola", por isso não associem o Tenor/Soprano Spinto a péssima técnica de emissão, pois tudo não passa de uma confusão na tradução dos termos do italiano (Spinto significa empurrar, não Squillo).


A região grave deste tipo de voz geralmente não apresenta grande poder se comparada a de outros fachs masculinos, mas para um Tenor é de peso considerável em sua emissão em grandes teatros, mesmo em notas da base de seu alcance vocal controlado e bem emitido. É importante se ater a este registro pois ele também mostra indícios de que se trata de um Tenor de voz vigorosa e não de um Barítono Lírico (Extensão mais curta), prevenindo eventuais infortúnios com a classificação de um jovem interprete (Leia-se jovem por volta dos 30 anos de idade, com raras exceções de prodígios que conseguem atingir longevidade vocal e salubridade de canto em um repertório desta magnitude). Desenvoler o registro grave deste fach geralmente não é uma prioridade pois é comum encontrar interpretes com este já bem desenvolvido, o que não é uma realidade tão palpável com respeito ao registro agudo.

Pela região aguda estes Tenos ganharam fama, mas é normal encontrar jovens com dificuldade de emissão acima do G4 (Primeiro G acima do Centro C). Pelo já citado problema de falta de consenso sobre o treinamento a respeito desta voz entre muitos profissionais da área e o quase instinto de estender a extensão em pura voz de peito além da conta, estes rapazes podem se tornar interpretes frustrados por falta de conhecimento a respeito de emissão correta, tentando trazer sua tessitura para uma região cada vez mais grave a fim de se enquadrar na região dos Barítonos - o que torna o timbre entubado, com registro grave fraco em grandes teatros e um registro médio menos quente que a de um legítimo Barítono - ou Tenor Dramático - o que destrói com ainda mais velocidade a voz de um interprete que evidentemente não tem um instrumento tão grande para suportar papéis de perícia tão apurada. Outro aspecto que ronda este fach é a nasalidade desnecessária acompanhada de tensão na emissão. Sanar todos os citados problemas é uma tarefa árdua, mas não impossível para um interprete dedicado e bem instruído... Muitas vezes os problemas podem ser corrigidos com postura adequada, exercícios de liberação da língua durante execução de linhas melódicas e noção de registro misto, o que possibilita o real timbre da região aguda de um legítimo Tenor Spinto dar as caras ao sol: Vibrante, rico e metálico.

Um exemplo de Tenor Spinto é Franco Corelli, um dos mais famosos Tenores do século XX. Corelli ao fim da carreira ostentava um som mais Dramático - até havíamos o utilizado como exemplo de Tenor Dramático - porém em seu apogeu cantava com Tenor Spinto, por isso reposicionamos este exemplo para facilitar as coisas.


Em meio à vozes Pop não se podem apontar com certeza um Tenor Spinto, porém pelas características ditadas pelo Fach e pelos desfios encontrados na estrada de um Tenor Spint,o acreditamos que Marvin Gaye é um bom exemplo a ser apontado. Apesar de Marvin optar por um som mais cristalino em sua emissão, sua voz é naturalmente mais escura e gélida que a demonstrada em algumas famosas performances ao vivo. 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

3.4.15

Análise Vocal - BANKS

Postado por Harrison Max
Análise Vocal - BANKS

BANKS para Sandrine And The Diamonds.

Artista / Banda: Banks.
Classificação Vocal: Mezzo-Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Soprano Dugazon.
Alcance Vocal: B2 – C6 (Sí na Segunda Oitava – Dó na Sexta Oitava).
Oitavas: 3 Oitavas e 1 Nota.

Alcance Controlado: B2 – C6 (Sí na Segunda Oitava – Dó na Sexta Oitava).
Oitavas: 3 Oitavas e 1 Nota.


Tessitura Vocal (Especulada): F3 – Eb5 (Fá na Terceira Oitava – Mí Bemol na Quinta Oitava).
Oitavas: 1 Oitava, 5 Notas e 1 Semitom.

Gêneros Musicais: RnB, Música Eletrônica, Trip-Hop e Pop Alternativo.

Californiana de berço, Julian Rose ou simplesmente BANKS em letras maiúsculas – acredita-se que a escrita de seu nome artístico desta forma é uma tentativa que a IAMSOUND Records, sua gravadora, optou para otimizar seu nome nos buscadores como Google, Yahoo, etc... Para evitar que fosse confundido com Azealia Banks, por sobrenome similar. –, sobrenomes à parte, ambas não possuem nada em comum além da liberdade e destreza poética que abordam em sua arte.

BANKS foge ao tradicionalismo da música popular atual. Sempre visando novas batidas musicais, a artista se afunda no mar do exótico para proporcionar ao ouvinte sensações pouco exploradas. Seu nome é um dos “carros-chefes” no gênero: Pop Alternativo, que mescla vários estilos e efeitos às vozes de interpretação singular. Boa parte do que hoje a artista é se deve ao seu senso como excelente compositora e a sua busca desenfreada pelo original.

Apresentações feitas, vamos ao tópico do dia, a enfim análise vocal de BANKS...

hí·bri·do
(latim hibrida, -ae, animal resultado de cruzamento de espécies)
adjetivo e substantivo masculino
1. Diz-se de ou animal proveniente de duas espécies diferentes (ex.: o mulo é animal híbrido).
2. Que ou o que tem elementos diferentes .em sua composição.
3. [Gramática] Diz-se de ou composto de elementos de diferentes línguas.
4. [Automóvel] Que ou o que utiliza mais do que uma fonte de energia para o seu funcionamento (ex.: automóvel híbrido; um híbrido associa dois motores).
adjetivo
5. Contrário às leis da Natureza.

BANKS para Hunger Magazine.

Pontos Positivos:

Gosto de pensar que sua voz é híbrida e trabalha com regiões diferentes que juntas fazem um estrago poderoso dentro de uma única mulher. Imagine que o timbre vocal de BANKS é como um eclipse. Ele pode ser trevas, mas ele também pode ser luz. Depende da ocasião, e da contextualização na interpretação da música. Tentar entender como funciona a dinâmica vocal de sopranos híbridos, é algo meio confuso e ainda pouco explicável. O Vocal Pop trabalha com o sistema fach, uma forma de divisão vocal precisa que intensifica as informações em um grau de perícia que poucas pessoas administram com perfeição. Nós já falamos sobre os Sopranos Dugazon em uma outra oportunidade, você pode conferir mais sobre esta classificação vocal clicando aqui.

Agora que temos o alicerce, podemos começar a “construir nossa casa”... BANKS canta em duas regiões. Até aí nada de muito novo. Mas... Que regiões são estas? Sua voz mescla entre Soprano e Mezzo-Soprano. Seu lado Mezzo-Soprano aparece na região média-grave – de F4 (Fá na Quarta Oitava) para mais grave – e grave de sua voz – de B3 (Sí na Terceira Oitava) para mais grave –, já o seu lado Soprano é na região médio-aguda – de F#4 (Fá Sustenido na Quarta Oitava) para mais agudo – e aguda – de B4 (Sí na Quarta Oitava) para mais agudo – da mesma. Ufa! Tantas informações em menos de três parágrafos.

Sua região grave apresenta uma coloração frívola, que não chega de fato a ser cavernosa, mas que é sólida e consistente para um cantar tanto forte como frágil. BANKS adora brincar de cantar em uníssono e é aqui que sua Voz de Peito brilha como o Sol em primeiro plano, com graves que vão às profundezas do Tártaro e voltam. Desculpe, é o excesso de café que me deixa poético demais.

Sua nota mais grave até o presente momento que redijo estas palavras foi um B2 (Sí na Segunda Oitava). Para uma mulher de voz média, um Sí Grave é algo digno de atenção. Demonstra que BANKS pode sim adentrar a região grave masculina, não se igualando em intensidade – até porque um Sí emitido por um homem será 100% mais forte que o emitido por uma mulher, isto é fato consumado –, mas sim, igualar-se em nota. O som rouco e arrastado, quase comparado a murmúrios de uma mulher que ainda não entrou na casa dos 30 anos, mas que já provou todos os sabores da vida. Sua região grave passa sim, ao ouvinte, uma sensação de experiência e perícia. É perceptível que a californiana tenta, sempre que pode, introduzir a região grave na temática de suas canções, cujos sentimentos sempre estão ligados ao lado obscuro da coisa. De início no B2 (Sí na Segunda Oitava), sua região grave se estende até um F#4 (Fá Sustenido na Quarta Oitava), ou Fá Sustenido Agudo de Barítono, como chamam.

Enfoque no B2 (Sí na Segunda Oitava) em uníssono com B3 (Sí na Terceira Oitava), em: 0:17 segundos. Em BANKS, os extremos vocais são de difícil acesso e emissão extremamente baixa. Precisa-se de muita concentração para ouvir com precisão:


Já sua Voz de Peito mixada inicia-se por volta de um G4 (Sol na Quarta Oitava). Aqui, o som deixa de soar em primeiro plano passivo e toma proporções de força e energia. Eis o início da Voz de Peito Mista da BANKS. É importante frisarmos que a artista mixa com os dois registros, porém em regiões vocais diferentes. Seus agudos mixados com o registro inferior possuem coloração metálica e intensa. Há uma pequena “caixa de Pandora” guardada nos pulmões desta moça, que pode ser ou não exposta em trabalhos futuros.  Esta região vocal estende-se por volta de um Ré de Tenor/ D5 (Ré na Quinta Oitava).

Sua passagem de Voz de Peito pura para Voz de Peito mixada, encontra-se ali, entre F#4 (Fá Sustenido na Quarta Oitava) e G4 (Sol na Quarta Oitava):


Quanto ao registro mixado com a Voz de Cabeça, este tem coloração clara e amplitude vocal. Assemelha-se a coloração mista que sopranos tendem a apresentar quando entram no mesmo registro, porém com um vibrato mais presente e uma voz mais centralizada no palato duro. É agressivo e focado na Voz de Máscara. O que por sua vez, torna o som mais presente e notório. Inicia-se em C#5 (Dó Sustenido na Quinta Oitava) e estende-se até um F5 (Fá na Quinta Oitava). Podendo quem sabe, ir mais grave e mais agudo que o demonstrado.

Especula-se que inicia-se em C#5 (Dó Sustenido na Quinta Oitava):


A Voz de Cabeça é de um prateado quase queimante. O som é extremamente claro e doce. Às vezes brando e rouco, como cochichos de uma criança que acabara de aprontar uma travessura. Iniciando-se por volta de um E4 (Mí na Quarta Oitava) e tendo por limite um Dó de Soprano/ C6 (Dó na Sexta Oitava). O vibrato é constante e permite que o som permaneça ressonante e intenso, dando grande poderio ao seu registro superior.

Excelente agilidade na transição de Bb5 (Sí Bemol na Quinta Oitava) para C6 (Dó na Sexta Oitava), com vibrato quente e intenso:


Adepta de melismas, BANKS se inspira nas cantoras de R&B e Hip-Hop das décadas passadas. Entre suas influências estão o soprano Erykah Badu, e os Mezzos-Sopranos Aaliyah (in memorian), além de Lauryn Hill. Seu gosto versátil também inclui a paixão por Fiona Apple. Ela leva estes artistas como influência para sua técnica vocal. Sejam estas, as quebras vocais intencionais, a agilidade vocal na região grave (a bela faz até escalas de melismas em cima dos limites graves), além do vibrato “a La Florence Welch” e o som rouco de Fiona Apple.

Demonstração de agilidade vocal na base da tessitura vocal:


Se fosse uma cantora lírica, treinada para interpretar árias e operetas, BANKS seria o que os eruditos classificam por Soprano Dugazon. Voz híbrida entre o Soprano Leggero e o Mezzo-Soprano Lírico, que possui atributos de ambos os naipes. Se a mesma fosse treinada ao nível de seu talento, poderia cantar como Mezzo-Soprano Lírico ou Mezzo-Soprano Coloratura, por ter boa agilidade nas notas médias ou até mesmo como Soprano Coloratura se sua Voz de Cabeça tive extensão até o F6 (Fá na Sexta Oitava) e agilidade na região aguda de forma clara. Se este fosse o caso, BANKS poderia cantar em múltiplos naipes vocais ou escolher no qual se sente mais confortável para exercer o canto à sua vontade.

Por fim, a versatilidade vocal da artista nos releva uma paleta de sons e possibilidades que a mesma se propõe a executar, cantando até mesmo sucessos da falecida Aaliyah (a dita cuja rainha do RnB nos anos 90 e início da era 2000).



BANKS para Hunger Magazine.
Pontos Negativos:

Seu calcanhar de Aquiles é a falta de ressonância em apresentações acústicas, o que levanta dúvidas sobre o seu real condicionamento quanto à sua respiração diafragmática. Estaria ela utilizando de bases pré-gravadas em apresentações ao vivo para suprir a falta de preparo? Acústicos revelam mais sobre a técnica vocal de um artista do que demonstrações de poderio vocal em álbuns de estúdio. Gosto de pensar que os problemas na maior parte dos casos em BANKS, se dão devido fatores de acústica e controles na mesa de som, o que permite o som não sair tão bom quanto deveria. Fora isso, ela é a perfeição vocal no que se propõe a apresentar ao público.



Vídeos de Extensões Vocais de BANKS:




Obs.: Vídeo da extensão vocal utilizada em: “Goddess”, primeiro álbum de estúdio da cantora BANKS, lançado em 2014.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

2.4.15

Gays com Voz Nasal e Nasalidade ao Cantar

Postado por Sávio Alves
Gays com Voz Nasal e Nasalidade ao Cantar



Hoje iremos tratar de um assunto de interesse popular: A voz anasalada. Este padrão de fala predominantemente nasal causa bastante estranhamento às pessoas (especialmente quando a voz nasal é produzida pelo sexo masculino). Há poucos dias recebemos uma mensagem de um leitor aflito que dizia o seguinte:

"Há certo tempo venho tendo problemas em passar autoridade no que falo. Sou gay e nunca pensei que eu tivesse uma voz anasalada. Sempre me ouvi com outro som completamente diferente. Certo dia estava tendo uma conversa entre amigos e citaram que eu teria "uma voz de drag", pois bem, gravei minha voz e notei que falo com um timbre péssimo para a personalidade que tenho. Não possuo seriedade alguma e me esforço para tentar explicar algo sem ser zoado (Depreciado). Gostaria imensamente de saber como tirar essa voz do nariz que tanto me atormenta. Existe algum exercício ou algo do tipo? Obrigado desde já."

  Ao decorrer da matéria, iremos apontar as questões citadas no depoimento do nosso leitor para que as informações se conectem, fazendo assim sentido para vocês. A baixo é possível verificar as queixas do nosso leitor:

1- Tenho dificuldade em passar uma imagem vocal de autoridade.
2- Sou Gay e possuo uma voz anasalada.
3- Ouvia minha voz com um som completamente diferente.
4- Sofro Bullying.
5- Quero mudar esse padrão nasal



Para iniciar nossa leitura, iremos classificar a voz nasal em dois tipos: Hipernasalidade e Hiponasalidade. Iremos discorrer sobre a voz Hipernasal devido ao caso ter esta especificação (1- Tenho dificuldade em passar uma imagem vocal de autoridade). Voz Hipernasal ou Hipernasalidade: É o uso “exagerado” da cavidade nasal. Este padrão vocal passa a impressão de uma pessoa mais fútil, infantil e menos preparada profissionalmente, e este é o motivo pelo qual nosso leitor diz ter dificuldades em passar uma imagem vocal de autoridade. Este padrão nasal se dá por um problema na mobilidade (movimentação) do palato mole, quando estamos falando o palato mole se movimenta abrindo e fechando a cavidade nasal, pois existem fonemas orais e fonemas nasais, então dependendo do que for “falado” o palato mole vai fechar ou abrir a cavidade nasal; a deficiência na mobilidade do palato acarreta uma voz hipernasal (escape de ar excessivo).

Agora vamos ao segundo tópico (2- Sou Gay e possuo uma voz anasalada). Muitos autores afirmam que a maioria das desordens de voz e fala podem ser explicados pelo padrão vocal utilizado pela família na infância para com o indivíduo - a voz é assimilada pela convivência - por isso muitas vezes acabamos por “imitar” o modo de falar de pessoas que convivemos por muito tempo. O modo de se referir à criança utilizando uma voz aguda (Fina) pode levá-la a desenvolver uma voz afeminada ou manhosa. A contaminação nasal (utilização da voz nasal) não é uma marca comum a maioria dos homossexuais, porém alguns possuem a chamada “Afetação Vocal”. Esta pode acabar por chamar muito a atenção no discurso, ficando até com uma posição de destaque maior do que a própria ideia a ser passada no contexto, devido a peculiaridade vocal encontrada na modulação e entoação, por isso é necessário que nosso amigo descubra com a ajuda de profissionais a origem dessa Hipernasalidade, pois vários motivos podem levar uma pessoa a um padrão de fala predominantemente nasal. O tratamento pode ser cirúrgico, terapêutico ou pode haver a necessidade de ambos, o primeiro passo é consultar um Otorrinolaringologista... Ele irá verificar se existe algum problema de causa estrutural que tenha necessidade de uma intervenção cirúrgica, o segundo passo é consultar um Fonoaudiólogo para iniciar a terapia vocal. Caso seja necessário, os dois profissionais (Otorrinolaringologista e o Fonoaudiólogo) irão trabalhar juntos para o benefício do paciente.

Terceiro tópico (3- Ouvia minha voz com um som completamente diferente).  Podemos perceber o som de duas maneiras diferentes: conduzido pelo ar (via aérea ) ou pelos ossos (via óssea). Na condução por via óssea, o som produzido em nossas cordas vocais e amplificado e em nossas caixas de ressonância é captado pela cóclea, estrutura óssea do ouvido interno  (Este é o modo como nos ouvimos). Quando gravamos nossa voz o som é percebido pela via aérea, pois os sons são enviados pelo ar e por este motivo nossa voz parece estar mais aguda, este é o modo de como os outros nos percebem. Isto explica o porquê de nosso leitor não perceber o seu padrão vocal até que seus amigos lhe informaram.

Penúltimo tópico (4- Bullying). Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato. O Bullying pode gerar atitudes de isolamento, queda na autoestima, sentimento de humilhação, Trauma, entre outros. Em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio. É muito importante o acompanhamento com um psicólogo caso a situação esteja lhe afetando de forma negativa.

Último tópico (5- Quero mudar esse padrão nasal). Como foi dito no tópico de número 2, muitas causas podem levar a este padrão de fala nasal. Caso não seja necessário uma intervenção cirúrgica, o Fonoaudiólogo será o profissional que estará trabalhando juntamente com você para lhe ofertar a melhor voz que possa ter. Em casos em que um procedimento cirúrgico deva ser realizado, será necessário aguardar um período de tempo para realizar a terapia da fala com o Fonoaudiólogo. Através de exercícios específicos visando à estrutura a ser trabalhada (palato mole), respiração (coordenação pneumofonoarticulatória), articulação (pronuncia com distinção e clareza), entoação (variação da altura utilizada na fala que incide sobre uma palavra ou oração), entre outros aspectos, o Fonoaudiólogo irá elaborar um planejamento terapêutico com o objetivo a ser alcançado.


Já no canto a ressonância nasal pode ser extremamente prejudicial a um interprete por geralmente estar associado à temida laringe alta. Para extirpar este mal aconselha-se que o interprete não deixe sua língua reta ou retraída, pois a primeira posição aumenta o padrão nasal no canto e à segunda abaixa à laringe de forma incorreta e impede o fluxo de ar... Fazendo exercícios para uma posição arqueada da língua (Como uma ponte, como na imagem ilustrada acima) podes facilmente progredir em seu canto, um excelente é ler textos em italiano com muitas vogais e sinta como o ar flui melhor. Recomendamos que a ponta de sua língua fique encostada no dente inferior e a posterior fique próxima de encostar no superior (Mas não exagere no arqueamento, ou a tensão na base da língua voltará). Dispor de um bom apoio, posição elevada e correta dos zigomáticos e uma técnica vocal em dia  ajuda no processo.

Este texto foi viabilizado pelo Vocal Pop e David de Oliveira (Fonoaudiólogo)). Para mais perguntas sobre voz falada e cantada, quadros patológicos e afins, procure a aba pedidos em nosso blog clicando aqui. 

terça-feira, 31 de março de 2015

31.3.15

Repertório

Postado por Sávio Alves
Repertório




O cantor é um profissional extremamente necessário em nossa sociedade, e assim como outros músicos necessita de um repertório cativante pré estabelecido para não depender da leitura de partitura à primeira vista para tocar uma música qualquer, por isso elaboramos este singelo artigo para ajudar nossos colegas... O repertório nada mais é do que aquela música que você já está habituado a interpretar com mais desenvoltura e tranquilidade, sendo este pode ser separado em dois tipos distintos que listaremos a seguir:

Repertório Complexo

Aquela música, sabe? Aquela que você executa uma coloratura despirocada com passagens de registros marcadinhas, nos tempos fortes de todos os compassos super complexos, daquela canção super nada a ver de um compositor super refinado e ululante. Estas peças, de preferência devem ser exóticas, como o bolero para piano de Chopin é para os pianistas, ou como qualquer coisa de Schöenberg é para qualquer um. Ser singular é bom, mas as peças podem ser só extremamente desafiadoras como as duas árias da Rainha da Noite são para os Sopranos ou "Venti Turbini" é para os Contratenores e Mezzos, só não ousem não ousar...

Exemplos de peças e árias deste tipo para recitais: 

Soprano - Ou Va La Jeune Hindoue
Mezzos - Non Piú Mesta
Contraltos - Domerò La Tua Fierezza
Contratenores - Venti Turbini
Tenores - Si, Ritrovarla Io Giuro
Barítonos - Finch'han Dal Vino
Baixos - Ha! Wie Will Ich Triumphieren

Repertório Simples

Aquela música que você pode acordar às 2 da manhã para substituir à Maria Callas (Rainha da música erudita e da versatilidade cênica e vocal) em um concerto para a nata da alta sociedade Européia e não vai passar vergonha, sabe? Estas canções fazem parte de seu repertório simples, que não necessariamente dispõe de um nível de virtuosismo baixo para a maioria das pessoas, mas está totalmente dentro de suas plenas capacidades musicais e cênicas, tendo como conjunto obras diversas que você ensaia regularmente - para não adquirir vício, adicionando notas ou modificando o ritmo do que o compositor especificou ou para mantar perfeitas as improvisações que você passou horas passando para a partitura para nunca mais esquecer, arrasando nas fermatas e cadezas - para não haver possibilidade de uma performance deselegante. Para o repertório simples indico 8 peças no mínimo, de aproximadamente 3 minutos e meio - ou mais - para eventuais surpresas, 3 destas 8 podem ser o que chamo de "peças universais".

Exemplos de peças e árias deste tipo para recitais: 

Soprano - O Mio Babbino Caro
Mezzos - Voi Che Sapete
Contraltos - Ombra Mai Fu
Contratenores - Laschia Chio Pianga
Tenores - La Donna é Mobile
Barítonos - Si Vuoll Ballare

Peças Universais

Estas são ótimas pois todos podem e devem cantar, não são árias, mas comumente estão em meio a recitais e na boca do público erudito, sendo interpretadas por diversos cantores. Não é de bom tom descaracterizar de mais as canções em meio a um público mais conservador por este ser muito ligado à intensão do compositor ao deixar à partitura antes de bater as botas, mas se você está no seu recital, pago com seu dinheiro, com um público livre, quem poderá te deter? Se a peça for Barroca então, conhecendo a estética e os ornamentos da época podem enfeitar a vontade... Geralmente as músicas do nosso país podem ser interpretadas por diversos naipes, por isso abusar de repertório nacional, além de te abrir portas para o um público carente de interpretes com este tipo de repertório, te possibilita cantar várias peças em seu tom de voz.

Exemplos de peças e árias deste tipo para recitais: 

Amarilli Mia Bella - Caccini - Barroco.
In Der Fremde - Schumann - Barroco.
Clair de Lune - Fauré - Romântico.

Repertório Pop

Os cantores Pop por sua vez são privilegiadíssimos com respeito a repertório. Estes podem cantar o que quiserem, seguindo ou não a intensão do compositor e ou interprete original... O bacana dessa liberdade toda é poder descaracterizar totalmente a harmonia e o andamento da música, mantendo levemente à melodia fiel, produzindo assim um mashup ou uma versão totalmente diferente da original, mostrando que es além de cantor um bom músico geral, que ostenta conhecimento de harmonia funcional, arranjamentos e etc... Se você é um cantor Pop e quer mostrar mais do que um timbre bonito e uma boa técnica, siga o exemplo de Melanie Martinez e faça sua versão de uma música qualquer, só torça para agradar!



Caso esteja em meio a um público que deseja algo mais fiel ou não tenha habilidades para fazer uma versão nova ou não queira, faça como Ariana e siga bem o original.

quinta-feira, 26 de março de 2015

26.3.15

Como classificar sua própria voz?

Postado por Sávio Alves
Como classificar sua própria voz?


Muitos de vocês usufruem de nosso grupo no facebook ou até mesmo de nossa página para descobrirem qual a classificação vocal vocês ostentam, mas nem sempre é possível responder a todos os pedidos de análise, então criamos este tópico para dar um norte a vocês.



Primeiras considerações a serem feitas, você precisa entender que, meninos e homens cantam como meninos e homens, mulheres e meninas cantam como mulheres e meninas! Se você é um Barítono Dramático você não deve/pode/consegue cantar como a Ingeborg Hallstein (Soprano Lírico Coloratura), por isto já firmamos os pés ao chão logo aqui. Outro tópico a ser extirpado logo de cara é o seu alcance totalizado de 5 oitavas gritadas e arrotadas... Amigos, vamos na fé 'cantar  bonito', fazer valer com 1 Oitava e Meia cheia ou duas, conectadas, ressonantes, salubres e bem posicionadas dentro de nossas capacidades vocais para definir qual é nosso verdadeiro lugar entre os mil e um tipos vocais existentes, não adianta gritar a mão direita inteira do piano e arrotar a esquerda toda se não controlas nem a extensão comum de um cantor de MPB.

Cantores Pop não podem ser classificados com precisão absoluta, pois o fach é um sistema de classificação vocal desenvolvido para ajudar intérpretes eruditos a cantarem óperas e peças compostas por compositores que exigiam absolutamente tudo que um intérprete tinha para oferecer, vocalmente falando e cenicamente falando, demonstrando apenas o melhor de suas capacidades artísticas, já na música Pop em geral isso não acontece, lá canta quem quer, do jeito que quer, no tom que quer, com quantas oitavas quiser e com a estética que quiser sem necessariamente precisar receber um treinamento musical requintado de 10 anos na Europa, por isso paciência, só de saber que você é um possível Tenor já está bom de mais (Acredite em mim). E não se esqueça, se você tem seus 15 anos de idade provavelmente não pode ser classificado por ser muito jovem, por isso vá com calma e conserve seu instrumento jovem e vibrante. 


Timbre 


A primeira coisa a se levar em conta é a cor da voz, Timbre. Sua voz é escura, potente e pesada
? Leve, ágil e quente? Estes são alguns pontos cruciais para descobrir sua classificação vocal, valendo ressaltar também que é importante saber se você está ou não produzindo o verdadeiro som de sua voz, que por conta de tensão na base da língua, patologias diversas ou agentes externos pode não estar sendo emitida em seu mais puro e esplendoroso som. Certo de que estas produzindo um som salubre, bem projetado, sem tensão alguma em seu instrumento, dentro de seu alcance controlado, aí podes facilmente descobrir se tens uma voz mais leve, ágil e quente ou escura, cálida e potente... Se à dúvida persistir nosso grupo do Facebook ou um professor competente poderá facilmente te auxiliar neste quesito. Para facilitar a vida de vocês aqui vai exemplos de cantores pop e eruditos com vozes graves, médias e escuras para esbouço.

Eruditos de Voz Extremamente Clara, Ágil e Leve:


Segue a lista de exemplo de vozes leves de cantores eruditos, levando em conta é claro a subclassificação de cada tipo (Um Baixo logicamente não tem uma voz leve, mas um Baixo Cantante dispõem de uma voz mais leve que a de um Dramático).

Soprano: Natalie Dessay
Mezzo-Soprano: Joyce DiDonato 
Contralto: Hilary Summers
Contratenor (Sopranista): Radu Marian
Tenor: Javier Camarena
Barítono: 
Jacques Jansen 

Eruditos de Voz Lírica, Moderadamente Potente e Quente
:


Estas são as mais comuns e as mais apreciadas atualmente, dispõe do melhor dos dois mundos.

Soprano: Renée Fleming
Mezzo-Soprano: Frederica Von Strade
Contralto: Nathalie Strutzmann
Contratenor: Andreas Scholl
Tenor: Luciano Pavarotti
Barítono: Dietrich Fischer-Dieskau
Baixo: Ezio Pinza

Eruditos de Voz Extremamente Escura, Potente e Cálida
:


Estas são bem raras, provavelmente poucos de vocês dispõe de vozes tão cavernosas e naturalmente potentes... Vale alertar que se você tem seus 19, 20 anos de idade e acha que está nesta categoria é melhor procurar um bom professor pois é bem provável que esteja redondamente enganado e destruindo o próprio instrumento.


Soprano: Birgit Nilson
Mezzo-Soprano: Christina Carr
Contralto: Ewa Podles
Contratenor: David Hansen
Tenor: Lauritz Melchior
Barítono: Bryn Terfel
Baixo: Boris Shtokolov

Populares de Voz Extremamente Clara, Ágil e Leve:

Soprano: FKA Twigs
Mezzo-Soprano: Amy Lee
Contralto: Lalah Hathaway
Contratenor (Sopranista): Chris Colfer
Tenor: Kim Jaejoong
Barítono: Xiah JunSuBaixo: Tim Maia (Fim da vida).

Populares de Voz "Lírica", Moderadamente Potente e Quente:


Soprano: Mariah Carey
Mezzo-Soprano: Lady Gaga
Contralto: Cher
Mezzo-Sopranista: Alex Newell
Tenor: Leonardo Gonçalves 
Barítono: Diogo Nogueira 
Baixo: Avi Kaplan

Populares  de Voz Extremamente Escura, Potente e Cálida:

Soprano: Mónica Naranjo
Mezzo-Soprano: Anita Baker
Contralto: Galina Baranova
Contratenor: Lívia Mendonça 
Tenor: Robbie Williams
Barítono: Barry White
Baixo: Tim Storms


Alcance 


Tenores e Sopranos destreinados dispõe de brilho nas mesmas notas, porém em oitavas diferentes (Sopranos uma acima), aproximadamente entre um C3/C4 e um G4/G5 ou F4/F5 em vozes mais pesadas. Muitos intérpretes dispõe de 3 Oitavas ressonantes e plenas (Whistle, fry, notas graves cheias de ar e falsetes definitivamente não te ajudam em nada para definir seu tipo vocal), mas sua região de brilho geralmente é bem marcadinha e de duas oitavas. Maria Callas é um perfeito exemplo de intérprete com mais de 2 Oitavas e Meia de extensão controlada totalmente conectadas, plenas e ressonantes, podendo encher um teatro com sua voz de peito e cabeça sem problema, já Mariah Carey é um perfeito exemplo de intérprete com uma extensão totalizada gigantesca - 5 oitavas - mas que não necessariamente dispõe de um alcance pleno ressonante, conectado como o da anteriormente citada, por isso, por mais que esta atinja notas de Barítonos e ultrapasse o alcance de um Soprano Coloratura em uma oitava, não deixa de ser um Soprano de voz intermediária. Normalmente intérpretes bem treinados usam duas oitavas com total conforto e salubridade, no caso dos Sopranos e Tenores experientes um C agudo é adicionado a já citada tessitura usual, o que não quer dizer que estes não consigam cantar mais graves ou agudas de forma primorosa. 


Mezzo-Sopranos e Barítonos diferem um pouco em notas, já que os rapazes deste naipe estão em meio a tipos mais diversos. Os Mezzos geralmente começam a ganhar corpo e poder em sua emissão próximo a um A3 ou B3 em vozes em amadurecimento e se estendem até um E5 ou F5 com conforto e beleza, podendo atingir o G ou B agudos de forma razoável voltando a região média grave para evitar fadiga vocal, já Barítonos pouco treinados geralmente cantam de F2 até por volta de um D4 sem grande problema. As vozes intermediárias são as mais comuns em meio à adultos, o que não significa que são os mais famosos no mercado fonográfico atual.

As vozes graves, Contralto e Baixo, são raríssimas... Contraltos legítimos são raros ao extremo e a chance de uma mulher dispor deste tipo vocal é praticamente nula, uma peculiaridade da natureza que muitas vezes se da em mulheres já muito maduras de países frios, tendo à Rússia como grande berço das notas baixas masculinas e femininas. Por serem muito particulares a tessitura destes varia bastante, mas geralmente um Baixo canta bem de um D2 até por volta de um B3, podendo ir bem mais grave em pura voz de peito ou até mesmo utilizando o registro basal de forma cheia e controlada (Uma habilidade geralmente conquistada somente por este naipe). Já os Contraltos são famosos por disporem de grande alcance vocal controlado, entrando com facilidade na região dos Mezzo-Sopranos e Tenores sem grandes problemas quando competentes, sua tessitura usual é algo próximo de um D3 até um E5. O Contralto dispõe de timbre andrógeno e um papel cênico mais maduro, por isso uma menina de 20 e poucos anos dificilmente realmente é um.


Repertório

Para os cantores Pop tudo é cantável, tons podem ser abaixados e alterados sem problemas e tudo é possível, mas para os cantores eruditos, fora de recitais e apresentações mais livres, o buraco é mais em baixo. Para os Contratenores a solução de repertório é torcer para ressurgir alguma ópera do Barroco estourando em seu local de atuação, mas estes geralmente se tornam famosos como recitalistas... Aos transexuais, este um post exclusivo para vocês neste link, e os outros tipos vocais basta seguir o que a partitura manda e escolher um bom papel de acordo com seu fach... Caso se interessem posso fazer um post só para repertório.


Mídias de Ajuda

Caso ainda tenha dúvidas de como descobrir seu tipo vocal, aqui segue nossos contatos, que mesmo com a equipe limitada tentamos ajudar sempre que possível! Para nos encontrar no no grupo do Facebook clique aqui, para nossa página aqui. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

23.3.15

Análise Vocal - Whitney Houston

Postado por Sávio Alves
Análise Vocal - Whitney Houston


Artista /Banda: Whitney Houston.
Classificação Vocal: Soprano - Mezzo-Soprano.
Possível Classificação Vocal (pelo Sistema Fach): Soprano Spinto - Mezzo-Soprano Dramático. 
Alcance Vocal: A2 – A6 (Lá Dois - Lá Seis).
Oitavas: 4 Oitavas.

Voz Plena: A2 – C#6 (Lá Dois – Dó Sustenido Seis).

Oitavas: 3 Oitavas, 2 Notas e 1 Semitom.

Alcance Controlado: Eb3 – C#6 (Mí Bemol três – Dó Sustenido Seis).

Oitavas: 2 Oitavas e 6 Notas.

Alcance Ao Vivo: C3 - C#6 (Dó três – Dó Sustenido Seis).
Oitavas: 3 Oitavas e 1 Semitom.


Tessitura Vocal (Especulada): G#3 – G5 (Sol Sustenido Três - Sol Cinco).

Oitavas: 1 Oitava, 7 notas e 1 Semitom.

Gêneros Musicais: Gospel, R&B, Dance Pop.  



Caso seja sua primeira vez no Vocal Pop, com certeza encontrará termos desconhecidos, por isso visite nosso Glossário clicando aqui.




Whitney Houston é uma das vocalistas mais admiradas e aclamadas de todos os tempos da música Pop em geral. Com seu timbre raro de Soprano, esta interprete iniciou sua carreira na casa dos 20 anos de idade e já nesta época ostentava à marca registrada de sua carreira de sucesso: Um timbre de grande amplitude, com riqueza impar no registro médio, qualidade escura em toda sua extensão, com grande potência em seu registro superior - que podia ser moldado a sua vontade para se aventurar em uma sonoridade grandiosamente dramática e cálida ou quente e lírica - e uma homogeneidade extremamente surpreendente para uma interprete de música Pop. 






Como puderam notar nesta apresentação de 1985, o timbre de Whitney sempre foi escuro, mesmo nos tempos de jovem mulher, porém era evidente que a tessitura e cor do mesmo não faziam referência à voz de um verdadeiro Mezzo-Soprano. Dois anos mais tarde, ainda com a salubridade vocal em dia, Whitney ganha mais estamina em seu registro superior, maturidade em seu timbre, facilidade com efeitos costumeiros da música black - Growl por exemplo - e conserva sua voz de Soprano, sem empurrar o som das notas agudas com dificuldade aparente ou fazendo uso de emissão com laringe alta. Ouça novamente a mesma canção (How Will I Know) sendo executada anos mais tarde com competência impar:





Já em 1991 inicia-se o apogeu do que se tem em mente a respeito da voz de Whitney Houston. Uma era em que seu timbre atingiu o ápice de poder de emissão, com a coloração extremamente forte, emotiva, forte e escura. Neste tempo seu vibrato tornou-se ainda mais veloz - sem perde a constância - e incrementou ainda mais dramaticidade a seu canto, que agora  está maduro, porém sem desgaste aparente por conta de abusos ou vícios em drogas.



Até aqui o timbre de Whitney dispunha de características próximas da se um Soprano 2. Levando em conta o sistema de classificações vocais erudito - o Fach - pode-se dizer que o mais próximo que esta interprete se aproximou em seu apogeu foi de um Soprano Spinto. Um perfeito exemplo de legítimo Soprano Spinto é à prima de Whitney, Leontyne Price, a mais famosa Soprano afro americana de todos os tempos.



Em 1994, em meio a um momento descontraído com o Tenor Lírico Luciano Pavarotti e Elton John, Whitney demonstrou de forma cheia e imposta sua voz de cabeça. Não se pode exigir de uma cantora Pop o desempenho vocal 'sobre humano' de uma interprete de bel canto, mas Whitney, dentro de suas capacidades vocais, mesmo já fora de seu apogeu vocal, saiu-se extremamente bem demonstrando uma consistência primorosa em um pequeno trecho de "La Donna e Mobile" da ópera Rigolleto de Verdi.



Aqui inicia o declínio vocal de Whitney, que por conta de vício em substâncias ilícitas e conturbada vida emocional via sua voz esvair cada dia mais em um curto período de tempo para uma interprete tão virtuosa. Em 1995 sua voz já apresentava certa tensão no registro agudo, com uma emissão com esporádicas quebras vocais no topo do registro de peito e no passagio para o registro superior. Seu pescoço já apresentava certa tensão ao cantar e este pravo só foi agravado com o tempo já que os legatos se tornaram deverás mais desgastantes por conta da perda de estamina (Atenção nos tempos: 0:39 e 0:48).



Em 2000 Whitney surgiu com um registro superior de difícil acesso e com um timbre mais escuro com sopre peso perceptível. Os legatos já não mais existiam com estamina e poder e as partes agudas de suas canções eram evitadas a todo custo, sua voz estava deteriorada e sua classificação estava, por conta de abusos e não da ação natural do tempo, se deslocando aos poucos para uma região mais grave.



Em 2005 Whitney estava tão debilitada que até mesmo sua voz falada estava em pedaços. Um timbre nasal, fraco, com escape de ar evidente e uma rouquidão praticamente presbifônica tomou conta da voz de Whitney, que neste estágio já não mais poderia ser salva pelas mais requintadas técnicas de reabilitação vocal conhecidas pelo homem.



Em 2009 Whitney reapareceu com uma performance grandiosa, porém com um timbre pouco ressonante, rico e metálico, com um tom gasguito e bem mais grave. Aqui já não conseguia mais cantar próximo da região do Soprano, sua voz estava sendo entoada na tessitura de um Mezzo-Soprano com muito custo, produzindo um som ríspido e seco. 



Pontos Negativos

Com exceção dos claros abusos com respeito há substância ilícitas, Whitney Houston nunca foi do tipo que deixava de lado o cuidado com a própria voz. O único resquício de técnica insalubre é a da emissão - em momento isolados - das notas agudas sem recorrer a voz de cabeça, que por alguns momentos soavam pouco mixadas, 'abusando' de um som mais focado nos 'ressonadores inferiores', perdendo a oportunidade de produzir um som mais salubre.

Resolução dos Pontos Negativos

Não gosto de classificar o citado ponto negativo como algo que era realmente recorrente enquanto Whistney era saudável, afinal estamos falando de uma das maiores vozes da música Pop, mas para o bem geral descreverei como sanar este tipo de emissão com sobrepeso. As pregas vocais são dois músculos paralelos ao solo que se movimentam com extrema velocidade e delicadeza na emissão de um interprete com saúde vocal em dia... Compreender como executar frases melódicas utilizando o mínimo o possível de sobrepeso nestes músculos tão delicados é imprescindível para interpretes que presam por longevidade vocal. Importante também compreenderem como posicionar bem o som com boa postura do pescoço e ombros, com a língua levemente arqueada possibilitando a coluna de ar produzir um som ressonante e poderoso. Perfeito exemplo de interprete que atingiu longevidade compreendendo os citados aspectos é Patti LaBelle, Soprano 2 que está na casa dos 70 anos cantando perfeitamente bem, com uma voz conservada a ponto de poder bater de frente com mulheres naturalmente talentosas de 30 anos de idade ou menos.





Vocal Range





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